Entre o casario colonial do ciclo do ouro e as serras do Cerrado, Pirenópolis abriga quase três séculos de história em apenas 2.227 km². Fundada em 7 de outubro de 1727 por garimpeiros que encontraram ouro às margens do Rio das Almas, a cidade goiana reúne mais de 80 cachoeiras catalogadas na Serra dos Pireneus e foi eleita em 2026 uma das 10 cidades mais acolhedoras do mundo pelo Traveller Review Awards. O centro histórico preservado, as ruas de pedra e a hospitalidade dos moradores explicam o reconhecimento internacional.
O que torna essa cidade do Cerrado tão especial?
A combinação raríssima entre patrimônio colonial vivo e natureza preservada é o grande diferencial do município. A cidade foi fundada sob o nome de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte e prosperou durante o ciclo do ouro, antes de viver um longo período de estagnação que, ironicamente, preservou suas linhas arquitetônicas originais.
O calçamento das ruas centrais foi feito com sobras das pedreiras de quartzito micáceo, a famosa Pedra de Pirenópolis, que abasteceu as obras de Goiânia nos anos 1930 e de Brasília nas décadas de 1960 e 70. Esse mesmo material decora paredes em milhares de edificações pelo país, mas o coração da extração e do beneficiamento permanece no centro-sul goiano.
Outra tradição centenária move o calendário local. A Festa do Divino Espírito Santo, com as famosas Cavalhadas, foi registrada pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2010 e celebra mais de 200 anos de continuidade. A cidade também ostenta o curioso Cine Pireneus, inaugurado em 1936 e um dos cinemas em funcionamento mais antigos do país.

Vale a pena conhecer a cidade dos pireneus?
A resposta vem em dois selos oficiais. Em 2026, Pirenópolis entrou para o seleto grupo das 10 cidades mais acolhedoras do planeta no Traveller Review Awards, premiação anual da Booking.com baseada em mais de 370 milhões de avaliações verificadas de viajantes. Conforme anúncio oficial da Booking, a cidade goiana é a única representante brasileira na lista, ao lado de destinos como Montepulciano, na Itália, e Takayama, no Japão.
O segundo selo é nacional. Conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico foi protegido em 1990, reunindo um dos mais ricos acervos patrimoniais do Brasil Central. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário foi o primeiro monumento tombado pelo IPHAN em todo o Centro-Oeste, em 1941.
O destino atrai cerca de 300 mil turistas por ano, segundo dados da Secretaria de Turismo local citados pelo portal oficial Visite Pirenópolis. A cidade também recebeu Indicação Geográfica de Procedência do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para suas joias artesanais em prata, que carregam o apelido de Capital da Prata.

O que fazer no destino goiano?
O centro histórico pode ser percorrido a pé, com cafés, ateliês e igrejas espalhados em ruas de paralelepípedo. As cachoeiras ficam a poucos quilômetros do casario. Entre os atrativos mais procurados pelos visitantes, destacam-se:
- Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário: construção iniciada em 1728, primeiro monumento tombado pelo IPHAN no Centro-Oeste, reaberta em 2006 após incêndio.
- Theatro Sebastião Pompeu de Pina: casa de espetáculos de 1889 com estrutura de madeira em estilo luso-brasileiro, no entorno da Igreja Matriz.
- Fazenda Babilônia: propriedade rural do século XIX, tombada em 1965, representativa da arquitetura dos engenhos do ciclo do ouro.
- Cachoeira do Abade: queda de 12 metros cercada por paredões de pedra, a 12 km do centro, uma das mais procuradas da região.
- Parque Estadual da Serra dos Pireneus: abriga o segundo ponto mais alto de Goiás, com 1.385 metros e vista panorâmica de 360 graus.
- Complexo Vargem Grande: Reserva Particular do Patrimônio Natural com mil hectares de Cerrado preservado e oito cachoeiras.
- Rua do Lazer: principal via noturna do centro, reúne bares, ateliês de prata e lojas de artesanato local.
Quem busca um destino completo com cachoeiras e muita história, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 113 mil visualizações, onde a Família mostra a cidade de pedras e as belezas de Pirenópolis, Goiás:
Qual é o clima e a melhor época para visitar Pirenópolis?
A cidade tem clima tropical de altitude, com duas estações bem definidas, e temperaturas amenas durante quase todo o ano por causa da altitude da Serra dos Pireneus. O segundo semestre concentra os meses mais secos, ideais para trilhas e mirantes, enquanto o verão é a estação em que as cachoeiras ganham volume. Veja como o destino se comporta em cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A janela mais procurada vai de maio a setembro, quando o céu seco facilita as caminhadas e os acessos de terra às cachoeiras ficam mais previsíveis. Quem prefere as quedas d’água em volume máximo deve viajar entre dezembro e fevereiro, mesmo período em que a Festa do Divino reúne mais de 30 mil pessoas no centro histórico.
Como chegar à cidade colonial goiana
O acesso mais comum é por Brasília, a cerca de 150 km pela BR-060 ou BR-070, com tempo médio de 2h20 de carro. De Goiânia, a distância chega a 130 km, com tempo médio de duas horas. O Aeroporto Internacional de Brasília é o ponto de chegada para quem vem de avião, com transfer ou linhas regulares de ônibus até o terminal local.
Quem vem de Anápolis percorre cerca de 50 km pela GO-225, com tempo médio de uma hora. As rotas alternativas passam por Cocalzinho e Corumbá de Goiás, com pavimentação em bom estado e sinalização adequada nas estradas estaduais que cortam o Cerrado.
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Conheça a cidade colonial que conquistou o mundo
O destino goiano combina algo raríssimo em escala humana: patrimônio colonial preservado, natureza abundante e uma cultura viva nas ruas de pedra. Caminhar pelo centro ao entardecer e tomar banho em uma cachoeira no mesmo dia é uma experiência que poucas cidades do país oferecem.
Você precisa conhecer Pirenópolis e entender por que essa joia do Cerrado entrou no mesmo grupo de Montepulciano e Takayama no ranking dos destinos mais hospitaleiros do planeta.

