| Ciência e Tecnologia | | RSS |

Estudo traz novas evidências de que Marte não é tão seco como parece Para autor da pesquisa, subsolo do astro pode abrigar vida

Rodrigo Craveiro - Especial para o EM

Publicação: 11/09/2010 16:57

Situado a 55,7 milhões de quilômetros, Marte é muito mais ativo e mais parecido com a Terra do que se imaginava, apesar da aparência fria e seca. A superfície do Planeta Vermelho tem interagido com a água desde o passado longínquo. Até alguns milhões de anos atrás, vulcões lançavam seus gases na atmosfera marciana. Especialistas da agência espacial norte-americana, a Nasa, chegaram a essas conclusões após analisarem os isótopos de carbono e oxigênio presentes no dióxido de carbono suspenso no ar. A medição foi possível graças ao Analisador de Gás Térmico e Expandido da sonda espacial Phoenix Mars Lander, que tocou o solo e Marte em 25 de maio de 2008.


O instrumento foi capaz de realizar análises mais precisas do que aparelhos similares das sondas Viking, que esmiuçaram Marte na década de 1970. “A composição isotópica estável da atmosfera marciana revela que seu dióxido de carbono tem proporções de carbono e oxigênio similares às existentes na atmosfera terrestre”, afirma ao Correio, por e-mail, Paul B. Niles, cientista planetário do Johnson Space Center, da Nasa, e autor da pesquisa publicada na revista científica Science.

Niles explica que a baixa gravidade e a ausência de campo magnético indicam que o dióxido de carbono se perde no espaço. “A atmosfera marciana recentemente se repovoou com dióxido de carbono emitido de vulcões, sugerindo que o vulcanismo era muito ativo até recentemente”, afirma. No entanto, o fato de a assinatura vulcânica não constar em isótopos de oxigênio sugere que o dióxido de carbono de Marte reagiu com a água a temperaturas próximas do congelamento. “A substância, em estado líquido, está bastante presente sobre a superfície do planeta. A água é recente e abundante o bastante para afetar a composição isotópica da atmosfera”, acrescenta o cientista. Os isótopos são variantes do mesmo elemento, porém com pesos atômicos diferentes.

A confirmação desses resultados foi obtida ao se comparar a composição de meteoritos marcianos coletados na Terra. Os fragmentos espaciais contêm minerais de carbonato capazes de se formar somente na presença de água líquida e de dióxido de carbono. “Um meteorito em particular, o EETA 79001, possui minerais de carbonato totalmente compatíveis com as medidas atmosféricas realizadas pela Phoenix Mars. Esse meteorito se cristalizou sobre Marte durante a mais recente era geológica do planeta, apenas 170 milhões de anos atrás, assegurando que os processos de formação do carbonato e suas condições associadas à presença de água têm ocorrido em Marte, mesmo sob um clima seco e frio”, observa Niles.

Ele lembra que o estudo não se concentrou em medir a quantidade de água em Marte — a descoberta do líquido deu-se de forma indireta. O dióxido de carbono se dissolve rapidamente em reação com a água líquida, formando o bicarbonato, que possui um átomo adicional de oxigênio, derivado da molécula. “Quando esse processo está em equilíbrio, o dióxido de carbono se dissolve e permite a extensiva comunicação com a água, recebendo as ‘impressões digitais’ do líquido”, comenta Niles.

Marcas
Descobertas anteriores de grandes voçorocas, ou erosões, em formação ativa sobre a superfície marciana apontam que elas teriam sido produtos do contato com a água. “Poderia ser água o bastante para determinar a assinatura vista no dióxido de carbono atmosférico”, comemora o cientista da Nasa. Paul Niles também destaca que a Phoenix Mars já havia descoberto grandes reservatórios de gelo perto da superfície de Marte. “Isso sugere que o solo marciano tem água abundante. No entanto, em quase todas as regiões, ela é fria o bastante para ser líquida”, emenda.

Ao ser questionado sobre a importância da descoberta para aferir uma maior compreensão sobre o passado geológico de Marte, Niles responde: “A principal coisa agora é que temos evidências de que muitas alterações ocorreram em Marte por causa da água, e a baixas temperaturas”. Na opinião dele, os resultados explicam que sistemas hidrotermais extensos não estiveram presentes na superfície marciana. “Isso é consistente com o fato de o planeta ser desprovido de placas tectônicas, ao contrário do que ocorre na Terra”, comenta.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: Andre Lemos
Interessante como os cientistas procuram p/ planetas ou meios de vida iguais aos nossos.Na terra temos animais ainda nunca vistos ou descobertos.Façamos ideia então do que esperamos desse universo infinito.Com certeza zilhões de outras formas,mesmo não materializadas aos nossos pequenos olhos.Somos 0 | Denuncie |

/softwares/publisher/zope/Products/environ/utils
Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.

Serviços

Guia de Bares e Restaurantes
Sol e Chuva
Cinema
Promoções
Horóscopo
Trânsito
Vrum
Eventos
Economia
Avaliações - Saúde Plena
Rádio Guarani - Ouça ao vivo
SMS

 
INTIP - Nossa empresa alinhada com seu negócio