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Início Cidades

Fundada em 1535 com 20 igrejas barrocas: a cidade colonial a 18 km do Recife eleita pela UNESCO

Por Vitor Bruno
29/05/2026
Em Cidades
Fundada em 1535 com 20 igrejas barrocas: a cidade colonial a 18 km do Recife eleita pela UNESCO

Olinda é o lugar no Brasil onde ruas de pedra do século XVI levam a um pôr do sol histórico sobre o mar (imagem ilustrativa)

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Fundada pelos portugueses em 1535 no início da colonização do Brasil, Olinda nasceu como sede da Capitania de Pernambuco no período áureo da cana-de-açúcar. A cidade ergueu igrejas e conventos nos topos das colinas, foi saqueada e reconstruída no século 17 e hoje guarda um dos conjuntos coloniais mais bem preservados da América Latina.

A curiosidade que rendeu o título da UNESCO

Em 14 de dezembro de 1982, Olinda tornou-se a segunda cidade brasileira a entrar na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, atrás apenas de Ouro Preto. O centro histórico abrange 1,2 km² e cerca de 1.500 imóveis com estilos arquitetônicos que vão dos edifícios coloniais do século 16 às fachadas neoclássicas do início do século 20.

O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1968 e declarado Monumento Nacional pelo Congresso Nacional em 1980, dois anos antes do reconhecimento internacional. Segundo o IPHAN, a vegetação exuberante das ruas, jardins, aleias e conventos, com mangueiras, fruta-pão, jaca e coqueiros, confere ao sítio o valor dominante de núcleo urbano emoldurado por massa verde, sob luz tropical e com o mar aos pés.

Olinda combina herança colonial e paisagens litorâneas // Créditos: depositphotos.com / [email protected]

O reconhecimento que veio também pela UNESCO Mundial

A descrição oficial do Centro Histórico de Olinda no portal mundial da UNESCO destaca o equilíbrio harmonioso entre construções, jardins, 20 igrejas barrocas, conventos e numerosos passos (pequenas capelas), elementos que contribuem para o charme particular da cidade.

O Carnaval, considerado um dos mais tradicionais do Brasil, também ganhou status internacional. Segundo a Prefeitura de Olinda, a edição 2026 reuniu mais de 110 participações culturais com cerca de 80 grupos distintos, em manifestações como maracatu, frevo, bonecos gigantes, afoxé e bloco afro. A festa virou referência internacional pelas ladeiras coloridas que se transformam em palco ao ar livre.

Olinda oferece história colonial a poucos km de Recife // Créditos: depositphotos.com / [email protected]

O que fazer no Centro Histórico de Olinda

O roteiro reúne igrejas barrocas, mirantes para o mar e cultura popular das ladeiras. Entre as atrações principais, destacam-se:

  • Alto da Sé: mirante mais panorâmico da cidade, com vista para a faixa costeira do Recife, sede da Catedral da Sé e ponto das tradicionais barracas de tapioca.
  • Catedral da Sé: construída por volta de 1540, é uma das igrejas mais antigas do Brasil e abriga o Memorial Arquidiocesano.
  • Mosteiro de São Bento: ergue-se desde o fim do século 16 com altar-mor folheado a ouro e canto gregoriano aos domingos.
  • Convento de São Francisco: primeiro convento franciscano do Brasil, construído em 1585, com azulejos portugueses e claustros.
  • Casa dos Bonecos Gigantes: museu na Rua Bispo Coutinho com personagens de até 3,90 metros que desfilam no Carnaval de Olinda.
  • Mercado da Ribeira: antigo mercado de escravos transformado em centro de artesanato e galerias de arte popular.

A gastronomia mistura sabores afro-indígenas com a tradição luso-pernambucana. Entre as experiências gastronômicas, destacam-se:

  • Tapioca do Alto da Sé: barracas tradicionais com tapioca recheada de queijo coalho, carne-de-sol ou coco.
  • Bolo de rolo: doce típico pernambucano servido nas casas de bolo da cidade alta.
  • Tacacá no Cais: pratos da cozinha nordestina e amazônica com vista para o mar.
  • Patuá Sabores: cozinha contemporânea com ingredientes afro-pernambucanos no centro histórico.
  • Bode do Nô: referência regional para experimentar o carro-chefe da culinária do sertão, instalado em Olinda há décadas.

Quem planeja fazer uma imersão incrível e descobrir a história, a cultura e a culinária no sítio histórico pernambucano, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Tesouros do Brasil, que conta com mais de 91 mil visualizações, onde João Vitor mostra o roteiro definitivo de dois dias por Olinda:

Quando ir a Olinda e o que esperar do clima

A cidade tem clima tropical úmido com chuvas concentradas entre abril e julho e sol intenso o resto do ano. A janela ideal para o turismo cultural é entre setembro e fevereiro, quando a chuva diminui e o calendário cultural fica mais cheio. A tabela a seguir resume cada estação:

🎭 Verão
Dezembro a Fevereiro 24°C a 30°C
O auge do turismo com muito sol e chuva baixa! Época efervescente ideal para vivenciar o lendário Carnaval, subir ladeiras e curtir o Alto da Sé.
⭐ CARNAVAL HISTÓRICO
🏛️ Outono
Março a Maio 23°C a 29°C
As chuvas chegam fortes e concentradas a partir de abril. Nos momentos úmidos, aproveite as rotas fechadas de museus, igrejas antigas e saborear a tapioca coberta.
☔ CHUVA ALTA
⛪ Inverno
Junho a Agosto 22°C a 28°C
A umidade continua alta no litoral pernambucano. Excelentes dias para fazer turismo cultural interno, visitando o Convento de São Francisco e comendo o tradicional bolo de rolo.
☔ CHUVA ALTA
🌤️ Primavera
Setembro a Novembro 23°C a 30°C
A melhor e mais limpa janela de sol intenso com chuva baixa! Período ideal indicado para realizar trilhas pelo Centro Histórico e esticar nas praias vizinhas.
🌤️ TEMPO SECO

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à cidade colonial pernambucana

O acesso mais comum é pelo Aeroporto Internacional do Recife / Guararapes – Gilberto Freyre, distante cerca de 18 km do Centro Histórico de Olinda, com voos diretos das principais capitais do Brasil. De Recife, a viagem leva entre 20 e 40 minutos pela Avenida Agamenon Magalhães ou pela orla, dependendo do trânsito. Linhas regulares de ônibus do Grande Recife conectam a capital ao centro de Olinda em poucos minutos. De carro próprio, o acesso pela BR-101 é o mais usado por quem chega do interior pernambucano.

Leia também: A 2ª maior cidade de Minas é também a 3ª melhor do Brasil em qualidade de vida entre os grandes municípios

Conheça a cidade que parou no tempo

A combinação de igrejas barrocas, ladeiras de pedra e ateliês de arte popular tornam Olinda uma rara experiência cultural a 18 km da capital pernambucana. Poucos lugares no Brasil reúnem em tão pouco espaço cinco séculos de história, dois patrimônios reconhecidos pela UNESCO e um Carnaval que arrasta multidões pelas ruas coloniais.

Você precisa subir as ladeiras e conhecer Olinda, a cidade que envelhece de frente para o mar e mantém o sotaque pernambucano em cada esquina.

Tags: CidadesOlindaPernambuco
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