Entre dunas douradas e chapadões silenciosos, o Jalapão guarda os fervedouros, poços onde a água brota do chão com tanta força que ninguém consegue afundar. É o Cerrado em estado bruto, no leste do Tocantins.
Por que é impossível afundar nos fervedouros?
Porque a água sobe do subsolo com pressão suficiente para sustentar o corpo na superfície. Os fervedouros são nascentes onde um rio subterrâneo encontra uma camada de areia fina e irrompe do chão, criando o efeito de flutuação sem esforço.
A primeira impressão engana: eles parecem rasos por causa da areia suspensa na água, mas podem alcançar dezenas de metros de profundidade. Para preservar o cenário, a visitação é controlada, geralmente com grupos de dez pessoas e tempo limitado em cada poço, segundo o Governo do Tocantins. Existem cerca de vinte fervedouros catalogados na região.

Como é viver no maior cerrado preservado do Brasil?
O Jalapão forma o maior trecho contínuo de Cerrado em alto grau de conservação do país. A vida das comunidades locais gira em torno da natureza, num ritmo lento ditado pelas estradas de terra e pela distância dos grandes centros.
A principal fonte de renda é o artesanato de capim dourado e da seda de buriti. Na comunidade quilombola de Mumbuca, em Mateiros, boa parte dos moradores vive das peças douradas, feitas à mão e reconhecidas como tradição cultural. A colheita do capim é permitida apenas entre 20 de setembro e 20 de novembro, quando as sementes já amadureceram, garantindo o uso sustentável da planta.

O ouro que nasce do Cerrado
O capim dourado não é capim comum, e sim a haste de uma planta típica das veredas úmidas do Jalapão. Seco, ganha um brilho metálico que rendeu o apelido de ouro da terra e virou símbolo do artesanato tocantinense.
As peças, de chapéus a bolsas e joias, são costuradas com fios de seda extraídos do buriti, a palmeira que domina a paisagem. Essa combinação sustenta comunidades inteiras e transformou um saber tradicional em economia local. Em Mumbuca, setembro reúne a Festa da Colheita, com música e rodas de conversa que marcam a abertura da temporada.
O que fazer no Jalapão?
As atrações não competem entre si, elas se completam como capítulos da mesma paisagem. Boa parte fica dentro ou no entorno do Parque Estadual do Jalapão, e o acesso exige veículo com tração nas quatro rodas.
- Fervedouros: nascentes de água cristalina onde é impossível afundar, como os do Ceiça, Bela Vista e Buritis, com flutuação garantida.
- Dunas do Jalapão: montanhas de areia dourada que chegam a dezenas de metros de altura, palco de um dos pores do sol mais bonitos do Brasil.
- Cachoeira da Velha: maior queda do parque, em formato de ferradura, com plataforma de observação à beira do Rio Novo.
- Cachoeira da Formiga: poço de água verde-esmeralda e fundo de areia branca, ideal para banho, a cerca de 36 km de Mateiros.
- Rafting no Rio Novo: descida por corredeiras em um dos poucos pontos do país onde se pratica o esporte em águas cristalinas.
- Comunidade Mumbuca: berço do artesanato de capim dourado, onde a tradição vira joia da terra.
Quem quer conhecer o Jalapão, no Tocantins, vai curtir este guia completo do canal Rolê Família, que conta com mais de 888 mil visualizações e apresenta um roteiro de 5 dias explorando as maravilhas naturais da região e a emocionante imersão cultural na comunidade quilombola Mumbuca:
Qual a melhor época para visitar o Jalapão?
O Jalapão tem duas estações bem definidas. A seca, de maio a setembro, é a melhor fase: as estradas de terra ficam transitáveis, os fervedouros atingem transparência máxima e quase não chove.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo (Mateiros). Condições podem variar.
Como chegar ao Jalapão?
A porta de entrada é Palmas, capital do estado. De lá, são cerca de 300 km até Mateiros, com trecho de asfalto até Ponte Alta do Tocantins e depois estrada de terra que exige veículo 4×4. A viagem leva de cinco a seis horas, e agências credenciadas pelo Naturatins operam pacotes com transporte e guia.
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Conheça o paraíso onde a água desafia a lógica
O Jalapão entrega o que poucos destinos brasileiros conseguem: silêncio, paisagens que mudam a cada hora e comunidades que vivem do que o Cerrado oferece sem destruí-lo. Entre dunas, fervedouros e o brilho do capim dourado, a região ainda parece um segredo bem guardado.
Você precisa cruzar o cerrado e boiar num fervedouro para entender por que o Jalapão fica na memória de quem viaja.

