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Metalúrgicos podem entrar em greve por reajuste

Agência Estado -

Publicação: 11/09/2010 13:12

Em assembleia neste sábado pela manhã no centro de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, cerca de 10 mil metalúrgicos das montadoras recusaram a proposta de reajuste salarial das empresas, que ofereceram uma correção de 7%, e ameaçam entrar em greve a partir de quarta-feira. Os trabalhadores pedem um aumento de pelo menos 9%, índice já aprovado para parte da categoria, além da incorporação de abonos salariais dos últimos anos como aumento real.

As empresas serão comunicadas na segunda-feira (13) sobre o aviso de greve e terão 48 horas, como prevê a lei, para se manifestar, seja pela retomada ou pelo fim das negociações. Nesse período, as manifestações serão intensificadas numa forma de pressionar as empresas a voltar a discutir uma nova proposta. Se a greve geral for decretada, o sindicato espera que cerca de 40 mil trabalhadores paralisem as atividades.

A semana que passou foi de mobilização e de negociação entre empresas e o sindicato. Assim como aconteceu em anos anteriores, a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (filiado à Central Única dos Trabalhadores) optou por intensificar as manifestações e paralisações nas empresas. Durante a semana, os metalúrgicos das indústrias automobilísticas (Ford, Volks, Scania, Mercedes-Benz) participaram de assembleias, passeatas e interromperam o trabalho.

Parte da categoria já conseguiu negociar o reajuste deste ano. Os trabalhadores da fundição e dos grupos 3 (autopeças) e 8 (trefilação, laminação de metais ferrosos e refrigeração) aprovaram em assembleia no dia 4 a proposta de reajuste salarial de 9%. Segundo a direção do sindicato, foi o maior aumento real conquistado pela categoria nos últimos dez anos, de 4,6%.

A campanha salarial dos metalúrgicos do ABC tem como base a forte recuperação da indústria automobilística. Segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção, de janeiro a agosto, foi de 2,41 milhões, 17,5% a mais em comparação a igual período do ano passado (2,05 milhões). Para 2010, a projeção da entidade é de 3,39 milhões, 6,5% a mais que em 2009, quando foram produzidos 3,18 milhões de veículos.

Ainda no mesmo período, de acordo com a Anfavea, o licenciamento de veículos novos (2,19 milhões) foi 10% a mais que em igual período de 2009 (1,99 milhão). Para todo o ano, a estimativa da Anfavea é chegar a um mercado interno de 3,40 milhões, 8% acima de 2009 (3,14 milhões). As exportações de veículos e máquinas agrícolas também tiveram recuperação nos oito primeiros meses do ano. Elas geraram até agora uma receita da ordem de US$ 8,03 bilhões, 63,7% a mais que no mesmo período de 2009: US$ 4,91 bilhões.

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