⚡ Destaques
- 01 O Real Decreto 899/2025, publicado no BOE em outubro de 2025, permite substituir acostamentos por ciclovias segregadas em rodovias nacionais espanholas.
- 02 Nenhum ciclista será multado por usar o acostamento agora: a mudança é gradual e depende de obras com aprovação técnica prévia.
- 03 Em 2024, cerca de 64 ciclistas morreram em vias interurbanas da Espanha, dado que motivou a nova regulamentação de segurança viária.
Se você anda de bike ou simplesmente curte acompanhar as mudanças no trânsito pelo mundo, uma novidade da Espanha merece atenção: o país publicou uma nova norma que pode mudar completamente onde os ciclistas pedalam nas estradas. E o debate que surgiu em torno disso é bem mais interessante do que parece à primeira vista.
O decreto que virou assunto nas estradas europeias
Em outubro de 2025, o Boletim Oficial do Estado (BOE) da Espanha publicou o Real Decreto 899/2025, que aprova o novo Regulamento Geral de Estradas do país. Uma das disposições chamou atenção: ela autoriza a Dirección General de Carreteras (o órgão responsável pela infraestrutura viária, diferente da DGT, que cuida do trânsito) a transformar acostamentos em ciclovias segregadas em trechos de rodovias nacionais.
Na prática, isso significa que o acostamento, aquele espaço à beira da pista onde os ciclistas pedalam há décadas, pode ser parcial ou totalmente eliminado em alguns trechos para dar lugar a uma ciclovia dedicada, com separação física dos veículos motorizados.

Ninguém vai ser multado amanhã: a realidade por trás do alarmismo
Antes de qualquer susto, vale deixar claro: nenhum ciclista será expulso do acostamento de um dia para o outro. A norma não altera as regras de circulação imediatamente. Qualquer substituição do acostamento por ciclovia exige um laudo técnico prévio do Ministério de Transportes e Mobilidade Sustentável da Espanha, que deve atestar que a obra não compromete a segurança viária nem interrompe rotas ciclistas existentes.
Até agora, não há dados oficiais sobre quantos quilômetros de acostamento já foram convertidos. Ou seja, na prática, tudo segue como antes para quem pedala nas estradas espanholas, enquanto os projetos ainda estão sendo estudados.
O que a lei atual exige dos ciclistas nas estradas
Para entender o que muda, é útil saber o que a regulamentação espanhola já estabelecia antes do decreto. A Dirección General de Tráfico (DGT) define regras bem específicas para ciclistas em vias interurbanas. Veja os pontos principais:
- Acostamento obrigatório: ciclistas devem usar o acostamento direito sempre que ele existir e estiver em condições de uso.
- Descidas com curvas: em descidas prolongadas e com visibilidade reduzida, é permitido ocupar parte da pista, desde que seja seguro.
- Grupos: quando pedalam em grupo, os ciclistas devem se manter no extremo direito, exceto em trechos sem visibilidade.
- Autopistas (equivalente às nossas rodovias pedagiadas de acesso controlado): bicicletas são completamente proibidas nesse tipo de via.
- Autovías (rodovias de pista dupla sem pedágio): ciclistas maiores de 14 anos podem usar o acostamento direito, salvo sinalização contrária por razões de segurança.
- Sem acostamento: se o espaço não existir ou estiver em más condições, o ciclista pode ocupar a parte da pista estritamente necessária.
📌 Pontos-chave
Real Decreto 899/2025
Publicado no BOE em outubro de 2025, autoriza a Dirección General de Carreteras a criar ciclovias segregadas no lugar de acostamentos em rodovias nacionais espanholas.
Segurança como prioridade
Em 2024, cerca de 64 ciclistas morreram em vias interurbanas da Espanha, representando 71% do total de mortes envolvendo bicicletas no país naquele ano.
Mudança gradual
Toda substituição de acostamento por ciclovia exige laudo técnico aprovado e não há prazo fixo para implementação em larga escala.
O que ciclistas e motoristas ganham (e o que preocupa)
A ideia por trás da norma é oferecer mais proteção para todos. Com uma ciclovia segregada, o ciclista não divide mais o espaço diretamente com carros e caminhões, e os motoristas têm uma separação física clara. Para quem pedala longas distâncias em estradas abertas, isso pode ser um avanço real em segurança viária.
Mas há um ponto de tensão: parte dos ciclistas teme que, ao criar uma ciclovia, a lei passe a obrigá-los a usá-la, restringindo o direito de circular pela pista quando necessário. Por enquanto, o decreto não impõe essa obrigatoriedade, mas o debate está aberto e promete se intensificar conforme as obras avançarem.

Uma mudança que aponta para o futuro das estradas
O movimento espanhol reflete uma tendência crescente na Europa: repensar o espaço das estradas para acomodar diferentes modos de transporte com mais segurança. Países como Holanda e Dinamarca já têm tradição em infraestrutura ciclística de alto padrão, e a Espanha parece querer caminhar nessa direção, mesmo que em ritmo mais lento.
Seja para os que pedalam por esporte, por necessidade ou por escolha ambiental, a tendência é clara: as estradas do futuro terão que encontrar espaço para todos, e a regulamentação vai continuar evoluindo para acompanhar isso.
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