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Deputados usam verba oficial para irrigar a campanha Cota recebida por deputados para o "exercício da atividade parlamentar" tem sido usada, por muitos, em gastos como fretamento de jatinhos, locação de automóveis e telefonemas

Lúcio Vaz - Correio Braziliense

Publicação: 12/09/2010 10:15

Brasília – Num ano de arrecadação de campanha escassa, os deputados federais contam com uma ajuda extra na tentativa de reeleição. Em vários itens, a cota para o exercício da atividade parlamentar se confunde com despesas próprias de uma eleição. Só com o fretamento de aeronaves, os parlamentares gastaram R$ 748 mil nos dois primeiros meses de disputa eleitoral. A locação de carros consumiu mais R$ 1,2 milhão. A contratação de consultorias, R$ 1,1 milhão. Com o dinheiro da Câmara, são contratados institutos de pesquisa, agências de comunicação e marketing, escritórios de advocacia. Os deputados afirmam que esses serviços não são usados na campanha, mas a Câmara não fiscaliza a natureza dos serviços. Em vários gabinetes, os gastos com telefonemas estouraram nos dois últimos meses. Em Brasília, o plenário está vazio, não há votações, mas a campanha está movimentada nos estados.

O deputado Edinho Bez (PMDB-SC) gastou R$ 9 mil em julho com consultoria. A empresa Balbinot Comunicação trabalha para o deputado há seis anos. Ele explica quais serviços são prestados. “É agência de publicidade: assessora, faz estudos, pesquisas. É amplo. Na divulgação, eles me ajudam quando queremos divulgar um projeto. Eles fazem também um trabalho para divulgar nas rádios, nos jornais.” Lembrado de que os gastos com divulgação são vetados pela Câmara nos seis meses anteriores à eleição, ele refaz a explicação: “Neste período eleitoral, parou. Retorna em outubro, depois da eleição”. Os pagamentos foram mantidos de janeiro a julho. O deputado justifica dizendo que isso ocorreu porque o contrato é anual. “O trabalho deles é por ano. Eu calculo a média e pago por mês.”

O aluguel de aeronaves facilita o deslocamento principalmente nos estados de maior extensão, com cidades distantes até mil quilômetros da capital. O deputado Zé Vieira (PR-MA) já havia gastado R$ 160 mil com táxis aéreos no primeiro semestre. No primeiro mês de campanha, torrou R$ 60 mil para visitar seis municípios da sua base eleitoral. Em setembro, mais R$ 28 mil, e esteve em três novas cidades. Homero Pereira (PR-MT) consumiu R$ 39 mil em julho com viagens aéreas de Cuiabá para Colíder, Alta Floresta e Guarantan. Segundo a sua assessoria, os deslocamentos foram necessários para a realização de audiências públicas sobre o Código Florestal. Os parlamentares do Maranhão foram os que mais gastaram com táxi aéreo. Um total de R$ 115 mil. Entre as bancadas, a liderança foi do PR, com despesas de R$ 168 mil.

Transporte
O deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) também integra a lista dos que tiveram gasto elevado com transporte em julho. Além de aplicar R$ 10,6 mil em locação de carros e R$ 19,4 mil em fretamento de aeronaves, investiu mais R$ 8 mil com emissão de bilhetes aéreos. Comprou 20 passagens entre Fortaleza e Brasília naquele mês. Há registros de quatro passagens no mesmo dia para o mesmo trecho. Segundo a sua assessoria, isso teria ocorrido porque o deputado marca a viagem e nem sempre consegue chegar a tempo. Assim, é preciso comprar outra passagem, depois outra. A assessoria afirmou que o dinheiro é reposto pela companhia aérea no mês seguinte.

Os cerca de 6 mil candidatos a deputado federal gastaram R$ 2 milhões com locações de carros no primeiro mês de campanha. Os veículos são utilizados para transportar cabos eleitorais, material de campanha e até para servir como carro de som, as chamadas “baratinhas”. Os dados estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os deputados que tentam a reeleição ou buscam uma vaga no Senado (cerca de 400) contaram com um reforço de R$ 900 mil para alugar carros. Mas todos afirmam que os veículos são utilizados apenas no exercício do mandato. O campeão de gastos foi Charles Lucena (PTB-PE), com R$ 47 mil em julho e agosto.

Em julho, vários deputados aumentaram os gastos com telefonia. João Bittar (DEM-MG) já vinha mantendo despesas em torno de R$ 9 mil com telefone em maio e junho. Em julho, gastou R$ 14 mil. As despesas de Nelson Marquezelli (PTB-SP) com telefonia pularam de R$ 7,2 mil em junho para R$ 12,3 mil no mês seguinte.

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