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Para Ipea, empresário não poderá passar pressão inflacionária ao consumidor

Mariana Mainenti - Correio Braziliense

Publicação: 11/09/2010 10:52

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê que a concorrência gerada pelas importações irá frear o apetite dos empresários brasileiros por aumentar os preços ao consumidor. “As importações estão se intensificando e o que vem de fora toma o mercado daqueles produtos domésticos que não têm preço baixo o suficiente para concorrer”, afirma o coordenador do Grupo de Análises e Previsões do Ipea, Roberto Messemberg. Por esta razão, o analista não acredita em repasse dos custos da produção nacional para os preços ao consumidor.

Além disso, Messemberg lembra que a própria entrada de bens de consumo no país, incentivada pelo dólar mais baixo para o brasileiro, também gera um efeito de barateamento nos preços. “A inflação no atacado é medida, na verdade, pelas expectativas dos empresários em relação aos custos. Mas essa expectativa será freada na medida em que os próprios empresários percebam que os índices de inflação ao consumidor estão baixos”, acrescenta.

Para o coordenador do Grupo de Análises e Previsões do Ipea, a enxurrada de importações seguirá significativa ao longo do ano, o que terá impacto nas contas externas. “Estamos projetando um deficit em conta-corrente de US$ 60 bilhões em 2010, acima do que o Banco Central está esperando”, diz. Ele destaca que o próprio turismo de brasileiros no exterior, com dólar barato, é um fator que aumenta a pressão nas importações.

Os gastos com viagens internacionais foi recorde no mês de julho. Segundo dados do Banco Central, os brasileiros desembolsaram US$ 1,5 bilhão fora do país no mês, o que representa um incremento de 47% em relação às despesas feitas em igual mês do ano passado. No acumulado dos primeiros sete meses do ano, os gastos subiram 56%, de US$ 5,5 bilhões para US$ 8,5 bilhões. O deficit em transações correntes do país registrado em julho foi o pior da série histórica, desde 1947, para o mês e também no acumulado do ano. O resultado foi negativo em US$ 4,5 bilhões. De janeiro a julho, o rombo é de US$ 28,2 bilhões.

Juros

Em seu boletim mensal Conjuntura em Foco, divulgado ontem, o Ipea destaca que a inflação no ano está voltando a convergir para a o centro da meta estabelecida pelo Banco Central para o IPCA, que é de 4,5% no ano, e que isso está alterando as projeções do mercado financeiro. “Depois de atingir o patamar de 5,7%, na primeira semana de junho, a mediana das expectativas do mercado para IPCA fechado do ano reduziu-se para 5,03% na última semana de agosto”, diz o boletim do Ipea. “A inflação nos últimos 12 meses está em 4,49%, um pouco abaixo do centro da meta. Mesmo que houvesse algum repasse dos preços para o consumidor, não seria nada que justificasse uma alteração na política monetária. Não existe qualquer razão para alta de juros em 2010”, acredita Messemberg.

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