Na ponta norte do Brasil, na divisa com a Venezuela e a Guiana, ergue-se uma das formações rochosas mais antigas do planeta. O Monte Roraima tem 2.810 metros de altitude máxima e um platô de paredões verticais que parece ter sido cortado a faca, transformando-se em um dos destinos de aventura mais procurados da América do Sul.
A montanha pré-histórica que divide três países
O Monte Roraima pertence a uma família geológica única chamada tepui, palavra da língua indígena Pemon que significa montanha em forma de mesa. Com cume praticamente plano e paredões de até 1.000 metros de queda, a formação tem aproximadamente 2 bilhões de anos, o que a torna uma das mais antigas da Terra.
O território está dividido entre três países: cerca de 85% pertencem à Venezuela, 10% à Guiana e 5% ao Brasil. No lado brasileiro, o conjunto é protegido pelo Parque Nacional do Monte Roraima, criado pelo Decreto 97.887 de 28 de junho de 1989, com 116.747,80 hectares administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A unidade está sobreposta à Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em regime de dupla afetação, com gestão compartilhada entre o ICMBio, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e a comunidade indígena Ingarikó.
No lado venezuelano, o monte integra o Parque Nacional Canaima, declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 1994. A área protegida abrange 3 milhões de hectares, dos quais cerca de 65% são cobertos por tepuis.

O que esperar do trekking até o topo do Monte Roraima
A rota oficial de acesso ao topo é feita pelo lado venezuelano, partindo da comunidade indígena de Paraitepui. O trekking percorre cerca de 90 km de ida e volta em uma trilha que combina campos rupestres, rios cristalinos e o paredão final de subida. Entre os principais pontos do roteiro tradicional, destacam-se:
- Paraitepui: aldeia indígena que marca o início e o fim da trilha, com revista feita pelo Instituto Nacional de Parques (INPARQUES) para garantir a preservação do parque.
- Acampamento Rio Tek: primeira parada após cerca de 14 km de caminhada por campos abertos, com banho de rio e barracas montadas pela equipe de apoio.
- Acampamento Base: localizado ao pé do paredão do tepui, depois de 10 km adicionais de trilha em terreno irregular.
- Subida pela Rampa: única via natural de acesso ao topo, com cerca de 4 a 5 horas de escalada não técnica entre cascatas e vegetação rasteira.
- Platô do Roraima: cume plano com formações rochosas esculpidas pelo vento, lagoas de quartzo cristalino e o Triple Point, marco geográfico da tríplice fronteira.
- Vale dos Cristais e Janela: pontos clássicos no platô, com vista panorâmica da Gran Sabana e dos tepuis vizinhos Kukenán e Wei-Assipu.
A expedição completa costuma durar entre 6 e 8 dias, com pernoites em barracas, banho de rio e refeições preparadas pelo grupo de guias. As temperaturas no topo podem cair próximo a zero grau durante a noite, mesmo com o monte situado perto da linha do Equador.
Quem busca aventura e quer desvendar as lendas de um dos lugares mais antigos do planeta, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 1,5 milhão de visualizações, onde Bruno e Paula mostram um documentário completo sobre a expedição e os desafios da trilha no Monte Roraima:
Quando o clima favorece a expedição ao tepui
O clima no platô é imprevisível em qualquer época, com sol, chuva e neblina se alternando em poucas horas. Mesmo assim, há janelas mais favoráveis para a aventura, definidas pela distribuição das chuvas na região da Gran Sabana.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Boa Vista, cidade-base da expedição, e em dados do Plano de Manejo do ICMBio. Condições podem variar.
Como chegar ao Monte Roraima saindo de Boa Vista
A porta de entrada brasileira é a capital Boa Vista, em Roraima, com voos diretos das principais capitais do Brasil. De Boa Vista, são cerca de 240 km até a cidade fronteiriça de Pacaraima, percorridos em veículos contratados ou táxis em aproximadamente quatro horas.
A partir de Pacaraima, o visitante atravessa a fronteira até Santa Elena de Uairén, na Venezuela, onde a maior parte das agências brasileiras e venezuelanas inicia o roteiro. Dali, veículos 4×4 seguem até Paraitepui, ponto de partida da trilha. Documentos exigidos incluem passaporte ou RG físico, autorizações junto ao INPARQUES e contratação obrigatória de guia local credenciado. A visitação ao platô só pode ser feita acompanhada de condutores Pemon, comunidade que detém o conhecimento tradicional sobre o tepui.
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Conheça o platô que parece outro planeta
O Monte Roraima é o tipo de destino que muda a percepção sobre o que a natureza é capaz de criar. As paredes de 1.000 metros, o platô coberto de cristais e a história geológica de 2 bilhões de anos colocam o tepui em uma categoria à parte entre os destinos de aventura do mundo.
Você precisa preparar a mochila e subir os paredões do Monte Roraima para entender por que esse pedaço da fronteira brasileira inspira aventureiros há mais de um século.

