Embora cerca de metade dos brasileiros nunca tenha ouvido falar em linfoma, a doença avança como um dos mais frequentes tipos de câncer em todo o mundo. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), ele é o quinto mais comum e está aumentando em todas as faixas etárias, inclusive entre os mais jovens.
Segundo Fábio Kerbauy, membro do Comitê Científico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), se a doença é desconhecida, os sintomas costumam ser mais ignorados ainda, levando a diagnósticos tardios e, consequentemente, ao aumento do número de casos de morte.
Dia 15 foi instituído o Dia Mundial da Consciência do Linfoma. Serão desenvolvidas ações em todas as regionais da Abrale, justamente para levar informação ao público leigo sobre esse tipo de câncer. Em Belo Horizonte, onde se encontra um dos núcleos, haverá distribuição de material informativo e profissionais de saúde estarão disponíveis para prestar esclarecimentos sobre a doença.
O médico explica que o linfoma é um tipo de neoplasia que se desenvolve principalmente nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático, responsável pela defesa natural do organismo.
Tradicionalmente, existem dois tipos de linfomas: os Hodgkin e os não Hodgkin, que correspondem, respectivamente, a 20% e 80% de todos os casos diagnosticados no Brasil e no mundo. Segundo estatísticas mundiais, a incidência anual de linfomas praticamente dobrou nos últimos 35 anos, mas não se sabe ao certo quais as razões para esse aumento. Em alguns estudos, verifica-se o crescimento aparente da incidência de linfoma em comunidades predominantemente agrícolas. Outras pesquisas associam componentes específicos de herbicidas e pesticidas à ocorrência da doença. Contudo, não existe ainda consenso sobre as causas do problema.
GÂNGLIOS O sintoma inicial mais comum dos linfomas é um aumento indolor dos gânglios, principalmente no pescoço, mediastino (região localizada entre os pulmões e o coração), axilas, abdômen ou virilha. Outros sintomas podem incluir febre e sudorese excessiva e noturnas, considerável perda de peso e coceira, também aparentemente sem explicação, por todo o corpo. "A demora no diagnóstico pode fazer com que a doença avance e se agrave, diminuindo as chances de cura", avisa Fábio.
Ele também ressalta que os sintomas do linfoma podem ser mascarados por uma série de fatores. O uso de anti-inflamatórios, por exemplo, pode diminuir momentaneamente o tamanho dos gânglios, adiando o diagnóstico. No jovem adulto, o próprio estilo de vida acaba dificultando a ida ao médico e o diagnóstico precoce.
Atualmente, o tratamento que oferece a maior chance de cura para os pacientes com linfoma é a combinação de quimioterapia associada à radioterapia.
DefiniçãoÉ o nome que se dá ao câncer do sistema linfático, responsável por produzir linfócitos, as células de defesa do nosso organismo. Os linfomas são resultado de um dano no DNA de uma célula, que irá se transformar em linfócito. Esse dano ocorre depois do "nascimento" da célula e representa, portanto, uma doença adquirida e não hereditária. Os linfócitos com DNA alterado começam a se multiplicar rapidamente e se acumulam em massas tumorais nos linfonodos (gânglios linfáticos). Com a evolução da doença, os caroços podem aparecer em outras regiões do corpo.
TiposExistem dezenas de tipos de linfoma que se agrupam em duas "famílias": de Hodgkin e não Hodgkin. No primeiro caso estão os tipos menos agressivos e com boa chance de cura (cerca de 80%). No segundo caso também se encontram tipos menos agressivos, os intermediários, e os mais severos.
IncidênciaA incidência do linfoma de Hodgkin atinge um pico de cinco a seis casos para cada 100 mil pessoas na faixa etária em torno de 20 anos. Essa taxa cai para menos da metade na meia idade e volta a aumentar em frequência em indivíduos mais idosos. A incidência do linfoma não Hodgkin aumenta progressivamente com a idade. Em torno de quatro casos para cada 100 mil pessoas ocorrem aos 20 anos. A taxa de incidência aumenta 10 vezes, passando para 40 casos para cada 100 mil pessoas com 60 anos e mais de 20 vezes, chegando a 80 casos para cada 100 mil pessoas depois dos 75 anos.
SintomasOs iniciais e mais comuns incluem:
> Aumento indolor dos linfonodos no pescoço, porção superior do peito, interior do peito, axilas, abdômen ou virilha. O envolvimento de linfonodos em outros locais ocorre com menor frequência
> Febre
> Suor, principalmente à noite
> Perda de peso
> Coceira
DiagnósticoO médico, depois de um histórico e exame físico do paciente, se suspeitar da doença, poderá solicitar alguns testes para confirmar a suspeita desse diagnóstico. Essas técnicas podem revelar linfonodos aumentados no peito, no abdômen ou em ambos. Massas tumorais podem ocorrer fora dos linfonodos, nos pulmões, ossos ou outros tecidos. O diagnóstico definitivo requer biópsia de um linfonodo envolvido.
TratamentoA extensão da doença e a presença dos sintomas determinam o tratamento a ser seguido. O tratamento da doença envolve quimioterapia e radioterapia, que podem ser mais ou menos extensas de acordo com o estágio da doença. Nos casos mas severos, pode haver necessidade de transplante de medula. A eficácia da terapia depende da idade do paciente e da extensão e do estágio da doença. Uma grande proporção dos pacientes se cura depois do tratamento inicial. Para aquela pequena porcentagem que apresenta recidiva da doença, um segundo tratamento com radioterapia ou quimioterapia geralmente é bem-sucedido. Esses pacientes podem se curar ou apresentar longos períodos sem a doença depois do segundo tratamento.
Sistema linfáticoO sistema linfático faz parte da defesa natural do organismo contra infecções. É composto por inúmeros gânglios linfáticos, conectados entre si pelos vasos (canais) linfáticos. Os gânglios estão situados no pescoço, axilas e virilha. Internamente, são encontrados principalmente no tórax (mediastino) e abdômen. As amígdalas, o fígado e o baço também fazem parte do sistema linfático. As células que circulam por esse sistema, os linfócitos, atuam como defesa contra infecções. Os gânglios linfáticos funcionam como filtros, retirando da circulação restos de células que passam por eles. Se, por exemplo, você tem dor de garganta, poderá notar que os gânglios do seu pescoço poderão estar aumentados. Isso é sinal de que seu organismo está combatendo a infecção.
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