No coração do Cariri paraibano, a 180 km de João Pessoa e a 70 km de Campina Grande, uma cidade de pouco mais de 5 mil habitantes transformou o problema histórico da seca em vocação artística. Cabaceiras tem o menor índice pluviométrico do Brasil, com média anual em torno de 300 mm concentrada em dois ou três meses. A luminosidade constante do sol, as formações rochosas raras e a caatinga renderam à cidade o apelido de Roliúde Nordestina, mais de 50 produções audiovisuais já filmadas em suas ruas e um letreiro de 70 metros de comprimento à entrada do município.
De 1834 ao primeiro documentário nordestino em 1929
Cabaceiras foi fundada em 1834 no Cariri paraibano, região semiárida marcada pela caatinga e por lajedos milenares. Segundo a Secretaria de Turismo Municipal, o município está no coração do semiárido brasileiro e tem o menor índice pluviométrico do país, resultado dos longos períodos de estiagem que sempre marcaram a vida no sertão paraibano.
A relação com o cinema começou cedo. Em 1929, o documentário Sob o Céu Nordestino, dirigido por Walfredo Rodriguez, foi o primeiro registro cinematográfico da cidade. A vocação, porém, só ganharia projeção nacional sete décadas depois, quando as ruas, casarões e a Igreja Matriz viraram cenário do longa que consolidou a imagem de Cabaceiras no imaginário brasileiro.

O Auto da Compadecida e o letreiro de 70 metros na entrada
Em 2000, o diretor Guel Arraes escolheu Cabaceiras para gravar O Auto da Compadecida, adaptação da obra de Ariano Suassuna. A Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, o coreto da praça e a réplica da padaria viraram pontos de peregrinação para fãs de Chicó e João Grilo. O sucesso do filme abriu caminho para outras produções e consolidou o apelido de Roliúde Nordestina em todo o país.
O letreiro que homenageia a pronúncia local de Hollywood foi inaugurado em 2007 por iniciativa do escritor Wills Leal, com o projeto Roliúde Nordestina. A estrutura tem 5 metros de altura e 70 metros de comprimento, instalada ao lado do Morro do Cruzeiro na entrada da cidade. Ao lado dele funciona o Memorial Cinematográfico, fundado no mesmo ano, com painéis, figurinos e objetos das produções gravadas na região.
Uma paisagem geológica que só existe em três lugares do planeta
A 19 km do centro fica o Lajedo de Pai Mateus, formação rochosa com blocos de granito espalhados sobre uma laje de pedra plana, cenário considerado único no Brasil. Segundo agências de turismo do Jornal A União, do Governo da Paraíba, o Lajedo conta a lenda do eremita Pai Mateus, que teria vivido no local no século XVIII como curandeiro. A Pedra do Capacete, um dos blocos mais fotografados, e o pôr do sol sobre as rochas alaranjadas tornaram o lajedo um dos mais procurados destinos do sertão nordestino.
Outro geossítio célebre é o Saca de Lã, formação de blocos de granito empilhados que lembram fardos de algodão, com trilha curta e passagens escaláveis. Já a Serrote do Cruzeiro do Século, monumento no topo de um rochedo, oferece vista panorâmica da cidade e serve de mirante ao entardecer. Todo o conjunto se completa com a caatinga preservada, cactos, umbuzeiros e a fauna típica do semiárido.

O que fazer entre o centro histórico e os lajedos
O roteiro combina cinema, geologia, gastronomia e artesanato em distâncias curtas. A maioria dos pontos fica a menos de 30 minutos do centro.
- Letreiro Roliúde Nordestina: estrutura de 5 m de altura e 70 m de comprimento na entrada da cidade, ao lado do Morro do Cruzeiro.
- Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição: cenário de O Auto da Compadecida e outras produções, aberta à visitação.
- Memorial Cinematográfico: fundado em 2007 com painéis, figurinos e objetos das produções gravadas em Cabaceiras.
- Lajedo de Pai Mateus: formação rochosa a 19 km do centro, com Pedra do Capacete e pôr do sol sobre a caatinga.
- Saca de Lã: geossítio a 19 km com blocos de granito empilhados semelhantes a fardos de algodão.
- Cruzeiro do Século: monumento no topo de um rochedo com vista panorâmica da cidade.
- Curtumes e ateliês de couro: Cabaceiras é a capital paraibana do couro, com produção artesanal e mecânica visível em oficinas abertas ao público.
Quem sonha em conhecer a “Hollywood Nordestina” e explorar cenários cinematográficos inesquecíveis, vai curtir esse vídeo especial selecionado do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 18 mil visualizações, onde o apresentador mostra toda a cultura, a arquitetura preservada e as formações rochosas impressionantes do Lajedo de Pai Mateus em Cabaceiras, na Paraíba.
A Capital paraibana do Bode e a Bodeoca
A cultura caprina molda a economia e a mesa de Cabaceiras desde o século XVIII, o que rendeu ao município o título de Capital Paraibana do Bode. Desde 1999, a Festa do Bode Rei acontece todo mês de junho e reúne exposições de caprinos e ovinos, shows regionais e gastronomia à base do animal. O evento é considerado um dos maiores festivais de caprinocultura do país.
A gastronomia local rendeu criações originais. A Bodeoca, tapioca recheada com carne de bode, virou prato-símbolo da cidade e é servida em restaurantes do centro histórico e no restaurante do Hotel Fazenda Pai Mateus. A Buchada de bode, o queijo coalho artesanal e o café colonial completam o cardápio típico. Boa parte da produção alimenta ainda a cadeia do couro, que abastece ateliês locais e exportações artesanais.
Como é o clima e a melhor época para visitar
Cabaceiras tem clima semiárido com sol praticamente o ano inteiro. A curta estação chuvosa se concentra entre fevereiro e abril, sem atrapalhar passeios. O período mais procurado é junho, quando acontece a Festa do Bode Rei e o clima está mais ameno.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Cabaceiras
De João Pessoa são 180 km pela BR-230 (Transamazônica) e depois pela PB-148, cerca de duas horas e trinta minutos de viagem. De Campina Grande são apenas 70 km em cerca de uma hora e meia. As duas portas de entrada aéreas são o Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, em João Pessoa, e o Aeroporto Internacional Presidente João Suassuna, em Campina Grande. Agências de turismo em João Pessoa oferecem passeios de dia inteiro com transporte e guia.
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Cruze o Cariri e conheça a Roliúde Nordestina
Cabaceiras guarda um pedaço raro do sertão paraibano, onde a menor precipitação do Brasil virou vocação cinematográfica e uma paisagem geológica com pouquíssimos paralelos no planeta. Poucos lugares combinam mais de 50 produções audiovisuais, festas caprinas centenárias e cenários naturais que servem tanto ao cinema quanto ao ecoturismo.
Você precisa cruzar o Cariri paraibano e pisar na Roliúde Nordestina para entender por que uma cidade com tão pouca chuva virou o maior estúdio a céu aberto do sertão.

