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Minas proíbe uso de panelas de cobre

Luciane Evans - Estado de Minas

Publicação: 17/08/2010 06:19 Atualização: 17/08/2010 07:40

Proibição pela Anvisa do uso de panelas de cobre, devido ao risco de problemas neurológicos pela absorção do metal, surpreendeu quem usa os utensílios, como as amigas Ana Maria Ferreira e Elisabeth Bufet. - (Alexandre Guzanshe /EM/D.A Press)
Proibição pela Anvisa do uso de panelas de cobre, devido ao risco de problemas neurológicos pela absorção do metal, surpreendeu quem usa os utensílios, como as amigas Ana Maria Ferreira e Elisabeth Bufet.
O verde vivo do figo em calda, a liga cremosa do doce de leite, a goiabada na consistência perfeita e a rapa de tudo isso no fundo de um tacho de cobre correm o risco de se tornar meras lembranças em Minas Gerais, para desespero dos amantes dos famosos quitutes mineiros. A Vigilância Sanitária Estadual, com base em resolução de 2007 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proibiu o uso de utensílios de cobre na produção alimentícia, sob argumento de que a absorção excessiva do metal provoca desordens neurológicas e psiquiátricas, danos ao fígado, rins, nervos e ossos, além da perda de glóbulos vermelhos. A decisão que pode significar o fim dos doces feitos no popular tacho representa tristeza para doceiras e admiradores da culinária tradicional.

Pelas muitas Minas Gerais, são diversas as panelas que mesclam heranças gastronômicas e culturais de brancos, negros, índios, mulatos e caboclos. Mas o tacho de cobre é unanimida em cada canto do estado. Por isso, a proibição já causa mal estar entre cozinheiros e apaixonados pela boa mesa. Nas próximas semanas, a Secretaria de Estado de Saúde promete orientar as donas de casa sobre a recomendação da Anvisa, por meio de cartilhas.

Mas, antes mesmo do aviso oficial, a amarga notícia já chegou às cozinhas das doceiras. Elas juram que o tacho, além de bom companheiro para as prosas na cozinha, não faz mal a ninguém, principalmente quando bem higienizado. “Meu avô morreu com quase 90 anos e nunca deixou de fazer iguarias nesse utensílio”, comenta Maria Ecília de Jesus, de 55. Doceira em Santa Luzia, na Região Metropolitana de BH, ela conta com orgulho que sempre sonhou em ter sua própria panela. “Pedia emprestado. Mas, há um ano, decidi ir ao Mercado Central de BH e comprar um tacho só para mim. É bom demais. O gosto dos quitutes fica melhor”, garante.

Revoltada com a proibição, Nelsa Trombino, dona do restaurante mineiro Xapuri, na Região da Pampulha, não mede críticas. “Estão querendo acabar com a tradição de Minas. Isso é uma cultura nossa”, reclama, contando que há mais de 50 anos usa o tacho na cozinha. “Mantemos sempre a limpeza dele. Isso é um absurdo. Sou a primeira a fazer guerra contra essa proibição.”

Segundo a coordenadora de Registro e Cadastro de Alimentos da Saúde estadual, Joana Dalva de Miranda, a normatização da Anvisa tem sido aplicada sobretudo às empresas. “Já conseguimos retirar os tachos de cobre das indústrias, provando para eles que o que deixa a cor mais verde do doce de figo, por exemplo, não é o tacho de cobre, mas o tratamento do fruto. A lei vale para todos. Já orientamos as vigilâncias sanitárias dos municípios mineiros no sentido de barrar qualquer expositor de uma feira que tenha produzido doces no tacho”, diz, reconhecendo que é impossível fiscalizar as residências. “Por isso, nas próximas semanas vamos tentar orientar as donas de casa sobre essa recomendação, que vale não só para tachos, mas colheres, revestimentos e outros utensílios.”

Amante da gastronomia mineira e apaixonada pelas panelas de Minas, a francesa Elisabeth Bufet esteve ontem no Mercado Central, no Centro de BH, pela primeira vez. Levada pela amiga, a guia turística Ana Maria Ferreira, Elizabeth não acreditou que o tacho está proibido em Minas. “Na França, os grandes chefes de cozinha usam os caldeirões de cobre para cozinhar. Lá também é tradição Eu mesma faço doces nele”, conta. Ana Maria Ferreira também considera a decisão uma afronta às tradições.

A polêmica se espalhou pelos corredores do Mercado Central, onde há dezenas de lojas que vendem o utensílio. “É a peça mais procurada. A gente fica triste nem é pela venda, mas pelo fim da tradição”, comentou Antonieta Carvalho, dona de três lojas que vendem material de cozinha e adornos no mercado.

Descrença

Gema Galgani Braga, de 76 anos, de Santa Luzia, faz doces há mais de 60 anos. Quando começou, sua mãe, Joana Batista Silvestre, e sua irmã Piedade Margarida, de 88, conhecida como Quetita, já usavam o vasilhame de cobre. “Não sei usar outro tipo de tacho. E também não sei de uma única pessoa que tenha comido dos meus doces e tenha tido uma dor de barriga”, brinca.

A decisão da Vigilância Sanitária a deixou indignada. “O que as autoridades têm que fazer é ensinar a usar direito o tacho, a limpá-lo bem para não deixar dar o azinhavre (substância esverdeada, resultado da oxidação do metal), que é perigoso e venenoso. É preciso arear todos os dias e enxugar com pano seco, no calor do fogo. Tacho é tradição nas cozinhas e ela não pode ser quebrada”, decreta a doceira, famosa pelas balas delícias, canudinhos de doce de leite, doces de frutas, cocadas, entre outros. “Se proibirem os tachos, o que será de nós, doceiras? Virar o tacho de cabeça para baixo e ficar na porta de casa sem ter o que fazer?”, pergunta.

Esta matéria tem: (37) comentários

Autor: Carlos Borges
Acho que por trás desta proibição de recipientes de cobre na indústria de alimentos e bebidas tem muitos interesses. A cachaça mineira, que tem galgado altíssimos degraus nas preferências tanto no Brasil como no exterior, justamente por seu jeito próprio de ser produzida vem de encontro aos interesse | Denuncie |

Autor: Jose Campos
A Anvisa também vai pesquisar sobre os outros tipos de material usados, como: ferro, inox, pedra,etc | Denuncie |

Autor: Jose Campos
Gostaria que a equipe que fez esta reportagem ouvissem também algum especialista como: quimicos e outros dominantes do assunto. Esta proibição esta parecendo mais para um lob do aço inox, que são muito poderosos. | Denuncie |

Autor: Dionisio Caproni
O COBRE faz mal a saúde ? Não, muito pelo contrário. O Cobre faz parte de um grupo relativamente pequeno de elementos metálicos que são essenciais ao bem estar geral de nossa saúde. Mas o corpo não é capaz de sintetizá-lo, sendo assim, nossa dieta alimentar diária deve suprir esta necessidade. | Denuncie |

Autor: Sandra Sanches
Como ex diretora de cultura do de Ouro Preto, e responsável pelo processo de registro da Tradicional Produção de Doces Artesanais da Região de São Bartolomeu, informo que para que o registro fosse concretizado foram realizadas análises químicas para provar não haver contaminação por cobre nos doces. | Denuncie |

Autor: Anibal de Faria E Melo
Resumindo bem o que todos falaram ae embaixo: o que teremos esse ano mesmo??? AHHH, siimmmm... Eleições!!! Já nos deram o nariz de palhaço, agora é só usar.... Faça-nos um favor Anvisa: vai procurar serviço lá em Brasília!!! Lá sim tem muita coisa que faz mal a nossa pobre e ja debilitada saúde.... | Denuncie |

Autor: de Minas Romeiro
Quando a União Europeia ameaçou exigir dos Italianos o esmagamento de uvas em tanques de aço inox e dos franceses a confecção de queijos nas mesma condições, eles disseram que preferiam sair da União Europeia a violentar as tradições que tornavam os seus queijos e vinnhos insuperáveis. Somos colonia? | Denuncie |

Autor: Nilo Stanislaw
Não existem dados concretos, não existe um trabalho sério de pesquisa e análise feito sobre os tachos de cobre, a ANVISA está sendo imprudente e parcial em sua decisão, falta informação e esclarecimento. FATO: O povo do interior brabo não vai seguir essa norma. | Denuncie |

Autor: Marcos Pimenta
... as panelas de alumínio continuam sendo usadas. Ninguém vai raspar a panela até soltar o metal para deglutí-lo. Aliás, já existe estudo recomendando o uso de maçanetas de cobre nos hospitais, pois é o único metal que combate as bactérias deixadas pelas mãos das pessoas. | Denuncie |

Autor: Marcos Pimenta
Com a palavra o PROCOBRE. As razões da ANVISA deveriam ser melhor explicitdadas. Como já se disse aqui, e os alambiques? E as águas que são canalisadas com cobre? Deve haver algum exagero ou lobie nessa história. É preciso investigar. O alumínio também já foi alvo de campanha difamatória. No entanto, | Denuncie |

Autor: Amyres Oliveira Filho Oliveira Filho
Hééé..., cada vez mais me considero um sobrevivente! Coitados, os Ciganos, mais um golpe -em eles (sic). | Denuncie |

Autor: lauro carmo
Com certeza tem peixe graudo por trás disso,alguém quer levar vantagem com essa lenda. | Denuncie |

Autor: Júlio Guimarães
É um absurdo!!! No mínimo forças ocultas ($$$$$$...) estão por trás desta história. A indústria do inox ou do alumínio ? Estranho não ? "Nunca antes nesse País" a Vigilância Sanitária se pôs contra o uso de panelas de alumínio. Porque isso agora? Qual prejudica mais o uso do cobre ou do alumínio? | Denuncie |

Autor: Wolmer Coutinho
Porque nao proíbem os hamburgueres, os refrigerantes, os agrotóxicos , o uso de carros que poluem, os conservantes??? Só rindo. Interesses atrás de tudo. Puro loby de indústrias. | Denuncie |

Autor: Norma Garcia
Parece que as agencias reguladoras criadas no Brasil, não têm o que fazer e ficam inventando. Deve ter alguém por lá querendo comprar cobre. Devem ter a informação de que o metal vai subir. Minha biza morreu com 107 anos, usando tacho de cobre. Porque a ANVISA não vai fiscalizar o governo? | Denuncie |

Autor: Wolmer Coutinho
O percentual de cobre nas comidas feitas em tachos de cobre é muito pequeno e as pessoas nao as comem todos os dias. Os tubos de cobre eles nao proíbem porque vao enfrentar uma industria poderosa. A água de consumo está em contato direto com o cobre e eles nao falam nada, só rindo.... | Denuncie |

Autor: Othon Morais Bomfim
Já foi o frango abatido na hora, não pode mais, assim adeus molho pardo, agora o tacho de cobre, depois será o quiabo, a purruruca e assim vamos perdendo tudo. Mostre os estudos sobre a contaminação nos doces e outros alimentos preparados nos tachos de cobre.Contra as evidencias não há argumentação. | Denuncie |

Autor: Jose Geraldo da Silva
FALA SÉRIO, E AS OUTRAS PANELAS ONDE ESTA OS ESTUDOS SOBRE TODAS AS PANELAS E VASILHAMES USADOS EM NOSSAS COZINHAS. COM A PALAVRAS A ANVISA E A IMPRENSA. JÁ OUVI FALAR QUE AS PANELAS DE ALUMINIO FAZEM MAL, PORQUE O ACUMULO DO PRODUTO CAUSA O ALZAIMER, ESQUECIMENTO. E AI? E AS PEDRA SABÃO? E AI? | Denuncie |

Autor: MILTON VAZ SOARES JUNIOR
Faz sentido a pesquisa, minha avó esta com 97 anos e por toda vida comendo doces feitos em tachos de cobre, cuidadosamente quando criança eu os limpava com limão, bicarbonato e vinagre, ficava parecendo ouro ! Então sem o cobre dos tachos ela viveria 250 anos... faz-me rir essas pesquisas... | Denuncie |

Autor: francisco assis
Gente...Gente...desconfiem. O COBRE deles é este: $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$, só isto. estão fazendo pegadinha com o povo. | Denuncie |

Autor: Wolmer Coutinho
Amigos, na verdade o cobre ajuda na saúde. As pessoas que comem doces feitos em tachos de cobre adoecem menos. Assim, se vende menos remédios. Proibindo os tachos de cobre vai aumentar o faturamento da indústria farmaceutica que possivelmente é a que está fazendo essa trama. E os tubos de cobre???? | Denuncie |

Autor: Eduardo Avelar
..continuo meu comentário desafiando estes "senhores da razão" a apresentarem números de casos de mortes ou doentes causados por doces de Araxá, de São Bartolomeu ou de todo o estado. É patente o desrespeito á sociedade mineira e às nossas tradições. A quem será que esta guerra interessa? Até quando? | Denuncie |

Autor: Eduardo Avelar
Já faz algum tempo que faço este alerta aos colegas da cozinha e da imprensa. Está passando da hora de nos unirmos para exigir destes burocratas insensíveis que eles coloquem este assunto em discussão juntamente com as provas dos males causados por excesso de cobre ou outras bobagens nos doces ... | Denuncie |

Autor: Luis Eduardo de Lima Baumgratz
Sem comentários. Cade o Governador ? cade o Sec, de Cultura ? Cade as ONGS ? | Denuncie |

Autor: francisco assis
Acho que deveria haver um setor publico onde o cidadão pudesse fazer a denuncia de forma q se usasse a imprensa.pq pelo contrário tudo vai p/ o arquivo. | Denuncie |

Autor: francisco assis
Realmente a alimentação humana em BH estar pior que de porcos.Mas a obrigação de fazer a fiscalização é da vigilancia sanitária MUNICIPAL, q se omite e faz de conta, principalmente qdo o rest. é de luxo.As churrascarias só tem visual.As lanch. reaproveitam tudo.Comida vendida em praça publica. | Denuncie |

Autor: Eduardo Fonseca
è uma falta do que fazer tantoa restauranres tradicional que precisa da Anvisa fiscalisar oque está cassando confusão com as nossas doceiras.Vaia arrumar serviço seus incompetentes. | Denuncie |

Autor: Ronald dePaula
Quando é que proibirão os agrotóxicos, que consumimos diariamente, acumulando e causando doenças? quantos de nós consome grandes quantidades diárias de alimentos feitos em utensílios de cobre? a população está se acumulando é das "nojeiras" vendidas nas ruas, por falta de higiene na manipulação | Denuncie |

Autor: AP Barbosa
Esta anvisa deveria é fiscalizar os restaurantes que servem alface sem lavar..vide Marietta Diamond, onde uma bela lagarta me fez companhia em um prato de salada. Criar caso com panela de cobre é muita falta do que fazer. Cadê a opinião de um médico? | Denuncie |

Autor: Eduardo L.
A pesquisa fala em "absorção excessiva do metal". Será que fazer doces em tacho de cobre libera quantidade excessiva que faça mal a saúde?? Acho uma preocupação muito grande para pouco cobre. | Denuncie |

Autor: salvador
Caso Dona Lucinha fosse a diretora da ANVISA, até os pratos seriam de cobre e bem dourados! Essa turma do orgão fiscalizador deveria é olhar as cozinhas dos bares e restaurantes que processam comida e a servem em panelas e pratos mal lavados e procurem mais o que fazer. | Denuncie |

Autor: francisco assis
Concordo com o Antonio,mas cabe a eles acharem uma solução, vejam o caso dos alambiques tudo a base do cobre. Mas enquato existe estudo q diz fazer mal a saúde que tomemos cuidado, saúde é mais importante que uma tradição. | Denuncie |

Autor: francisco assis
Penso q se ha estudo onde comprova o risco, pq ñ aceitar a decisão? Acho mais importante a saúde q a preservação de uma tradição.Assim foi tb com a banha de porco , por isto ninguém morreu, a tradição mineira ñ acabou.Se é ruim para a saúde q proiba. Basta provar o contrario e continuar. | Denuncie |

Autor: leandro santo
è só o pessoal da ANVISA ensinar as pessoas que não tem experiencia de usar o tacho, como fazer o uso e como limpar, seria muito mais pratico... | Denuncie |

Autor: leandro santo
Isso é uma palhaçada, como diz o Proprietario do Restaurante Xarupi, querem acabar com as tradições de MG. Se ele vai ser o 1º a fazer guerra contra Vigilancia Estadual, eu vou ser o 2º, tenho tachos na minha casa e não disfarço deles nem que a vaca turça.... | Denuncie |

Autor: Anibal de Faria E Melo
O que a Anvisa deveria fazer é se preocupar em fiscalizar os restaurantes e lanchonetes que nos servem alimentos onde o modo de preparo e acondicionamento são duvidosos. É como disse a doceira Gema: o que elas vão fazer? Ir para a porta da Anvisa e esperar pelo salário do mês?? Acoooordaaaa Brasil!!! | Denuncie |

Autor: Antonio Martins
A decisão da Anvisa tem que ser contestada e exigir uma explicação mais convincente dos riscos.Como vão fazer os fabricantes da tradicional rapadura que é feita no tacho de cobre ?? | Denuncie |

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