| Economia | | RSS |

Vinícolas de Portugal investem 900 mil euros para conquistar o Brasil Um brinde à nova descoberta do Brasil. Briga com argentinos vai ser boa

Daniel Camargos - Estado de Minas

Publicação: 12/09/2010 08:34

O enófilo Amanajós da Costa aprecia a diversidade portuguesas e comemora a chegada de novos rótulos - (Marcos Vieira/EM/D.A Press)
O enófilo Amanajós da Costa aprecia a diversidade portuguesas e comemora a chegada de novos rótulos

O brasileiro bebe, em média, dois litros de vinho, a cada ano. Em Portugal, os nativos tomam 42 litros per capta da bebida que estava entre as paixões do deus Baco, anualmente. Porém, a produção no pequeno país da Península Ibérica é mais que suficiente para saciar a sede dos patrícios e artigo vital para a economia lusitana, que exporta o produto das mais de 340 castas de uvas para todo o mundo. A ViniPortugal, associação para promover a bebida, está em missão no Brasil, com investimento de 900 mil euros e intenta ampliar a participação no mercado tupiniquim, além, é claro, de estimular os brasileiros a beberem mais vinho.

A diretora da ViniPortugal, Sônia Fernandes, circula por seis capitais, incluindo Belo Horizonte, promovendo provas com diferentes tipos de vinhos portugueses, fazendo contatos com importadores e anuncia para novembro a divulgação de uma lista com os 50 melhores vinhos portugueses. A relação é semelhante à que o instituto criou para promover a bebida na Inglaterra, porém há um detalhe devido à particularidade do mercado que querem conquistar. “Fizemos um levantamento para ver qual a faixa de preço preferida pelo brasileiro e vimos que é de garrafas que custam até R$ 50. Por isso, 10 rótulos da lista terão esse limite de valor”, explica Sônia.

A peculiaridade do mercado se deve às isenções de impostos para importação que os concorrentes importados, mas “hermanos” argentinos e chilenos gozam no mercado nacional. “As vinícolas dos países vizinhos ao Brasil têm condições especiais. Como temos que pagar mais impostos, isso faz com que o nosso produto seja até três vezes mais caro”, explica Sônia Fernandes. Mas, independente do preço, o objetivo da associação portuguesa é mostrar a diferença: “Os brasileiros começaram a provar vinho com chilenos e argentinos, que têm aromas mais comuns ao paladar daqui. O que queremos é mostrar que Portugal oferece sabores diferentes”.

Incluindo todos na mesma conta, além de franceses, italianos e outros, as importações de vinho no Brasil tiveram um crescimento de 33% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. O Chile lidera, com 41% das garrafas que entram no país. Na sequência, vem a Argentina, com 25%, e só depois vem Portugal, com 20,41%.

O proprietário da importadora Expand Minas, Alexandre Ferreira, ressalta que a concorrência com os vizinhos chilenos e argentinos é sempre grande, mas que desde que Portugal passou a integrar a Zona do Euro, na União Europeia, as vinícolas se modernizaram e os processos de controle também melhoraram, o que possibilitou uma redução de custos. A Expand importa o volume de US$ 80 milhões por ano, o que corresponde a cerca de 20 milhões de garrafas. Somente Belo Horizonte representa 8% do mercado nacional para a importadora. Na capital mineira, segundo Ferreira, os portugueses estão bem na preferência do consumidor (cerca de 20% do total dos importados pela empresa), atrás somente dos argentinos, que detêm 30% do mercado.

O crescimento das vendas dos vinhos europeus, com destaque para os da terrinha, já é percebido pelo proprietário da Adega do Mercado, Cristóvão Filho. Ele calcula que as vendas dos portugueses cresceram cerca de 25% em relação ao ano passado, mas ainda ficam distantes dos preferidos chilenos e argentinos. O motivo é o preço. Os rótulos portugueses mais comercializados custam entre R$ 30 e R$ 60, enquanto os latinos com maior volume de vendas ficam na faixa entre R$ 20 e R$ 25. “Os consumidores estão aprendendo a beber e os portugueses estão caindo no gosto. Pois na medida em que aprendem mais sobre vinhos, ficam mais exigentes”, acredita Cristóvão. Ele cita como exemplo o vinho tinto produzido na Quinta do Vale do Raposa, cuja garrafa é vendida por R$ 58, que ele considera um bom custo-benefício.

RESSURREIÇÃO

O advogado e enófilo Amanajós Pessoa da Costa é um apreciador de vinhos e lembra que os portugueses sofreram no passado com a importação de vinhos ordinários, mas que o momento é bom, “com a ressurreição de diversas vinícolas”. Ele ressalta que investimentos, como o que está sendo feito para incrementar as vendas do vinho português no país, são importantes para mostrar novos tipos e uvas, até então desconhecidos da maioria dos novos apreciadores da bebida. “São eventos informativos, mesmo que tenham foco na publicidade. A indústria do vinho é uma das poucas cuja propaganda é extremamente esclarecedora”, afirma.

Para beber vinho, na análise de Amanajós, conhecimento é essencial. “É preciso estudar bastante, trocar ideias aqui e ali, pois se não for assim o enólogo está manco. Alguém que gostava dos vinhos da do Douro pode passar a apreciar os produzidos no Alentejo”, exemplifica o enólogo. As duas regiões citadas por Amanajós fazem parte da diversidade de regiões vinícolas do pequeno país, contemplado pelo grande número de microclimas, tipos de solo e a variedade de castas (característica comum de um conjunto de videiras).

O dentista Alexander Ribeiro Pedrosa é outro exemplo de brasileiro que descobriu os vinhos portugueses e aprovou a bebida. Cliente da Enoteca Decanter, ele faz questão de escolher os rótulos com cuidado. E, em breve, ele deverá adquirir um conhecimento ainda maior da diversidade das vinícolas da terrinha, uma vez que já está com viagem marcada para Portugal.

O proprietário da Casa do Vinho, Armando Galizzi Martini, comanda o negócio especializado na venda da bebida e conta com 63 anos de mercado e 50 de importação. Já viu momentos em que o vinho português liderou as importações e também observa, há alguns anos, a predominância dos latinos. Martini acredita que o brasileiro está entendendo o que é um bom vinho e qual é o preço justo que se deve pagar por ele. Por isso, ele acredita que todo tipo de ação promocional contribua para estimular o consumo em um momento bom, pois o mercado está bem abastecido.

O somelier da Casa Rio Verde Agnaldo Rodrigues Queiroz reforça a tese do bom momento para os europeus que tiverem preço competitivo. “Muita gente já passou dos vinhos leves. Os brasileiros já criaram paladar e percebem o aroma. Os supermercados, por exemplo, também vendem vinhos acima de R$ 20. Quem faz um jantar quer fazer um ritual e não vai servir um vinho de R$ 8 para atrapalhar todo o trabalho que teve”, explica Queiroz.

 

Tags:

Esta matéria tem: (2) comentários

Autor: JARBAS OTAVIANO DE ARAUJO NETO
Uai " ... os nativos tomam 42 litros per capta da bebida ...". Aguardemos segunda-feira, onde 'per capta' poderá ser 'per capita'. /hjhmqh/. | Denuncie |

Autor: JARBAS OTAVIANO DE ARAUJO NETO
Uai, " ... A Expand importa o volume de US$ 80 milhões por ano, o que corresponde a cerca de 20 milhões de garrafas. ...". Então, segundo a minha arimética , cada garrafa custa em média quatro dólares. Se serão vendidos a R$ 50,00 ... /hjhhqm/. | Denuncie |

/softwares/publisher/zope/Products/environ/utils
Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.

Serviços

Guia de Bares e Restaurantes
Sol e Chuva
Cinema
Promoções
Horóscopo
Trânsito
Vrum
Eventos
Economia
Avaliações - Saúde Plena
Rádio Guarani - Ouça ao vivo
SMS

 
INTIP - Nossa empresa alinhada com seu negócio