Encravada na Serra do Espinhaço, a antiga Vila do Príncipe do Serro Frio guarda ladeiras de pedra, casarões coloniais do século 18 e uma tradição queijeira de mais de 300 anos. O Serro, em Minas Gerais, foi o primeiro município brasileiro a ter o conjunto arquitetônico tombado pelo reconhecimento patrimonial federal e hoje abriga o queijo que entrou para a lista da UNESCO.
O município que abriu o caminho das cidades históricas brasileiras
Em 8 de abril de 1938, o conjunto arquitetônico e urbanístico do Serro foi inscrito no Livro de Belas-Artes, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Foi o primeiro tombamento de um município brasileiro, antes de Ouro Preto e Diamantina.
A história começa em 1702, quando uma bandeira chefiada por Antônio Soares Ferreira descobriu ouro na região chamada pelos indígenas de Ivituruí, que significa vento do morro frio. Em 1714, o arraial virou vila e se tornou sede de uma das quatro primeiras comarcas da Capitania das Minas Gerais, conforme a Prefeitura do Serro.
O declínio da mineração no século 19 isolou a vila e, por consequência, preservou seu casario intacto. O artista Silvestre de Almeida Lopes deixou pinturas em perspectiva nos forros das igrejas locais que o IPHAN considera as mais notáveis da arte religiosa colonial mineira.

Vale a pena viver no Serro?
Para quem busca tradição, ritmo calmo e ar puro na Serra do Espinhaço, sim. O município tem cerca de 22 mil habitantes e taxa de escolarização de 97,42% entre crianças de 6 a 14 anos, conforme dados oficiais.
A economia gira em torno da pecuária leiteira, da agricultura familiar e do turismo cultural. Segundo a Prefeitura do Serro, mais de 2 mil agricultores familiares estão cadastrados na Secretaria Municipal de Agricultura, sustentando uma rede de pequenas propriedades produtoras de queijo, doces e cachaça artesanal.
O município se divide entre a sede e cinco distritos: Milho Verde, São Gonçalo do Rio das Pedras, Três Barras da Estrada Real, Pedro Lessa e Vila Deputado Augusto Clementino. Cada um preserva festas religiosas, arquitetura colonial e cachoeiras de águas cristalinas, o que torna o ritmo de vida ligado à natureza e às tradições.

O reconhecimento mundial chegou pela mesa
Em 4 de dezembro de 2024, durante a 19ª Sessão do Comitê Intergovernamental em Assunção, no Paraguai, os Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal foram inscritos na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Foi o primeiro alimento brasileiro a receber esse título, colocando o destino no mesmo patamar da pizza napolitana e do café árabe.
O Queijo do Serro acumula camadas de chancelas. Em 2002, foi o primeiro bem cultural imaterial registrado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG). Em 2008, o IPHAN ampliou o reconhecimento ao nível nacional. Desde 2011, o produto também conta com Indicação Geográfica, segundo a Prefeitura do Serro.
O Novo PAC destinou cerca de R$ 59 milhões à restauração do patrimônio serrano, com obras na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na Chácara do Barão do Serro e na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, conforme balanço do IPHAN em março de 2026.

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O que fazer no destino mineiro?
O roteiro mistura igrejas barrocas, cachoeiras e fazendas produtoras de queijo. Entre os principais atrativos da cidade colonial, destacam-se:
- Igreja de Santa Rita: cartão-postal no ponto mais alto do centro histórico, com escadaria de pedra de 57 degraus largos e vista panorâmica do casario.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição: principal templo do centro histórico, recém-restaurado com investimento de R$ 6,3 milhões do Novo PAC.
- Museu Regional Casa dos Ottoni: sobrado colonial com mais de 800 peças de mobiliário, documentos e arte sacra do período imperial.
- Parque Estadual do Pico do Itambé: abriga o Pico do Itambé, com 2.052 metros de altitude, ponto culminante da Serra do Espinhaço.
- Distrito de Milho Verde: a 27 km da sede, com a Capela do Rosário, vista para o vale e cachoeiras como Carijó, Moinho e Lajeado.
- Distrito de São Gonçalo do Rio das Pedras: a 32 km da sede, com casario colonial preservado e cinco cachoeiras de fácil acesso.
A gastronomia segue a tradição mineira mais autêntica, com receitas passadas por gerações. Entre os destaques da mesa serrana:
- Queijo do Serro: feito com leite cru, coalho, sal e pingo, com maturação mínima de 17 dias e casca amarelada de coloração de gema.
- Doce de leite artesanal: produzido em panelas de cobre nas fazendas serranas, é uma das marcas da Estrada Real.
- Frango com quiabo e angu: prato típico servido em buffets e restaurantes do centro histórico, acompanhado de farofa.
- Casa e Museu Dona Lucinha: espaço da família da cozinheira Maria Lúcia Clementino Nunes, referência da culinária mineira, com quitandas tradicionais.
Quem quer conhecer a terra do queijo e mergulhar em séculos de história, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 1.3 milhão de visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra uma viagem completa por Serro, Minas Gerais:
Qual a melhor época para visitar o Serro?
O clima do Serro é tropical de altitude, marcado por verão chuvoso e inverno seco. As médias indicam temperaturas entre 10°C e 28°C ao longo do ano, com chuvas concentradas entre novembro e março. Veja como cada estação se comporta no município:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. A melhor janela para trilhas no Parque Estadual do Pico do Itambé vai de abril a outubro, segundo o IEF, pois as trilhas podem fechar no período chuvoso.
Como chegar à terra do queijo?
O acesso principal parte de Belo Horizonte, a cerca de 325 km de distância, pela BR-040 e BR-259 ou pela MG-010. O trajeto de carro leva em média quatro horas e meia. De ônibus, a Viação Serro opera linhas saindo da capital mineira, com paradas em Conceição do Mato Dentro e Santo Antônio do Itambé. Diamantina, a 90 km, é o ponto de conexão mais comum para quem combina o roteiro com outras cidades históricas.
Conheça a primeira cidade tombada do Brasil
A antiga Vila do Príncipe guarda uma combinação rara de arquitetura colonial preservada, paisagens de montanha e tradição queijeira reconhecida pelo mundo. Poucos destinos brasileiros reúnem três séculos de história, igrejas barrocas restauradas e um produto que entrou na mesma lista da pizza napolitana.
Você precisa subir a Serra do Espinhaço e conhecer o Serro para entender por que essa pequena cidade mineira fez história antes mesmo de Ouro Preto.

