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Restrição ao cobre põe em risco tradição da cachaça mineira

Luciane Evans - Estado de Minas

Luiz Ribeiro - Estado de Minas

Publicação: 18/08/2010 06:17 Atualização: 18/08/2010 07:59

Rafael Horta, gerente de grande destilaria mineira, revela cuidados que permitem preservar método consagrado de produção e assegurar qualidade à bebida - (Alexandre Guzanshe/Esp. EM/D.A Press)
Rafael Horta, gerente de grande destilaria mineira, revela cuidados que permitem preservar método consagrado de produção e assegurar qualidade à bebida
“O que mata é o cobre, não a pinga.” A velha desculpa dos apreciadores da cachaça é também argumento e motivo de alerta na saúde pública. Com base em resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proíbe o uso de utensílios de cobre na produção alimentícia, a Vigilância Sanitária de Minas Gerais, além de estar de olho na produção de doces no tacho, como divulgou na terça-feira o Estado de Minas, está atenta à fabricação de outro patrimônio mineiro: a cachaça artesanal.

A bebida é produzida tradicionalmente em alambiques de cobre. Mas, de acordo com as autoridades sanitárias, o metal em contato com a “caninha” representa risco ao organismo se o teor ficar acima de cinco miligramas por litro, limite tolerado pelo Ministério da Agricultura. Ainda este ano, a Secretaria de Estado de Saúde fará nova análise das aguardentes vendidas no mercado mineiro, para avaliar a presença da substância. Mas as restrições ao mais tradicional método de destilação preocupam sobretudo pequenos produtores, como os da capital da cachaça, Salinas, no Norte de Minas, onde a proibição pode levar a maioria à falência.

A proibição do uso de utensílios de cobre na produção alimentícia, presente em resolução da Anvisa de 2007, afeta praticamente todos os 8 mil fabricantes informais de cachaça em Minas, que respondem por um mercado estimado em 240 milhões de litros ao ano. Segundo a Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq), o volume é equivalente à produção anual dos 900 fabricantes registrados no estado, que por sua vez respondem por 60% de toda a produção formal no Brasil da cachaça de alambique artesanal. Segundo a Ampaq, 99% de todos os fabricantes no estado, formais ou informais, usam alambiques feitos com o metal. A diferença é que, no caso das aguardentes registradas, processos industriais de filtragem garantem que o teor de cobre fique dentro do limite permitido.

“O que a Anvisa recomenda é que o cobre seja revestido por níquel, ouro ou prata. Em 2004, fizemos análises no mercado e constatamos que muitas cachaças estavam com teor de cobre acima do estabelecido. A pesquisa foi repetida em 2005, 2006 e 2007. Este ano, já fizemos algumas análises e, naquelas examinadas, o teor está dentro dos limites. Até o fim do ano vamos analisar outras marcas em uma região do estado”, afirma, sem revelar detalhes, a coordenadora de Registro e Cadastro de Alimentos da Secretaria de Estado da Saúde, Joana Dalva de Miranda, explicando que marcas irregulares são interditadas e o Ministério da Agricultura é avisado.

Ainda que a resolução da Anvisa permita o uso de utensílios de cobre, desde que revestidos, produtores de cachaça garantem que, pela forma tradicional de fazer a bebida, o alambique tem que ser de cobre e sem revestimento. “O recomendado para uma pinga de qualidade é que o alambique seja feito com esse material, pois é ele que dá o aroma e o sabor ideais da bebida. Dos 8 mil produtores em Minas, há 900 registrados no Ministério da Agricultura, ou seja, são produtores com preocupação com a qualidade do produto que estão oferecendo”, afirma o presidente da Ampaq, Alexandre Wagner da Silva, para quem a fiscalização deveria recair sobre o mercado informal.

Esta matéria tem: (18) comentários

Autor: renato
Sugerimos à Anvisa que proíba também a presença de etanol na cachaça, pois diversos estudos já demonstraram o risco para a saúde de quem ingere tal substância. A tradição mineira daqui para frente será a venda de caldo de cana (não fermentado e produzido em recipientes de aço inox). | Denuncie |

Autor: salvador
Branquinha da boa, só em alambique de cobre, se trocar fabricação não é mais bebida nobre. Bebe o rico, bebe o pobre, se proibe outro material, o que é crime nacional, modificar a branquinha, alguém levando o vil metal. | Denuncie |

Autor: Antonio Filho
Já vi coisa parecida acontecer com uma água mineral em Itabirito, que foi denunciada em um programa de domingo como fora das especificações, e agora é explorada pela maior multinacional de refrigerantes de Minas, é só ler na embalagem. A outra marca era a Agua Mineral Cristal. | Denuncie |

Autor: Antonio Filho
Daqui uns dias eles anunciam um novo material para ser utilizado em substituição ao cobre, tão cara que os pequenos produtores não poderam mais trabalhar. Aí uma grande empresa monopoliza o mercado e nós ficamos reféns da péssima qualidade e preço alto. | Denuncie |

Autor: Carlos Rocha Dias
la a comida é feito somente com gordura de porco,e eles estão fechando os alambiques por todo o estado,de acordo com o proje vc gasto no minimo R$90,000 para montar de acordo com as normas e o imposta da boa agua que não só o GAMBÁ gosta chega a 70% ai meu amigos teremos que aderir 100% lei seca | Denuncie |

Autor: Carlos Rocha Dias
nem li a materia toda,mas nasci na roça,vendo fazer cachaça e contiumos até hoje,sempre que possso vou até la para beber e trazer,cachaça ainda é a única coisa que traz alegria ao pobre,e o cobre é metal da época mais maleável facil de moldar,meu avô bebi pinga todos os com 86 anos e come carne de pr | Denuncie |

Autor: Klaus Jansohn
Continuando: cobre na cachaca tambem é questao construtiva dos materiais do alambique e tambem pode ser eliminado com filtros ionizadores. Tecnicamente é possivel obedecer o limite legal superior de 5 ppm, veja cognac, whiskey e todos destilados de frutos no mundo inteiro. | Denuncie |

Autor: Klaus Jansohn
O cobre na coluna do alambique tem pelo menos 2 funcoes:1- reage como catalisador com os sulfetos contidos nas proteinas dos fermentos, melhorando o sabor do destilado e 2: fixa eventuais cianidos, evitando a formacao de carbamato de etila, que é cancerigeno. Cobre na cachaca é questao de limpeza. | Denuncie |

Autor: Marcio mesias
sei não, a centenas de anos a cachaça é feita assim, e de repente eles querem mudar, desconfio q tem rolo ai de graudo da anvisa, com o fabricante, aonde tem dedo destas agencias existe falcatruas, funcionário publico n pode ver a chançe de ganhar um por fora | Denuncie |

Autor: Marcelo Queiroz
Ao Jasão, permita-me discordar. No Brasil colônia, tão pouco existia cobre. A utilização do alambique de cobre se deu provavelmente por influência Inglesa/Escocesa neste mesmo período no Brasil. Vale lembrar que estes estavam aqui para gerenciar toda a riqueza que os Portugueses %u201Croubavam%u201D | Denuncie |

Autor: Marcelo Queiroz
O Whisky Escocês e o Bourbon Americano também utilizam este tipo de metal há séculos, na destilação e pelo mesmo motivo mencionado pelo presidente da AMPAQ. Sugeriria à Anvisa que antes de detonar com a única bebida genuinamente brasileira (fabricação), | Denuncie |

Autor: Marcelo Queiroz
fizesse uma pesquisa com os órgãos regulamentadores destes países para identificar se há este tipo de perigo registrado lá. Não podemos também esquecer que o forte controle de qualidade na produção prevê medições que certamente colocam o risco dentro dos índices aceitáveis. | Denuncie |

Autor: Clever Soares David Amorim
Isso me lembra aquele filme: "Full Metal Jacket" hahaha | Denuncie |

Autor: Janer Moreira Lopes
Quem bebe alcool já assume sérios riscos de saúde. Será que um pouquinho de cobre vai fazer diferença? ... Como sobra hipocrisia nos governos do Brasil. Falta do que fazer, ociosidade, cabeça vazia, às custas do povo. | Denuncie |

Autor: José das Graças Gonçalves
Minha opinião é que a predominância do cobre como metal usado na fabricação de aguardente se deve ao fato de que esse era um dos poucos metais disponíveis no período colonial, pois o aço inox era inexistente. Então, virou tradição e não garantia de qualidade, aroma ou sabor. | Denuncie |

Autor: Antônio de Paula Jr
Acontece, que como a pizza para a Italia e a Vodka para a Russia, a cachaça é para o Brasil a bebida nacional e para tanto, tem padronizada a sua fabricação; sem o alambique de cobre, deacordo com a lei de patente, não pode ser chamada cachaça, aí colocam aguardente ou outro nomes. | Denuncie |

Autor: José das Graças Gonçalves
Gostaria que o Sr. Alexandre Wagner da Silva, presidente da Ampaq, explicasse de que forma o cobre contribui para que o sabor e o aroma da cachaça sejam acentuados. | Denuncie |

Autor: José das Graças Gonçalves
Em Três Marias há um alambique fabricado todo em aço inox, que produz uma pinga isenta de resíduos tóxicos. É a cachaça MIquelina! Bebendo com bom senso, ela não causa dor de cabeça e sua ressaca é mais branda. Tenho dela em casa e recomendo que a conheçam. (Não sou o dono, nem seu representante) | Denuncie |

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