O governo Lula já monta uma estratégia diplomática para apresentar ao mundo Dilma Rousseff como a nova chefe de Estado e prepara a transição de governo no cenário internacional. A ideia do governo é a de levar Dilma ao encontro de cúpula do G20, na Coreia do Sul, que ocorre apenas uma semana depois do segundo turno, dia 12 de novembro, em Seul. Neste domingo, o chanceler Celso Amorim confirmou ao diretor da Organização Mundial do Comercio (OMC), Pascal Lamy, que Lula viajará ao G20 com seu sucessor. No governo, todos trabalham com o cenário de que seja Dilma.
Pouco conhecida no exterior, Dilma aproveitaria as relações construídas nos últimos oito anos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Lula, o G20 seria sua despedida da cena internacional como presidente. O plano, portanto, é de que Dilma seja apresentada aos principais líderes mundiais no G20 pelo próprio Lula, que ganhou espaço nos fóruns internacionais nos últimos anos. O palco da apresentação internacional de Dilma seria privilegiado, já que estariam na mesma sala as 20 maiores economias do mundo, representando nada mais nada menos que 85% do PIB mundial, 80% do fluxo do comercio e 66% da população do planeta.
A esperança do governo é de que, de uma só vez, Dilma seja introduzida a Barack Obama, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, Dmitri Medvedev, além de indianos, chineses, árabes e sul-africanos. Nos anos 90, o então presidente Itamar Franco levou consigo a uma cúpula em Miami o recém eleito presidente Fernando Henrique Cardoso. Cardoso, porém, havia sido chanceler e, como acadêmico, era conhecido internacionalmente.
Decisivo
Mas Lula terá de tomar decisões importantes em seu último encontro com os demais líderes. Uma delas se refere à Rodada Doha da OMC, lançada há quase uma década e sem qualquer avanço. Hoje, Amorim e Lamy discutiram a ideia de que os lideres do G20 tomem uma decisão sobre o que fazer com o impasse permanente e que já afeta a credibilidade da organização. A meta e de que os chefes de estado cheguem a um entendimento: abandonam de vez o processo, mudam o mandato das negociações ou simplesmente mantenham as reforma das regras num limbo.
Para a OMC, a cúpula do G20 é considerada como decisiva para o futuro de sua própria credibilidade. Neste domingo, Amorim e Lamy, em duas horas de conversa, chegaram a constatação de que precisam encontrar formas para trazer Obama de volta a mesa de negociações. A recusa americana em fazer concessões e vista como o principal obstáculo. Em contrapartida, a Casa Branca apresentou listas de ate 5 mil produtos que gostaria ver uma redução de tarifas de importação no Brasil, India e China.
Se com Lamy o chanceler tratou da Rodada ainda com um espírito que ela pode ser retomada, para a imprensa mostrou toda sua frustração com o processo. "Doha? O que e Doha?", disse Amorim ao ser questionado por jornalistas estrangeiros sobre o processo de abertura comercial. "Acho que e a capital do Catar", ironizou "A rodada esta adormecida", disse. Questionado se havia um prazo para seu relançamento, Amorim admitiu que esse cenário sequer existe. "Um dia ela terá de ser relançada", completou. Lula deixará o governo sem ter concluído uma de suas apostas no cenário internacional, que era a reforma das leis do comercio para beneficiar os exportadores nacionais, principalmente no setor agrícola.
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