No alto da serra fluminense de Minas Gerais, a 110 km de Belo Horizonte, Itabira nasceu da exploração do ouro no século 18 e cresceu colada ao ferro. Foi ali que surgiu a maior mineradora do país e onde uma montanha inteira virou cratera. A mesma cidade hoje atrai quem procura silêncio e ritmo lento.
O que aconteceu com o Pico do Cauê em Itabira?
O Pico do Cauê deixou de existir como montanha. A formação dominava o horizonte itabirano e aparecia na bandeira do município, mas décadas de extração de minério de ferro a transformaram em uma enorme cratera reluzente.
A Mina do Cauê foi o local de origem da Companhia Vale do Rio Doce em 1942, hoje Vale S.A., uma das maiores mineradoras do mundo. Em 1973, tornou-se a maior frente de extração do mundo ocidental, segundo registro da biblioteca do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No início dos anos 1980, o pico já não existia mais.
O desaparecimento entrou na literatura. O poeta Carlos Drummond de Andrade, nascido na cidade, escreveu sobre a montanha no poema “A Montanha Pulverizada”, publicado em 1973. A partir de 2011, a Vale iniciou medidas de revegetação e recuperação paisagística da área minerada.

Por que Itabira é chamada de Capital da Poesia?
O apelido vem de Drummond, considerado por muitos o maior poeta brasileiro, nascido em Itabira em 1902. A cidade transformou sua memória em um dos roteiros culturais mais completos de Minas Gerais.
O coração desse roteiro é o Museu de Território Caminhos Drummondianos, criado em 1997. São 44 placas-poema espalhadas pelo centro, cada uma ligada a um fato, lugar ou personagem da vida do poeta. Dá para percorrer sozinho com um mapa, mas o costume local é caminhar acompanhado dos guias e dos jovens do projeto que declamam os versos em cada ponto.
O percurso passa pela Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, na avenida que leva o nome do escritor, que reúne biblioteca municipal, teatro e espaço de exposições. Outra parada é o Memorial Carlos Drummond de Andrade, no bairro Campestre, com vista parcial da cidade a partir do mirante do Pico do Amor.

Como é a qualidade de vida e o que visitar na terra do ferro
Itabira combina porte de cidade média com clima de interior tranquilo. São cerca de 118 mil habitantes em 2025, segundo estimativa do IBGE, espalhados por um território de 1.254 km². O índice de desenvolvimento humano municipal é de 0,756, considerado alto, e a escolarização entre 6 e 14 anos chega a 98,64%.
A cidade fica a 795 metros de altitude e faz parte do Circuito do Ouro e da Estrada Real, com centro histórico de sobrados e casarões erguidos entre o fim do século 18 e o início do 19. Vale reservar tempo para alguns pontos:
- Caminhos Drummondianos: museu a céu aberto com 44 placas-poema pelo centro, percorrível a pé com guia local.
- Memorial Carlos Drummond de Andrade: acervo sobre vida e obra do poeta, com mirante do Pico do Amor.
- Distrito de Ipoema: vilarejo rural por onde passa a Estrada Real, com cachoeiras e serras no entorno.
- Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço: área de proteção reconhecida pela UNESCO, parte de uma rede de mais de 400 reservas em cerca de 100 países.
Quem deseja planejar a viagem perfeita para a cidade da Vale e de Drummond, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vanessa Cunha, que conta com mais de 9 mil visualizações.
No conteúdo, o canal Vanessa Cunha mostra um roteiro completo com a Catedral de Itabira, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, o Pico do Amor, o Memorial de Carlos Drummond de Andrade, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Saúde, o Bairro Areão (com a Maria Fumaça) e dicas imperdíveis do que fazer em Itabira, Minas Gerais.
Qual a melhor época para visitar Itabira?
O inverno seco é o período ideal para os passeios culturais a céu aberto. Itabira tem clima tropical de altitude, com verões quentes e chuvosos e invernos amenos e secos, o que ajuda nas caminhadas pelo centro e nas trilhas rurais.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Vá conhecer a cidade que cabe num poema
Itabira carrega uma contradição rara: perdeu sua montanha mais célebre para a mineração e, ao mesmo tempo, guardou versos, casarões e serras que resistem ao tempo. É um lugar onde história, indústria e poesia ocupam as mesmas ruas. Você precisa subir até Itabira para entender como uma cidade transforma até suas perdas em motivo de orgulho.

