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| Reprodução em vida do dinossauro Uberabatitan ribeiroi, de autoria de Rodolfo Ribeiro. Os fosseis do dinossauro foram encontradas em Peiropolis, bairro de Uberaba, no Triângulo |
Os zebus que se cuidem, pois quem promete tomar conta de Uberaba são seres que habitavam o planeta há milhões de anos. Projeto do Museu dos Dinossauros e do Centro de Pesquisas Paleontógicas Llewellyn Ivor Price, no Bairro de Peirópolis, ligados desde janeiro à Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), quer transformar o município famoso pelas exposições agropecuárias na terra dos dinossauros. Com recursos de R$ 3 milhões, garantidos pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) e pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT), a iniciativa busca valorizar um patrimônio pré-histórico revelado a conta-gotas. Apesar de a notoriedade nacional ter vindo dos bois, o território uberabense é um verdadeiro tesouro para a paleontologia, por reunir fósseis do período cretáceo jamais encontrados em outra parte do mundo.
Hoje a opção para visitantes interessados em conhecer a história dos grandes vertebrados, que viveram por essas bandas entre 80 milhões e 65 milhões de anos atrás, limita-se ao Museu dos Dinossauros, localizado numa antiga estação ferroviária, e a uma área de escavação próxima, conhecida como Caieira. Previsto para começar este mês, o projeto amplia (e muito) o roteiro, que deve ficar pronto no ano que vem. "Dos 21 dinossauros descritos no país, cinco estão presentes em Uberaba. Isso dá ao município o título de capital nacional dos dinossauros. Queremos mostrar ao público essa riqueza, contar o nosso passado geológico e paleontológico, para que se valorize a preservação desses monumentos", afirma o diretor do Centro de Pesquisas e do museu, Luiz Carlos Borges Ribeiro, professor da UFTM.
Uma das novas atrações do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis será um jardim paleobotânico de 2 mil metros quadrados, com espécies de plantas da era dos seres primitivos. A exposição incluirá tanto versão fóssil quanto a versão em vida do vegetal. O prédio da extinta Rede Nacional de Paleontologia, construído próximo ao museu, receberá duas exposições. A mostra Vida pré-histórica contará com a réplica dos mais de 10 animais descritos nos sítios de Uberaba, entre eles o Uberabatitan ribeiroi, titanossauro escavado de 2004 a 2006. "A réplica tem 11 metros e meio. O fóssil é de um animal que chegaria a 18 metros, herbívoro e quadrúpede, de cauda e pescoço longos", relata Ribeiro.
Já a exposição Fósseis do Brasil trará a vasta diversidade pré-histórica dos quatro cantos do país. O prédio também abrigará o acervo científico do centro de pesquisas, que segundo o próprio diretor está guardado de forma inadequada pela atual falta de estrutura. Para a viagem à era dos dinossauros ficar completa, uma área verde de cerca de três hectares receberá reproduções em tamanho natural dos animas pré-históricos, permitindo que a atmosfera do período Cretáceo retorne ao município. A região localizada na Bacia Sedimentar Bauru voltará a ter, pelo menos em réplicas, crocodilos, tartarugas, lagartos, titanossauros, entre outros vertebrados, exatamente como eles eram em vida.
GEOPARQUE Mas o passeio não fica restrito ao complexo de Peirópolis. O projeto vai viabilizar a criação do geoparque Uberaba – Terra dos Dinossauros, com cinco pontos de visitação espalhados pelo município. Segundo Ribeiro, são sítios de escavação, áreas de relevância paleontológica e de grande beleza paisagística. "Nesses pontos, vai haver quiosques, além de painéis explicativos sobre os paredões e afloramentos rochosos. As pessoas poderão aprender sobre geologia e paleontologia de forma natural. É um projeto de popularização da informação científica", afirma o diretor, incentivando um novo tipo de turismo, o paleontológico. Ele ressalta que Peirópolis, bairro de 200 habitantes, vive em torno dessa atividade, que pode ser ampliada.
Também passará por reforma o Museu dos Dinossauros, criado em 1992 e onde está à mostra parte da coleção de 3 mil peças do acervo do Centro de Pesquisa Llewellyn Ivor Price. São fósseis encontrados desde 1991, já que grande parte do material descoberto nos sítios de Uberaba foi levado para fora do município. "O primeiro fóssil foi encontrado em 1945. O paleontólogo Llewellyn Ivor Price escavou aqui de 1946 a 1974, tornando-se referência. Mas todos os materiais dessa época foram levados para o Rio de Janeiro", diz Ribeiro.
A Sectes já repassou R$ 1,2 milhão e o MCT R$ 1,4 milhão para a execução do projeto. Outros R$ 400 mil estão sendo pleiteados junto ao ministério. Segundo os órgãos públicos, os recursos serão definitivamente liberados assim que forem aprovadas algumas readequações do projeto pelas respectivas área técnicas.
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