No sul do estado do Rio de Janeiro, a 120 km da capital, existe uma cidade cuja história é tão surpreendente quanto pouco lembrada pelo grande público. Barra Mansa, com pouco mais de 180 mil habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é uma das mais antigas do Vale do Paraíba. Foi a maior produtora de leite do Brasil na década de 1930, ganhou o apelido de Pittsburgh Fluminense pela força industrial nas décadas de 30 a 50 e é a cidade-mãe de Volta Redonda, que só se emancipou em 1954. Foi ali, quando ainda era distrito barra-mansense, que se instalou em 1941 a primeira usina da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Da sesmaria de 1764 à cidade-mãe do Aço
A ocupação começou em 1764, quando Francisco Gonçalves de Carvalho recebeu do vice-rei uma sesmaria entre o Rio Paraíba do Sul e o Rio Bananal, próxima a um córrego chamado Barra Seca ou Barra Mansa que dá nome ao município. Em 1827, as terras chegaram por herança ao Barão de Aiuruoca, fundador da cidade. Cinco anos depois, em 3 de outubro de 1832, foi criada a Vila de São Sebastião de Barra Mansa, com território formado por terras desmembradas de Resende, Valença e São João Marcos, conforme documenta o portal Cidades do Brasil.
Durante o século XIX, Barra Mansa se firmou como uma das principais produtoras de café do Vale do Paraíba, mas foi no século XX que a cidade mudou de escala. A instalação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda em 1941, quando esta ainda era distrito de Barra Mansa, transformou toda a região no maior polo siderúrgico do Brasil. Nas décadas de 1930 a 1950, o município era conhecido como Pittsburgh Fluminense, referência à cidade norte-americana ícone da indústria pesada. Volta Redonda só se emancipou em 1954, tornando-se município independente após décadas como distrito da matriz.

Um dos maiores conjuntos de fazendas do Vale do Café
Longe da agitação industrial, Barra Mansa preserva um dos conjuntos rurais mais impressionantes do Vale do Café. Segundo o portal oficial de turismo do Rio de Janeiro, o território guarda meia dúzia de fazendas históricas dos ciclos do café e do gado leiteiro. A Fazenda da Posse, primeira construção do município, data de 1764 e hoje funciona como Centro Cultural. A Fazenda Sant’Ana do Turvo, construída em 1826 pelo Primeiro Barão de Amparo, chegou a ocupar 700 alqueires e produzir 180 mil arrobas de café por ano em seu auge. A Fazenda Criciúma foi erguida em 1872 pelo Barão do Rio Negro e ainda hoje lembra as linhas arquitetônicas do Palácio Rio Negro, em Petrópolis. Já a Fazenda Rochinha é referência nacional pela produção de cachaça artesanal.

O que ver e fazer em Barra Mansa
Cabe percorrer o centro histórico da sede, visitar as fazendas do Vale do Café e conhecer os parques e ambientes naturais que cercam o Rio Paraíba do Sul.
- Palácio Barão de Guapi: construído entre 1857 e 1865, é o principal ponto turístico do centro histórico. Tombado como patrimônio cultural pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) em 1979, o prédio foi centro administrativo, Câmara Municipal e Prefeitura ao longo do tempo. Hoje abriga a Biblioteca Municipal. Fica na Praça da Matriz.
- Fazenda da Posse: primeira construção do município, datada de 1764, em estilo colonial totalmente restaurado. Funciona como Centro Cultural, com cursos, exposições e programação artística ao longo do ano.
- Fazenda Sant’Ana do Turvo: construída em 1826 pelo Primeiro Barão de Amparo. Foi a maior produtora de café da região no auge do ciclo, com 700 alqueires e produção anual de 180 mil arrobas. Referência arquitetônica do período rural fluminense.
- Fazenda Criciúma: erguida em 1872 pelo Barão do Rio Negro, fazendeiro que mantinha atividades comerciais na França. Uma das construções mais elegantes da região, com linhas que lembram o Palácio Rio Negro, em Petrópolis. Visitação com agendamento prévio.
- Fazenda Bocaina: na estrada Barra Mansa-Bananal, foi edificada em 1849 pelo tenente Domiciano de Oliveira Arruda, primeiro presidente da Câmara Municipal. Preserva arquitetura rural do século XIX e um portão de acesso ao jardim com trabalho de serralheria notável.
- Fazenda Rochinha: famosa pela produção artesanal de cachaça, comercializada em todo o Brasil. Programa gastronômico obrigatório para quem visita a região.
- Igreja de Nossa Senhora do Amparo: construção iniciada em 1833 por iniciativa do Visconde do Rio Bonito, então Presidente da Província do Rio de Janeiro, e concluída 54 anos depois. Fachada elegante e sem excessos de adornos, é um bom exemplo da arquitetura neoclássica religiosa. O interior conserva o traçado original.
- Igreja Matriz de São Sebastião: homenagem ao padroeiro que deu o nome original ao município (São Sebastião de Barra Mansa). Marco religioso central da cidade.
- Ponte dos Arcos: um dos cartões-postais urbanos, atravessa o Rio Paraíba do Sul e é palco de encontros dos moradores no fim de tarde.
- Parque Centenário Jardim das Preguiças: extenso parque verde com trilhas, áreas para caminhadas, ciclovia, piquenique e brinquedos. Programa clássico dos finais de semana.
- Museu Histórico Municipal de Barra Mansa: na Rua Dr. Mário Ramos, no centro. Conta a trajetória da cidade desde os primeiros habitantes, com acervo de fotos, documentos e objetos antigos do ciclo do café e da era industrial.
- Cachoeira do Salto e Cachoeira dos Puris: quedas d’água a poucos quilômetros do centro, em ambientes rurais preservados. Boa opção para famílias em dias quentes.
Quem quer conhecer Barra Mansa, no Rio de Janeiro, vai curtir este vídeo da Nathalia Adriano, que conta com mais de 10 mil visualizações e traz um roteiro pelos pontos turísticos e históricos da cidade.
Uma cidade de qualidade de vida e localização estratégica
Barra Mansa mantém uma qualidade de vida equilibrada entre a atividade industrial e o ritmo tranquilo de cidade do interior. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,725 está entre os mais altos do Sul Fluminense. A economia, sustentada pela indústria metalúrgica (com destaque para a antiga Companhia Siderúrgica Nacional Barra Mansa, hoje operada pela argentina Ternium), pelo comércio consolidado e pelos serviços, gera emprego regular. Rede pública e privada de saúde com hospitais regionais atende toda a Região do Médio Paraíba. A cidade fica a 3 horas de Petrópolis e Teresópolis, o que permite bate-voltas às Cidades Imperiais, além do fácil acesso a São Paulo (350 km) e ao Rio de Janeiro (120 km).
Como é o clima em Barra Mansa?
Tropical de altitude, com temperaturas amenas o ano inteiro e chuvas concentradas no verão. As médias mensais de chuva chegam a 220 mm em dezembro e janeiro, com temporais frequentes ao fim da tarde. O inverno é seco e agradável, com noites frescas e mínimas em torno de 12°C. A melhor época para visitar é entre maio e setembro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Barra Mansa
De Rio de Janeiro, são 120 km pela BR-116 (Via Dutra), com percurso de aproximadamente 2 horas de carro. De São Paulo, o trajeto é de cerca de 350 km, também pela Via Dutra, com 4 a 5 horas. O Aeroporto Internacional Tom Jobim (GIG), no Rio de Janeiro, e o Aeroporto de Guarulhos (GRU), em São Paulo, são as principais opções para chegar de avião. Barra Mansa possui um dos principais terminais rodoviários do interior fluminense, com linhas partindo do Terminal Rodoviário Novo Rio a cada 30 minutos aproximadamente. Um carro alugado é útil para visitar as fazendas históricas do Vale do Café, algumas afastadas do centro urbano.
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Barra Mansa é o Rio de Janeiro industrial que ainda cheira a café
Uma cidade que foi a maior produtora de leite do Brasil, ganhou o apelido de Pittsburgh Fluminense pela força industrial, abrigou a primeira usina da CSN antes mesmo de existir Volta Redonda e ainda hoje guarda seis das fazendas históricas mais bem preservadas do Vale do Café. Poucos destinos brasileiros conseguem essa densidade de história econômica, patrimônio rural e qualidade urbana num raio tão pequeno.
Você precisa reservar um fim de semana em Barra Mansa, começar pelo Palácio Barão de Guapi na manhã, almoçar numa das fazendas do Vale do Café e terminar provando a cachaça artesanal da Rochinha para entender por que essa cidade fluminense continua sendo um dos capítulos mais bem guardados do sul do estado do Rio.
