A 175 km de Natal, no ponto onde o Rio Piranhas-Açu encontra o Oceano Atlântico, existe uma cidade que compartilha origem etimológica com uma cidade da China a 15 mil quilômetros de distância. Macau, no litoral setentrional do Rio Grande do Norte, tem cerca de 28 mil habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e é a Capital do Sal do Brasil: 350 hectares de cristalizadores a colocam como o maior parque salineiro do país, responsável por mais de 45% da produção nacional de sal marinho.
A cidade brasileira que tem o mesmo nome de uma cidade chinesa
A coincidência não é aleatória. O nome de ambas as cidades vem do chinês A-Ma-Gao, que significa “Abrigo ou Porto da A-Má”, deusa dos navegantes na tradição chinesa. Portugueses no comércio marítimo com a Ásia levaram a expressão adaptada como Amacao, Macao, Macau. As duas cidades foram batizadas por marinheiros portugueses inspirados na mesma referência religiosa, conforme registra a Prefeitura de Macau, que documentou o encontro entre um casal de macaenses (chineses) e macauenses (brasileiros).
As semelhanças vão além do nome. Ambas foram, até tempos recentes, ligadas ao continente por um istmo. Ambas exploram o turismo. E ambas mantêm relação histórica com Portugal. A diferença é a escala: enquanto Macau chinesa tem 538 mil habitantes e um dos maiores centros de cassinos do mundo, Macau potiguar é uma pacata cidade litorânea que vive do sal, do petróleo e da pesca artesanal.

O maior parque salineiro do Brasil
Macau está no coração do Polo Costa Branca, região turística oficial do Rio Grande do Norte que reúne municípios produtores de sal. A cidade fica no estuário do Rio Piranhas-Açu, cercada por tanques de evaporação onde a água do mar seca ao sol nordestino e forma cristais de sal marinho. A empresa Salinor (Salinas do Nordeste), junto com o grupo Fragoso Pires, responde por mais de 45% do sal marinho produzido no Brasil, e Macau é a base dessa operação. Chega-se à cidade por uma rodovia construída sobre aterro, entre os grandes tanques que compõem a paisagem única de dunas de sal branco reluzindo ao lado das águas do estuário.
No istmo que liga a antiga ilha ao continente, um catavento azul permanece como símbolo das salinas artesanais que precederam a produção industrial. A cidade também produz petróleo em terra e na plataforma continental, e é um dos maiores produtores nacionais de sardinha, conforme registrado pela Guia do Turismo Brasil.

O que ver e fazer em Macau
A cidade combina ecoturismo em manguezais preservados, praias desertas com dunas, visita às salinas industriais e um dos carnavais mais concorridos do Rio Grande do Norte.
- Praia de Camapum: a 3 km do centro, na Ilha de Alagamar próxima à foz do Rio Açu. Totalmente urbanizada, com calçadão, barracas, bares, restaurantes e pousadas. Águas raras e mornas, tranquilas e com alto índice de salinidade por conta das salinas ao redor. É a praia mais frequentada da cidade.
- Praia de Diogo Lopes: a 28 km do centro, é a mais impressionante da região. Vila de pescadores com dunas gigantes onde o sertão da caatinga encontra o mar. Passeios de buggy pelas dunas até a beira do Atlântico são o principal programa.
- Praia de Barreiras: vila de pescadores a 22 km do centro. Manguezal ao longo do Rio Tubarão, que separa a praia do mar aberto. Sem infraestrutura convencional, mas com potencial ecoturístico para banhos, passeios de barco por igarapés e observação da fauna do estuário.
- Praia de Soledade: outra vila de pescadores, com dunas nas praias e ao longo do Rio Conceição. Cenário preservado e pouco visitado, ideal para caminhadas e contemplação.
- Trilha dos Olheiros: percurso de 2 km entre as praias de Barreiras e Diogo Lopes. O grande diferencial é o fenômeno dos “olheiros”: pontos onde a água doce dos lençóis freáticos transborda das dunas, criando pequenas fontes potáveis em pleno litoral.
- Visita às Salinas Salinor: passeio guiado pela maior operação salineira do Brasil, com explicação do processo de evaporação, cristalização e colheita do sal marinho. Uma das experiências únicas de Macau, com paisagem que parece um deserto branco.
- Moinho de Vento (Catavento): símbolo do istmo que liga a cidade ao continente. Registro histórico do período das salinas artesanais, quando os moinhos moviam bombas para levar a água do mar aos tanques de evaporação.
- Ecoturismo em manguezais: passeios de canoa e caiaque pelos manguezais preservados do estuário do Piranhas-Açu, com observação de aves e fauna aquática.
- Carnaval de Macau: considerado um dos melhores do Rio Grande do Norte, atrai multidões da região. Blocos coloridos, marchinhas e sambas-enredo tomam as ruas da cidade por quatro dias.
- Festa de Nossa Senhora dos Navegantes: celebração religiosa dos pescadores locais, com procissão marítima na qual dezenas de embarcações enfeitadas levam a imagem da santa pelas águas do estuário. Uma das tradições mais emocionantes da cidade.
Quem quer conhecer Macau, no Rio Grande do Norte, vai curtir este vídeo do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 7 mil visualizações e apresenta um passeio detalhado por esta cidade conhecida como a “Terra do Sal”.
Uma cidade calma para quem foge da agitação
Macau mantém a atmosfera tranquila de uma cidade litorânea pequena, com custo de vida acessível, hospitalidade caiçara e ritmo lento. A economia sustentada pelas salinas, pelo petróleo e pela pesca garante empregos estáveis e infraestrutura básica de qualidade. A cidade tem hospital municipal, escolas de ensino médio integrado e polo da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). A gastronomia mistura frutos do mar frescos, peixes do estuário e pratos típicos do sertão potiguar, com destaque para caranguejo, camarão, ostras e a sardinha local.
Como é o clima em Macau?
Semiárido quente com brisa marinha constante. Baixa pluviosidade anual é justamente o que torna a região ideal para a produção de sal: o sol na maior parte dos dias do ano garante a evaporação nos cristalizadores. As chuvas se concentram entre fevereiro e maio.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Macau
De Natal, são 175 km pela BR-406 e depois pela RN-402, com percurso de aproximadamente 3 horas de carro. De Mossoró, cidade-polo do Oeste potiguar, são 130 km. O Aeroporto Internacional Aluízio Alves (NAT), em São Gonçalo do Amarante (região metropolitana de Natal), é o mais próximo com voos regulares. Ônibus intermunicipais partem de Natal com frequência regular. Um carro é essencial para acessar as praias e vilas de pescadores mais distantes do centro.
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Macau é o Brasil que ninguém esperaria encontrar dividindo nome com uma cidade da China
Uma cidade brasileira com o mesmo nome de uma cidade chinesa, o maior parque salineiro do país, um istmo com um catavento azul, dunas gigantes onde o sertão vira mar e um dos carnavais mais autênticos do Rio Grande do Norte. Poucos destinos brasileiros conseguem essa combinação de cultura, geografia e economia num raio tão pequeno.
Você precisa reservar um fim de semana em Macau, subir num barco pelo manguezal e visitar as salinas para entender por que essa cidade potiguar carrega, no nome e na paisagem, uma história que ninguém esperava encontrar no litoral do Nordeste.
