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Início Cidades

Impossível afundar: no coração do Tocantins existem nascentes que empurram o corpo de volta à superfície

Por Ana Carolina
04/07/2026
Em Cidades
Impossível afundar: no coração do Tocantins existem nascentes que empurram o corpo de volta à superfície

Impossível afundar: no coração do Tocantins existem nascentes que empurram o corpo de volta à superfície // IMAGEM ILUSTRATIVA

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Entre dunas douradas e chapadões silenciosos, o Jalapão guarda os fervedouros, poços onde a água brota do chão com tanta força que ninguém consegue afundar. É o Cerrado em estado bruto, no leste do Tocantins.

Por que é impossível afundar nos fervedouros?

Porque a água sobe do subsolo com pressão suficiente para sustentar o corpo na superfície. Os fervedouros são nascentes onde um rio subterrâneo encontra uma camada de areia fina e irrompe do chão, criando o efeito de flutuação sem esforço.

A primeira impressão engana: eles parecem rasos por causa da areia suspensa na água, mas podem alcançar dezenas de metros de profundidade. Para preservar o cenário, a visitação é controlada, geralmente com grupos de dez pessoas e tempo limitado em cada poço, segundo o Governo do Tocantins. Existem cerca de vinte fervedouros catalogados na região.

Jalapão, Tocantins // Créditos: Wikimedia Commons

Como é viver no maior cerrado preservado do Brasil?

O Jalapão forma o maior trecho contínuo de Cerrado em alto grau de conservação do país. A vida das comunidades locais gira em torno da natureza, num ritmo lento ditado pelas estradas de terra e pela distância dos grandes centros.

A principal fonte de renda é o artesanato de capim dourado e da seda de buriti. Na comunidade quilombola de Mumbuca, em Mateiros, boa parte dos moradores vive das peças douradas, feitas à mão e reconhecidas como tradição cultural. A colheita do capim é permitida apenas entre 20 de setembro e 20 de novembro, quando as sementes já amadureceram, garantindo o uso sustentável da planta.

Jalapão, Tocantins // Créditos: Wikimedia Commons

O ouro que nasce do Cerrado

O capim dourado não é capim comum, e sim a haste de uma planta típica das veredas úmidas do Jalapão. Seco, ganha um brilho metálico que rendeu o apelido de ouro da terra e virou símbolo do artesanato tocantinense.

As peças, de chapéus a bolsas e joias, são costuradas com fios de seda extraídos do buriti, a palmeira que domina a paisagem. Essa combinação sustenta comunidades inteiras e transformou um saber tradicional em economia local. Em Mumbuca, setembro reúne a Festa da Colheita, com música e rodas de conversa que marcam a abertura da temporada.

O que fazer no Jalapão?

As atrações não competem entre si, elas se completam como capítulos da mesma paisagem. Boa parte fica dentro ou no entorno do Parque Estadual do Jalapão, e o acesso exige veículo com tração nas quatro rodas.

  • Fervedouros: nascentes de água cristalina onde é impossível afundar, como os do Ceiça, Bela Vista e Buritis, com flutuação garantida.
  • Dunas do Jalapão: montanhas de areia dourada que chegam a dezenas de metros de altura, palco de um dos pores do sol mais bonitos do Brasil.
  • Cachoeira da Velha: maior queda do parque, em formato de ferradura, com plataforma de observação à beira do Rio Novo.
  • Cachoeira da Formiga: poço de água verde-esmeralda e fundo de areia branca, ideal para banho, a cerca de 36 km de Mateiros.
  • Rafting no Rio Novo: descida por corredeiras em um dos poucos pontos do país onde se pratica o esporte em águas cristalinas.
  • Comunidade Mumbuca: berço do artesanato de capim dourado, onde a tradição vira joia da terra.

Quem quer conhecer o Jalapão, no Tocantins, vai curtir este guia completo do canal Rolê Família, que conta com mais de 888 mil visualizações e apresenta um roteiro de 5 dias explorando as maravilhas naturais da região e a emocionante imersão cultural na comunidade quilombola Mumbuca:

Qual a melhor época para visitar o Jalapão?

O Jalapão tem duas estações bem definidas. A seca, de maio a setembro, é a melhor fase: as estradas de terra ficam transitáveis, os fervedouros atingem transparência máxima e quase não chove.

⭐ Seca Ideal
Maio a Julho 18°C a 33°C
☀️ Baixa
Melhor época: estradas transitáveis e **fervedouros com transparência máxima**. O paraíso do ecoturismo.
⭐ MELHOR ÉPOCA
🏜️ Seca Intensa
Agosto a Setembro 20°C a 38°C
☀️ Muito Baixa
Clima seco e quente, ideal para explorar **trilhas radicais e o conjunto de cachoeiras** do cerrado.
🏜️ TRILHAS E CACHOEIRAS
🌿 Chuva
Outubro a Dezembro 21°C a 34°C
☔ Alta
O **cerrado fica verde e florido**. Uma paisagem única, perfeita para fotografia e contemplação da natureza.
🌿 CERRADO VERDE
⚠️ Chuva Intensa
Janeiro a Abril 20°C a 31°C
☔ Muito Alta
Época de **acesso limitado**. Recomenda-se evitar o planejamento de roteiros complexos devido às chuvas.
⚠️ ÉPOCA A EVITAR

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo (Mateiros). Condições podem variar.

Como chegar ao Jalapão?

A porta de entrada é Palmas, capital do estado. De lá, são cerca de 300 km até Mateiros, com trecho de asfalto até Ponte Alta do Tocantins e depois estrada de terra que exige veículo 4×4. A viagem leva de cinco a seis horas, e agências credenciadas pelo Naturatins operam pacotes com transporte e guia.

Leia também: Essa cidade nordestina está em alta: 44,7% mais estrangeiros escolheram esse refúgio de mar morno e brisa perfeita

Conheça o paraíso onde a água desafia a lógica

O Jalapão entrega o que poucos destinos brasileiros conseguem: silêncio, paisagens que mudam a cada hora e comunidades que vivem do que o Cerrado oferece sem destruí-lo. Entre dunas, fervedouros e o brilho do capim dourado, a região ainda parece um segredo bem guardado.

Você precisa cruzar o cerrado e boiar num fervedouro para entender por que o Jalapão fica na memória de quem viaja.

Tags: CidadeJalapãoTocantins
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