No centro-leste do Tocantins, o estado mais jovem do Brasil, uma região do tamanho de Sergipe reúne dunas alaranjadas, poços onde é impossível afundar e cachoeiras cristalinas no meio do Cerrado. O Jalapão abrange nove municípios, tem como porta de entrada a cidade de Mateiros, a 300 km de Palmas, e concentra cinco unidades de conservação. No coração da região fica o Parque Estadual do Jalapão (PEJ), criado pela Lei Estadual 1.203 de 12 de janeiro de 2001, com 158.885 hectares, o maior parque estadual do Tocantins e ponto turístico mais visitado do estado.
Uma região do tamanho de um estado protegida por cinco unidades de conservação
O nome vem da Jalapa-do-Brasil, ou Chuveirinho, flor abundante em toda a região que floresce entre março e julho. Segundo o Portal Oficial de Turismo do Governo do Tocantins, o Jalapão faz parte da rota Encantos do Jalapão e abrange os municípios de Mateiros, Ponte Alta do Tocantins, São Félix do Tocantins, Lizarda, Rio Sono, Novo Acordo, Santa Tereza do Tocantins, Lagoa do Tocantins e Rio da Conceição.
Cinco unidades de conservação protegem o território: o Parque Estadual do Jalapão, a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, a Estação Ecológica do Rio Preto, o Monumento Natural Canyons e Corredeiras do Rio Sono e o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba. Segundo o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), o Parque Estadual representa a maior área contínua de Cerrado do Brasil em alto grau de conservação, abrigo do pato-mergulhão e de outras espécies ameaçadas.

Fervedouros: os poços onde a física da água impede que qualquer pessoa afunde
Os fervedouros são fenômeno raro no país e cartão-postal do Jalapão. Trata-se de nascentes de rios subterrâneos onde a pressão da água que brota da areia cria uma ressurgência tão intensa que empurra os banhistas para cima. Alguns têm até 70 metros de profundidade, mas a areia em suspensão dá a falsa impressão de que o poço é raso. Segundo o portal oficial do estado, entre 15 e 20 fervedouros foram catalogados, e outros seguem sendo descobertos entre veredas e capões de mata.
Cada um tem características próprias. O Fervedouro do Ceiça tem água esverdeada e área de banho ampla. O Fervedouro Bela Vista tem plataforma suspensa para proteger o solo e limite de 10 pessoas por vez. O Fervedouro dos Buritis é um dos favoritos pelo cenário circundado por buritizeiros. O Fervedouro do Mumbuca, próximo à comunidade quilombola homônima, permite combinar o mergulho com a visita ao artesanato local.

Dunas douradas, cachoeiras em ferradura e a Pedra Furada
As Dunas do Jalapão ficam a 35 km de Mateiros e chegam a 40 metros de altura, formadas pela erosão da Serra do Espírito Santo. A caminhada da entrada até o topo leva cerca de 20 minutos e é recompensada pela vista do Cerrado, do Morro do Saca Trapo e das veredas de capim dourado ao entardecer, quando a areia ganha tom cobre.
A Cachoeira da Velha, no Rio Novo, tem 15 metros de altura e cerca de 100 metros de largura em formato de ferradura, e virou uma das mais fotografadas do país. Já a Cachoeira do Formiga, a 36 km de Mateiros, tem queda de menos de dois metros mas impressiona pelo tom azul-esverdeado da água. A Pedra Furada, formação rochosa esculpida por milênios de vento e chuva, tem fendas em formatos variados, e uma delas reproduz o contorno do estado do Tocantins quando observada em ângulo específico.
O capim dourado e a comunidade quilombola Mumbuca
O capim dourado é uma planta típica do Cerrado que ganha coloração cor de ouro quando seca. Sua colheita acontece em setembro e sustenta o principal artesanato do Jalapão, produzido por comunidades quilombolas em técnica passada de geração em geração. A Comunidade Quilombola de Mumbuca, no município de Mateiros, é a mais ativa na cadeia produtiva, com oficinas abertas à visitação e uma das lojas mais completas da região.
Além do capim dourado, o buriti aparece em doces, licores, xaropes e artesanatos, e os pratos rústicos preparados em fogão a lenha completam a experiência gastronômica. Comunidades como Rio Novo, Prainha e Mumbuca também oferecem hospedagem e refeições comunitárias, um turismo de base social que redistribui parte da renda entre os moradores.
O que fazer entre parques, cachoeiras e dunas
Os atrativos ficam espalhados por dezenas de quilômetros em estradas de areia e terra, com acesso apenas por veículos 4×4. Os roteiros costumam durar de quatro a sete dias.
- Parque Estadual do Jalapão: 158.885 hectares de Cerrado preservado com dunas, cachoeiras, veredas e fauna ameaçada.
- Dunas do Jalapão: formação de areia dourada de até 40 m com pôr do sol sobre a Serra do Espírito Santo.
- Fervedouros: cerca de 20 nascentes onde a pressão da água impede afundar.
- Cachoeira da Velha: queda de 15 m e 100 m de largura em formato de ferradura no Rio Novo.
- Cachoeira do Formiga: poço azul-esverdeado com raia rasa para banho.
- Pedra Furada: formação rochosa com fenda que reproduz o contorno do Tocantins.
- Comunidade Mumbuca: berço do artesanato de capim dourado com oficinas abertas à visitação.
Quem sonha em explorar as belezas naturais do cerrado e viver uma aventura inesquecível, vai curtir esse vídeo especial selecionado do canal Viajantes de Estação em Estação • S2Station, que conta com mais de 58 mil visualizações, onde os apresentadores mostram um roteiro detalhado de 5 dias com 20 lugares imperdíveis, incluindo fervedouros, cachoeiras e dicas de custos para conhecer o Jalapão, no Tocantins.
Como é o clima e a melhor época para visitar
O clima é tropical de savana, quente o ano inteiro, com estação chuvosa entre outubro e abril e estação seca entre maio e setembro. A melhor época para a viagem vai de junho a agosto, quando praticamente não chove e as estradas de terra ficam mais transitáveis.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Mateiros, principal cidade-base. Condições podem variar.
Como chegar no Jalapão
O acesso é feito pelo Aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues, em Palmas, com voos diretos de São Paulo, Brasília e outras capitais. De Palmas até Mateiros são cerca de 300 km, com trecho pavimentado até São Félix do Tocantins e o restante em estradas de terra e areia. Todo o trajeto interno exige veículos 4×4, e a maioria dos visitantes contrata pacotes com agências locais de Palmas, Ponte Alta do Tocantins ou Mateiros.
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Suba até o Cerrado preservado do Tocantins
O Jalapão guarda um pedaço raro do Brasil, onde dunas alaranjadas dividem o cenário com cachoeiras cristalinas, poços que desafiam a lógica da flutuação e comunidades quilombolas que transformam o Cerrado em ouro artesanal. Poucos destinos combinam esse volume de fenômenos naturais únicos com um dos maiores estoques de biodiversidade do bioma.
Você precisa deixar a estrada de asfalto e conhecer o Jalapão para entender por que o Cerrado tocantinense virou um dos destinos de ecoturismo mais desejados do país.
