| Ciência e Tecnologia | | RSS |

Pesquisa da UFMG constata que metade dos exames de tireóide pode ter falso resultado Amostras confirmam que o paciente pode ter o câncer, mas o resultado demonstra ausência de tumor

Elaine Pereira - Portal Uai

Publicação: 10/09/2010 18:38 Atualização: 10/09/2010 19:05

Realização de exame para prevenção do câncer na glândula tireoide, em Belo Horizonte.   - (Beto Novaes/Estado de Minas - 29/07/2004)
Realização de exame para prevenção do câncer na glândula tireoide, em Belo Horizonte.
O exame citológico de punção (Paaf - Punção Aspirativa com Agulha Fina), comumente usado para indicar a necessidade de cirurgia da glândula tireóide, não é tão eficiente quanto se acreditava.

Pesquisa de doutorado realizada pelo cirurgião Orlando Barreto Zocratto, pela UFMG, constatou que os resultados apresentaram taxas elevadas de falso-negativos, independente da experiência do examinador: de 25% a 50% do total de exames realizados.

Isto significa que o paciente pode ter o câncer, mas o resultado indica ausência de tumor - que é o pior resultado, pois médico e paciente podem optar pelo não acompanhameno e tratamento do caso. O exame pode ainda indicar um falso-positivo, o que pode ser definitivo para a realização da cirugia nem sempre necessária.

"Os médicos dão muito valor ao exame, mas o diagnóstico é sugestivo, não é definitivo", afirma. Segundo o especialista, há casos em que a pessoa é operada por outro motivo, depois do exame, e a cirurgia mostra o tumor. "os dois resultados (positivo e negativo) podem estar errados. Mas o falso negativo é o mais comum e o mais preocupante", ressalta.

De acordo com o médico, o ideal é que seja feito o acompanhamento e que a cirurgia seja determinada pelo exame clínico, pelo ultrassom e pela punção, que permite a avaliação citológica do nódulo.

O estudo
Zocratto comparou, de várias formas, 74 exames realizados por dois especialistas. Um recém-formado, que realiza 40 exames por ano, e outro com 25 anos de profissão, que realiza cerca de 500 exames anuais.

Os resultados mostraram que de 25% a 50% do total de exames realizados é falso-negativo. De todas as amostras analisadas, 17 continham tumores malignos. Mas apenas quatro a seis foram identificados pela Paaf.

Os patologistas que participaram do estudo não conheciam um ao outro e nem sabiam que analisariam o mesmo material seis meses depois. As comparações permitiram evidenciar que, mesmo depois de seis meses, existe grande repetição dos resultados emitidos por um mesmo examinador. Quando houve discordância entre dois resultados do mesmo examinador a percentagem da variação foi insignificante.

De acordo com a pesquisa, além do alto número de diagnósticos equivocados, a comparação entre os resultados encontrados pelo profissional mais jovem e pelo mais experiente foi muito diferente. “Isso é grave, uma vez que estamos falando de um paciente que vai ou não ser operado a partir desse
laudo”, destaca o cirurgião.

Câncer
O acompanhamento dos casos suspeitos - ou não - de câncer de tireóide deve ser semestral. O tumor é silencioso, não causa dor ao paciente e pode nem mesmo aparecer através de grandes nódulos. "Existem tumores pequenos, microcarcinomas. Quando o paciente é obeso, a gente não consegue apalpar e nem mesmo ver", diz Orlando Zocratto.

O tumor de causa genética é mais prevalente nas mulheres, grupo que tem mais problemas de tireóide, mas o homem é mais susceptível. Também é mais comum em jovens com menos de 20 anos ou homens chegando nos 50 e mulheres perto dos 60 anos. Há ainda incidência naqueles que fizeram radioterapia na infância.

No caso de necessidade do exame, o médico recomenda que a punção seja guiada por ultrassom, pois é mais fidedigna, introduzindo a agulha no ponto que é mais suspeito.

De acordo com o médico, dos quatro tipos de tumores que podem ocorrer na tireóide, dois são tratáveis com cirurgia e iodoterapia, um deles apenas com cirurgia e no quarto tipo - o mais raro - não é possível alterar o tumor, que é extremamente agressivo e causa a morte entre 3 e seis meses.

Entre 4% e 7% das pessoas possuem nódulos tireoidianos palpáveis e até 70% da população
brasileira pode apresentar algum tipo de nódulo na glândula tireóide. 

 

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: JARBAS OTAVIANO DE ARAUJO NETO
Uai, tireóide ou tireoide ?????. " ... optar pelo não acompanhameno ...". Que venha segunda-feira. /hjdztm/. | Denuncie |

/softwares/publisher/zope/Products/environ/utils
Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.

Serviços

Guia de Bares e Restaurantes
Sol e Chuva
Cinema
Promoções
Horóscopo
Trânsito
Vrum
Eventos
Economia
Avaliações - Saúde Plena
Rádio Guarani - Ouça ao vivo
SMS

 
INTIP - Nossa empresa alinhada com seu negócio