Você já imaginado um animal capaz de “gritar” sem que nenhum ser humano ouça? A comunicação por ultrassom, inaudível para nós, é uma realidade em diversas espécies, como o társio filipino, que emite sons de até 70 kHz. Esses animais desenvolveram um canal de comunicação secreto, que os ajuda a evitar predadores, caçar e interagir com sua própria espécie, e a ciência só recentemente começou a desvendar esse mundo sonoro oculto.
O que é o ultrassom e por que ele é inaudível para humanos?
O ultrassom é uma onda sonora com frequência superior a 20.000 Hz (20 kHz), o limite máximo da audição humana. Enquanto nós ouvimos até cerca de 20 kHz, muitos animais operam em frequências muito mais altas, como os morcegos, que emitem sons de 10 a 200 kHz, e o társio filipino, que se comunica em puro ultrassom.
Essa capacidade de ouvir e emitir ultrassons permite que esses animais acessem um “canal privado” de comunicação, inacessível para a maioria dos predadores e para os humanos, sendo uma vantagem evolutiva crucial para a sobrevivência em diversos ambientes.

Quais são os principais animais que usam o ultrassom para se comunicar?
O ultrassom é uma ferramenta de comunicação e sobrevivência presente em diferentes grupos de animais, cada um com suas particularidades.
Como esses animais conseguem emitir sons tão agudos?
A produção de ultrassom envolve estruturas especializadas. Os morcegos, por exemplo, contraem músculos da laringe para emitir sons de alta frequência. Já os golfinhos e baleias utilizam estruturas nasais para gerar cliques ultrassônicos, que são usados tanto para comunicação quanto para ecolocalização.
No caso do társio, acredita-se que a laringe também seja a responsável pela produção dos chamados ultrassônicos. Ainda há muito a ser descoberto sobre os mecanismos exatos, mas o que se sabe é que essas adaptações são extremamente eficientes para a sobrevivência em seus nichos ecológicos.

Quais são as vantagens evolutivas da comunicação por ultrassom?
Comunicar-se em ultrassom oferece diversas vantagens. A principal é a possibilidade de criar um canal de comunicação privado, inaudível para predadores e para outras espécies que possam interceptar a mensagem. Isso é especialmente útil para animais pequenos e noturnos, como o társio.
Além disso, o ultrassom permite a comunicação em ambientes com alta interferência sonora, como florestas densas ou oceanos. Os golfinhos, por exemplo, usam cliques ultrassônicos para se comunicar e caçar debaixo d’água, onde a visibilidade é limitada.
Comparação entre os principais animais que usam ultrassom
Para entender melhor as diferenças e semelhanças entre esses animais, a tabela abaixo resume suas principais características.
| Animal | Frequência (kHz) | Função principal | Status da pesquisa |
|---|---|---|---|
| Társio filipino Primata noturno | 70 kHz | Comunicação social, evitar predadores | Descoberto em 2012 |
| Morcego Mamífero voador | 10 a 200 kHz | Ecolocalização, navegação | Bem estabelecido |
| Rã-do-folhiço Anfíbio da Mata Atlântica | Ultrassom (freq. específica não divulgada) | Defesa contra predadores | Descoberto em 2024 |
O que ainda não se sabe sobre a comunicação ultrassônica?
Apesar dos avanços, a comunicação ultrassônica ainda guarda muitos mistérios. Os cientistas não sabem, por exemplo, como exatamente os társios produzem sons tão agudos, nem se outros primatas também possuem essa habilidade.
Além disso, o impacto da poluição sonora humana sobre esses animais é uma preocupação crescente, já que ruídos de baixa frequência podem interferir na comunicação e na ecolocalização de espécies como baleias e golfinhos. Entender melhor esses mecanismos é essencial para a conservação dessas espécies fascinantes.
