Na ponta norte do litoral de Santa Catarina, a 135 km de Curitiba e 250 km de Florianópolis, existe uma cidade que carrega a fama de ter as praias com as águas mais mornas de todo o Sul do país. Itapoá, com cerca de 22 mil habitantes e 32 km de orla, faz divisa com o Paraná, cresce mais rápido do que qualquer outra cidade catarinense nos últimos anos e ainda mantém a atmosfera preservada de vila litorânea, com Mata Atlântica, cachoeiras e mangues logo atrás das dunas.
A pedra tupi que deu nome à cidade e ainda aparece na maré baixa
O nome Itapoá tem origem indígena: ITA significa pedra e POÁ, ponta, na língua tupi. A pedra em questão ainda existe, submersa a 300 metros da praia central. Na maré alta, desaparece; na maré baixa, volta à vista, cumprindo o ciclo que originou o nome dado pelos antigos habitantes da região. Antes da colonização portuguesa, o território era habitado pelos Carijós, cujos vestígios foram preservados nos sambaquis, montículos formados por camadas de conchas, restos de peixes e ossos de aves e mamíferos que registram a presença dos primeiros povos do litoral catarinense, conforme registra a Prefeitura de Itapoá. A cidade só teve seu grande crescimento nas últimas duas décadas, especialmente após a inauguração do Porto de Itapoá em 2011, hoje um dos terminais mais movimentados do país.

Por que as águas são as mais quentes do Sul
A localização geográfica é o segredo. Itapoá fica ao norte da Baía da Babitonga, a maior baía navegável de Santa Catarina, num ponto onde o litoral se abre para águas mais rasas e onde correntes marinhas quentes se aproximam da costa. O resultado é uma temperatura da água que costuma ficar 2 a 4°C acima da registrada em Florianópolis ou Balneário Camboriú, tornando o banho de mar confortável de novembro a abril. Essa característica fez de Itapoá um destino especialmente popular entre famílias com crianças e viajantes que procuram um litoral catarinense sem o frio agudo do vento sul.

O que ver e fazer em Itapoá
A cidade combina praias com perfis muito diferentes, ecoturismo em áreas de mata preservada e turismo histórico com sambaquis e faróis. É preciso um carro para percorrer os 32 km de orla, já que os balneários estão distantes um do outro.
- Praia de Itapoá: a praia central, calma e de mar aberto, é onde fica a pedra que dá nome à cidade, submersa a 300 metros da orla. Boa para caminhadas na areia dura e para famílias.
- Praia de Itapema do Norte: concentra o comércio e a vida noturna do município, com bares, restaurantes e a maior infraestrutura hoteleira. Fica também a Ilha de Itapeva, visível da praia.
- As Três Pedras: formações rochosas à beira-mar, em Itapema do Norte. A 1ª Pedra, chamada Espia, é a mais alta e recebeu deck com passarela para os turistas apreciarem a vista da orla e da divisa entre Santa Catarina e Paraná.
- Praia da Barra do Saí: ao norte da cidade, é o principal ponto de surf de Itapoá, com ondas fortes e faixa larga de areia. Encontro do Rio Saí-Mirim com o mar forma uma paisagem única entre dunas e mangue.
- Praia do Pontal da Figueira: perto do porto, é banhada pelo canal por onde passam os navios do Porto de Itapoá e do Porto de São Francisco do Sul. Vista da Baía da Babitonga e a figueira frondosa que dá nome ao balneário.
- Farol do Pontal do Norte: um dos cartões-postais da cidade e um dos melhores lugares para assistir ao pôr do sol. A praia ao lado tem mar calmo, ideal para stand-up paddle e caiaque.
- Baía da Babitonga: a maior baía navegável de Santa Catarina fica entre Itapoá, Joinville e a Ilha de São Francisco do Sul. Passeios de barco levam a ilhas, manguezais e ao encontro com golfinhos que habitam a baía. Uma das experiências mais completas da região.
- Reserva Volta Velha: área protegida de 1.000 hectares de Mata Atlântica, com trilhas guiadas, observação de fauna e flora, e roteiros de ecoturismo. Habitada por mais de 400 espécies de aves e diversas espécies ameaçadas.
- Sambaquis: vestígios pré-históricos dos Carijós, primeiros habitantes do litoral catarinense. Montículos formados por milênios de acúmulo de conchas e restos animais, distribuídos pela região.
- Ilha Saí-Guaçu: pequena ilha entre os rios Saí-Mirim e Saí-Guaçu, com mangues preservados e rica biodiversidade. Refúgio quase intocado no extremo norte do litoral catarinense.
- Cachoeira da Vila da Glória: queda d’água em meio à Mata Atlântica, com águas cristalinas e ambiente rústico. Alternativa às praias para dias de verão intenso.
- Porto de Itapoá: um dos portos mais modernos e movimentados do Brasil, projetado com padrões de sustentabilidade e tecnologia. A visualização das operações e dos navios que atracam é um programa curioso, especialmente para famílias.
Quem quer conhecer Itapoá, no litoral norte de Santa Catarina, vai curtir este vídeo do canal Arthur e Lika na Viagem, que conta com mais de 47 mil visualizações e apresenta um roteiro detalhado pela cidade.
Como é o clima em Itapoá?
Subtropical úmido, com quatro estações bem definidas e chuvas distribuídas ao longo do ano. O verão é a alta temporada, com temperaturas entre 22°C e 30°C e águas quentes. O inverno é ameno para os padrões do Sul, com mínimas raramente abaixo de 12°C. A cidade recebe chuvas frequentes, mas rápidas, que raramente atrapalham o dia inteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Itapoá
De Curitiba, são 135 km pela BR-101 até Garuva, e depois pela SC-415 até Itapoá, percurso de aproximadamente 2h30. De Florianópolis, são 250 km pela BR-101, cerca de 3h30 de carro. De Joinville, apenas 80 km. O Aeroporto Internacional Afonso Pena (CWB), em Curitiba, é o principal com voos regulares. O Aeroporto de Joinville (JOI) também opera voos regionais. Uma opção alternativa é acessar pela balsa que atravessa a Baía da Babitonga a partir da Ilha de São Francisco do Sul. Um carro é essencial para percorrer os 32 km de orla e chegar às praias mais distantes.
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Itapoá é o litoral catarinense sem o frio catarinense
Uma cidade que carrega no nome uma pedra tupi ainda submersa, ostenta as águas mais mornas do Sul do Brasil, protege 1.000 hectares de Mata Atlântica intocada e ainda guarda os vestígios dos primeiros povos do litoral em sambaquis milenares. Poucos destinos catarinenses oferecem essa combinação de preservação, mar tranquilo e infraestrutura crescente.
Você precisa reservar uma semana em Itapoá, começar pelas Três Pedras ao amanhecer, embarcar num passeio pela Baía da Babitonga e terminar a viagem numa trilha na Reserva Volta Velha para entender por que essa última cidade do litoral catarinense virou a queridinha de quem quer o Sul sem abrir mão do calor.

