Fundada por imigrantes alemães em 1860, Brusque guarda no sotaque das padarias e no traçado das ruas a herança de quatro povos europeus. E foi ali que nasceu um recordista mundial improvável.
Por que essa cidade catarinense entrou no livro dos recordes?
Quem responde é Walter Orthmann, nascido em Brusque em 1922. Ele começou a trabalhar como auxiliar de expedição na fábrica têxtil Renaux em 17 de janeiro de 1938, aos 15 anos, e nunca mais saiu.
Em janeiro de 2022, o Guinness World Records reconheceu oficialmente sua marca: 84 anos e 9 dias na mesma empresa, a carreira mais longa do mundo em uma só companhia. Segundo o Guinness, Orthmann recebeu salário em nove moedas diferentes ao longo da vida e completou 100 anos ainda na ativa, como gerente de vendas. A empresa, hoje chamada RenauxView, foi a mesma que ajudou a transformar a colônia alemã no berço da indústria têxtil de Santa Catarina.

A colônia europeia que virou potência têxtil
A história começa em 4 de agosto de 1860, quando o nobre austríaco Barão von Schneeburg subiu o rio Itajaí-Mirim em canoas com 54 imigrantes alemães. O grupo fundou a Colônia Itajahy, batizada de Brusque apenas em 1890, em homenagem ao então presidente da província.
Nas décadas seguintes chegaram italianos, irlandeses, americanos que fugiam da Guerra de Secessão e, por fim, os poloneses vindos de Lodz. Foram eles que mudaram o rumo da economia: traziam técnicas de tecelagem na bagagem. Em 1892, o comerciante Carlos Renaux montou teares de madeira num depósito e fundou a primeira fábrica de tecidos catarinense. Brusque ainda preserva o Clube de Caça e Tiro, de 1866, o mais antigo do gênero em atividade no país, segundo registros históricos da Prefeitura de Brusque.

Vale a pena viver em Brusque?
Sim, e a segurança é o argumento mais forte. O Anuário 2025 Cidades Mais Seguras do Brasil colocou Brusque na primeira posição nacional entre municípios com mais de 100 mil habitantes, com apenas 1,4 homicídio por 100 mil moradores, índice quase 16 vezes menor que a média brasileira de 23.
O salto foi expressivo: a cidade ocupava a 13ª posição no levantamento anterior, com taxa de 4,0. O pódio é todo catarinense, com Jaraguá do Sul e Tubarão logo atrás. Os dados, baseados em informações do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram confirmados pelo Governo de Santa Catarina. Some-se a isso uma economia aquecida pela indústria têxtil e pelo comércio: Brusque é o berço da Havan, fundada na cidade em 1986. Caminhar sem pressa a qualquer hora ainda é rotina por aqui.
O que fazer em Brusque além das compras?
O turismo de compras é o carro-chefe, com centros comerciais que reúnem mais de 200 lojas. Mas a cidade surpreende quem vai além das araras de roupa, com atrações de natureza, fé e cultura a poucos minutos do centro:
- Parque Zoobotânico: 120 mil m² de Mata Atlântica no coração da cidade, com trilhas, lagos e cerca de 100 animais de 70 espécies. Funciona de terça a domingo, segundo o site oficial do parque.
- Parque das Esculturas Ilse Teske: 40 obras em mármore de artistas internacionais a céu aberto, incluindo uma peça de Oscar Niemeyer. Considerado o maior acervo do gênero na América do Sul, com entrada gratuita.
- Santuário de Nossa Senhora de Azambuja: erguido por colonos italianos a partir de 1875, abriga a Gruta de Lourdes e o Museu Arquidiocesano Dom Joaquim, com cerca de 4 mil peças de arte sacra.
- Parque Leopoldo Moritz: refúgio verde no Morro da Caixa d’Água, com lagos, churrasqueiras e uma réplica de avião usado pela Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra.
A mesa brusquense mistura receitas alemãs, italianas e polonesas no mesmo cardápio:
- Marreco recheado: prato-símbolo da cidade, servido com repolho roxo e protagonista da Festa Nacional do Marreco.
- Eisbein: joelho de porco cozido e assado, acompanhado de chucrute e batatas nos restaurantes alemães.
- Cuca: bolo doce de origem alemã com cobertura crocante de farofa, vendido nas padarias com recheios de banana, maçã e uva.
- Pierogi: massa recheada de herança polonesa, lembrança dos tecelões que chegaram de Lodz.
Quem quer descobrir uma das melhores cidades para se viver no Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Leo e Fabi, com mais de 66 mil visualizações, onde Leo e Fabi mostram os encantos de Brusque, Santa Catarina:
Qual a melhor época para visitar Brusque?
O clima subtropical garante verões quentes e invernos amenos na cidade. Outubro é o mês mais disputado, por causa da Festa Nacional do Marreco, e o inverno seco favorece caminhadas pelos casarões históricos:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Brusque?
De carro, o acesso pela BR-101 se dá pela Rodovia Antônio Heil (SC-486). A cidade fica a cerca de 100 km de Florianópolis, pouco mais de uma hora de viagem. O aeroporto mais próximo é o de Navegantes, a aproximadamente 45 km, segundo a Prefeitura de Brusque. Também há linhas de ônibus ligando a cidade à capital e a outros municípios do Vale do Itajaí.
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Vá conhecer a cidade dos tecidos
Brusque nasceu de canoas no rio e teares de madeira, e chegou ao topo do ranking nacional de segurança sem perder a cuca no café da manhã. Poucos lugares no Brasil reúnem indústria forte, herança europeia viva e a tranquilidade de uma cidade onde dá para envelhecer fazendo o que se ama, como provou Walter Orthmann.
Você precisa ir além das lojas e sentir o ritmo de Brusque, a cidade que mostra que segurança e qualidade de vida cabem no mesmo vale.

