Junia Oliveira - Estado de Minas
Publicação: 12/09/2010 08:42
Eles estão entregues à própria sorte e nem mesmo com o atendimento à saúde garantido pela Constituição podem contar no dia a dia com os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Diariamente, moradores de diversos bairros de Belo Horizonte convivem com a falta de médicos no único lugar que lhes é acessível: o posto de saúde mais próximo de casa. Os centros mantêm 539 equipes do Programa Saúde da Família (PSF) e em 41 delas não há o profissional-chave dessa cadeia. Resta ao paciente encontrar algum alívio no atendimento restrito dado por enfermeiros, técnicos e agentes comunitários ou voltar para casa sem solução.
A cena se repete em diversos centros de saúde e a população sofre com a certeza de que, a qualquer momento, a equipe na qual é cadastrada pode ficar desfalcada. Em alguns lugares, quem está a postos se desdobra para diminuir o transtorno e os médicos de apoio (clínico, pediatra e ginecologista) recebem os pacientes da atenção primária – o que pode culminar em até um dia inteiro na fila de espera. Em outros casos, as equipes da família que estão completas se reorganizam para dar o suporte à população.
Estudo da Estação de Pesquisa em Sinais de Mercado em Saúde, do Núcleo de Educação em Saúde Coletiva (Nescon), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostra que um conjunto de fatores explica a escassez de trabalhadores nessa área. Desde 2001, o grupo acompanha equipes de saúde da família (ESF) no estado. De acordo com o sociólogo e pesquisador Lucas Wan Der Maas, o tempo médio de permanência de profissionais tem aumentado em todas as ocupações do programa, exceto na medicina.
Dados de 2010 mostram que, enquanto 1,6% dos municípios tiveram agentes comunitários no cargo por até um ano, o percentual dispara quando se trata de médicos: em 21,9% das cidades, eles permaneceram por, no máximo, 12 meses. Em 7,1% dos lugares analisados, enfermeiros ficaram por esse mesmo período; 10,5% não seguraram dentistas e 3,4% perderam técnicos em enfermagem. “Os municípios têm problemas em adotar a relação de trabalho, seja estatutário, seja pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por dificuldade de fixação do profissional que não vai querer fazer carreira em local que não o interessa. E são vários os fatores de não atratividade, a começar pelo salário”, afirma Wan Der Maas.
As investigações do Nescon mostram ainda que, entre as regiões do país, a maior dificuldade de fixação ocorre no Sudeste. “Por ter uma rede maior de serviços em saúde em regiões metropolitanas e áreas mais desenvolvidas, os médicos têm facilidade para migrar. Nas menos desenvolvidas, muitas cidades têm o médico da família como única opção”, acrescenta o sociólogo.
Mas, na capital mineira, nem mesmo os salários são garantia de permanência. O vencimento de quem atua nessa área varia de R$ 7.192 a R$ 8.992, para 40 horas semanais. Os especialistas que dão apoio à atenção primária recebem entre R$ 3.081 e R$ 3.981, para 20 horas semanais. A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou que os vencimentos variam de acordo com a área em que trabalham, a carga horária, o setor em que está inserido e o tempo no cargo. Os aumentos também podem ocorrer por causa dos quinquênios e do abono de estímulo à fixação, que varia de A, B, C a D, baseado em critérios como localização, acessibilidade, segurança, grau de vulnerabilidade da população em relação à saúde e dificuldade de estabilização de equipe na unidade.
Rotatividade
A dificuldade de fixar médicos do PSF não é problema exclusivo de Belo Horizonte e está presente nos outros 33 municípios da região metropolitana. O Estado de Minas mostrou na edição de 22 de agosto o “leilão” promovido pelas cidades para segurar especialistas e plantonistas da urgência e emergência. Quem paga mais leva vantagem, mas, mesmo assim, não tem garantia de fidelidade, pois a qualquer momento a cidade vizinha pode oferecer o maior preço e laçar quem atende em outro lugar. No PSF, o cenário se repete.
Entre as cidades que oferecem os maiores salários estão Taquaraçu de Minas (R$ 11,5 mil), Ibirité (R$ 8.834), Mateus Leme (R$ 8.250), Contagem, Florestal e Nova União (R$ 8 mil, cada), Lagoa Santa (R$ 7.719,81), Sarzedo e Brumadinho (R$ 7,5 mil, cada) e Capim Branco (R$ 7 mil). Mas os salários atrativos não são sinônimo de quadro completo. A distância, o acesso e a infraestrutura nem sempre agradam quem prefere ficar o mais perto possível da capital. A rotatividade é agravada ainda pelo fato de a maioria dos candidatos – quando aparecem – serem recém-formados, de olho na prova de residência. Depois de seis anos de faculdade, muitos optam por ganhar dinheiro antes de encarar mais alguns anos de aprendizado.
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Esta matéria tem: (26) comentários
Autor: Marcio Correa Filho
Quer ver algo acontecer na saúde??? Pede todo mundo demissão ao mesmo tempo.... Os prazos necessários para o sistems se restruturar o mesmo entrará em colapso... Mas falta coragem dos médicos que sabem que podem fazer um serviço porco no sus e ainda continuar empregados! | Denuncie |
Autor: cleber pinto
quem se lembra das promessas do marcio lacerda em campanha?a educaçao ele deixou de lado desde o primeiro dia de governo os professores estao sem reajuste a anos voces acham que ele se preocupa com a saude? só se preocupa com a copa,as obras estão em dia. | Denuncie |
Autor: araujo soares
eu sai de la muito triste e com pena,sai deprimida e angustiada por imaginar q eu poderia estar emtre aqueles q foram atendidos quase q por misericórdia,eu disse a ele q fiquei chocada e ele falou q eu ainda naum tinha visto nada,q existem situações piores,tudo q sei é q naum vejo nada pra mudar isso | Denuncie |
Autor: araujo soares
ele naum me cobrou a consulta e ficou me esplicando o porq daquele atendimento desesperado,em uma manhã ele atendeu mais de 60 pessoas,e segundo ele ele ja tinha terminado o horario dele a mais de 2 horas e continuou atendendo pra naum deixar muitos sem medicação de uso continuo,eu sai de la muito .. | Denuncie |
Autor: araujo soares
a enfermeira q ia escrevendo o nome da medicação nas receitas q ele ia ditando pra ela,ele mal passava os olhos nos pacientes q eram muitos,ele passou a manhã toda atendendo sem parar,fiquei la num canto olhando akilo até o fim,quando acabou eu sentei e ele me atendeu durante uma hora... | Denuncie |
Autor: araujo soares
JOSE COSTA se vc ainda encontar um médico q te atenda em 15 minutos pelo sus vc é sortudo,um médico q me atende particular,veio a bh atender no dia do plantão dele no sus,ele pediu q eu fosse la porq naum teria outra hora pra me atender,tive pena das pessoas,ele assinava a receita e a enfermeira .... | Denuncie |
Autor: araujo soares
basta olhar pra trás as administração q cada um fez e ver q naum fizeram nada e q vão continuar com a mesma ladaínha de sempre,resta a população doente procurar por benzedeiras coitados,pelo menos morrem com alguém rezando por eles,porq saúde publica ta cada vez mais impossível de se ter.... | Denuncie |
Autor: araujo soares
ainda encontro pessoas dizendo q este ou aquele candidato presta,prefiro anular meu voto,pelo menos vou ter certeza q naum coloquei estes lixos no poder,naum venha falar q o povo naum sabe votar porq o povo naum tem opção,estão de mãos atadas,so tem candidato ordinário,basta olhar pra trás e ver . | Denuncie |
Autor: araujo soares
se a CPMF tivesse sido usada so na saúde teriamos atendimentos vips em qualquer posto de saúde e os médicos salarios decentes,e com certeza a população ia continuar aceitando pagar mais esse imposto,desde q funcionasse,o q naum foi o caso,agora ficam falando q o imposto faz falta,vão se ferrar,jaera | Denuncie |
Autor: araujo soares
a CPMF foi desviada pra mil sacanagem e a saude mesmo foi pro saco,ainda vem essa cambada pedir votom naum tem um candidato q dê esperança a população,o povo tenta escolher o menos pior ,se é q tem um menos ruim q o outro,todos safados q so pensam no proprio bolso e em dar cargos a familiares ..... | Denuncie |
Autor: araujo soares
rs,estou lendo e dando risada,hj em dia até planos de saúde ta uma merda,haja vista q todo mundo fica de 4 a 5 horas numa emergencia esperando atendimento de minutos,é um absurdo,planos de saúde dando atendimento como o sus dava no passado,ja os postos públicos faliram de vez,tenho pena do povo.... | Denuncie |
Autor: jose costa
Faltam 41 medicos é piada.... faltam muito mais que isso!11 | Denuncie |
Autor: jose costa
Para os palpiteiros de plantão: forma-se hoje no Brasil, mais médicos do que em qquer pais desenvolvidos.... Vá a um Centro de Saude de periferia e veja em q condições trabalham... Se gostar, tem vestibular, 6 anos de curso e 3 de especializaçao...só fazer e se oferecer p trabalhar! | Denuncie |
Autor: Viviane Vieira
e não digo só dos médicos como de todos os outros profissionais. A saída não é abrir mais faculdades de Medicina e formar mais médicos e sim dar infraestrutura e estabilidade econômica para os profissionais.E isso quem tem que prover é o governo.Por isso pensar bem em quem vamos votar nessas eleições | Denuncie |
Autor: jose costa
O PT há 20 anos no poder em BH, NUNCA valorizou saude... nem nas cidades nem no gov Federal. Claro, qdo o Lula precisa, corre pro Hosp Albert Einstein... | Denuncie |
Autor: jose costa
Os responsaveis pela Secr Municipal Saúde NUNCA foram aos centros Saude... Ficam trancados na Av afonso Pena... São teóricos... Nao sabem o inferno do dia a dia do medico na periferia. | Denuncie |
Autor: jose costa
A responsabilidade de contratar e manter medicos nos centros de saude É DO MUNICIPIO. Como sempre aparecem PETISTAS querendo jogar a culpa nos outros. Pagem mal, tratam os médicos como operários, consultas de 15 minutos no maximo, faltam exames basicos, suporte secundário (especialidades/Hospitais) | Denuncie |
Autor: Viviane Vieira
Não é fácil!tanto para os médicos como para os enfermeiros,auxiliares de enfermagem,agentes comunitários,psicologos,fisioterapeutas,nutricionistas,enfim,todos que de alguma forma estão ligados a esse sistema.O problema é a falta de verba,a dificuldade em pagar os salários em dia e dignamente | Denuncie |
Autor: Viviane Vieira
Caro Vinicius Ribeiro: Concordo plenamente com você que a realidade hoje é que faltam médicos em todos os municípios,mas culpar o médico por causa do que está acontecendo não é a saída mais fácil.O senhor,por acaso conhece a realidade em que hoje se encontra o atendimento em atenção primária? | Denuncie |
Autor: eduardo leopol
O DESCASO DO GOVERNO ESTADUAL COM OS POSTOS DE SAUDE É RESULTADO DO CHOQUE DE GESTAO POIS FORAM RETIRADOS RECURSOS DE AEREAS PRIORITARIAS PARA FAZER CAIXA E,NAO ADIANTA COLOCAR UM MEDICO EM POSTOS QUE NAO TEM SORO,GASE,MACAS,SALAS DE CONSULTA DECENTES.O ESTADO FALHA E NINGUEM DIZ CONTRA ETA POVO!!!! | Denuncie |
Autor: Vinicius Ribeiro
Com o numero muito pequeno de profissionais faz-se um "leilao" de médicos como o proprio EM ja noticiou. E vcs acham que eles nao gostam disso? Se sentem ainda mais importantes. No entanto, a reboque disso tudo sao as outras profissoes de saúde que ficam cada vez mais desvalorizadas. (FIM) | Denuncie |
Autor: Vinicius Ribeiro
O páis está muito atrasado em cumprir sua demanda de médicos para a sociedade e isto é culpa sim dos proprios médicos que impedem a abertura de novos cursos de medicina. Isto por motivos óvios: remuneração. Quanto menos médicos existem mais adinheirados e endeusados se tornam os poucos que trabalham | Denuncie |
Autor: Vinicius Ribeiro
Faltam médicos em todo os municípios, não só do estado mas do país. Isto por razões do próprio corporativismo médico. Os Conselhos de Medicina e mesmo os políticos a nível federal e estadual, como sabemos, muitos sao médicos e, por corporativismo impedem que se abram novos curso de medicina. | Denuncie |
Autor: Flavimar Antonia Froes de Oliveira
Os sala´rios dos profissionais são baixíssimos,comparados as outras áreas,notadamente de fiscalização e judicial,que não exigem tanta qualificação e responsabilidade .Dai a fuga de profissionais para áreas de estética que não são providas pelo poder público e é uma relação privada. | Denuncie |
Autor: Flavimar Antonia Froes de Oliveira
Falta por desleixo da prefeitura pois para isto teve concurso público e se já terminou sua validade é fácil,abra outro.Destarte tambem deve corrigir os salários já que estão MUITO BAIXOS,razão da evasão de profissionais qualificados.O resto é engodo.O que a prefeitura quer é manter os contratos. | Denuncie |
Autor: Paulo Barbosa
O problema de saúde só será resolvido no País, quando houver uma mobilização da sociedade em pressionar à classe política dar melhores condições de trabalho,salários e segurança a equipe multiprofissional dos PSF e UBS. O dia que obrigar os políticos e seus familiares serem atendidos nas UBS, muda. | Denuncie |