A política monetária brasileira dos últimos meses trouxe reflexos na queda da inflação divulgada nesta terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A afirmação é de Cláudio Shikida, coordenador no núcleo de estudos de política monetária do Ibmec. "Quando o Banco Central aumenta os juros, o efeito de transmissão aos preços para o consumidor final costuma ser imediato. Acredito que essa desaceleração não deve se repetir nas próximas semanas. Ela pode ser momentânea", revela.
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), divulgado pela FGV, no último dia 15, registrou deflação de -0,19%, 0,01 ponto percentual abaixo da taxa da última apuração, no dia 7. Das sete capitais brasileiras pesquisadas, seis registraram decréscimos nas taxas de variação. O IPC-S de Belo Horizonte registrou variação de -0,56%, na apuração realizada na segunda semana de agosto, 0,13 ponto percentual inferior ao divulgado na primeira semana do mês, que foi de -0,43%.
Na última divulgação do IPC-S de BH, cinco das sete classes de despesa apresentaram desaceleração, com destaque para o grupo educação, leitura e recreação e, alimentação, cujas taxas passaram de -0,06% para -0,44%, e de -2,32% para -2,59%, respectivamente. Segundo André Braz, economista da FGV, responsável pela pesquisa, %u201Calimentos in natura%u201D foram os que mais contribuíram para a deflação. %u201CAlimentos naturais, como hortaliças, legumes e frutas, foram os principais responsáveis pela deflação de todas as capitais, principalmente em BH, onde a magnitude de variação foi alta%u201D, ressalta.
O IPC-S BH da semana passada revelou queda de 13,36% nos preços de hortaliças e legumes na capital, enquanto na primeira semana de agosto a redução de preços ficou em -12,25%. Já o preço das frutas na capital mineira caíram 12,82% na semana passada e 10,88% na primeira semana do mês. De acordo com o economista André Braz, BH apresentou a menor taxa de preços de alimentos in natura do país. "Isso se deve a relevância que esses alimentos têm no consumo dos belorizontinos, pois 4,5% da renda dos consumidores de BH é destinado ao gasto com hortaliças, legumes e frutas. Quanto mais baratos estiver esses alimentos, menor é o custo de vida na cidade", explica.
Para o economista da FGV, essa deflação não apresenta nenhum risco à atividade econômica. "Os alimentos in natura têm grande volatilidade e os preços se ajustam rapidamente. São produtos de lavouras curtas, que permite facilmente a recuperação de preços".
O coordenador no núcleo de estudos de política monetária do Ibmec, Cláudio Shikida, confirma que a queda dos alimentos in natura se deve à sazonalidade e que os preços já poderão apresentar significativos aumentos nas próximas semanas.
O IPC-S de Belo Horizonte revela ainda queda menos intensa e até acelerações nos preços de itens derivados do trigo, como farinha de trigo, pão francês, biscoitos, macarrão e carnes. A farinha de trigo revelou menores quedas, com -2,44% na semana passada em relação a -3,34%, na primeira semana de agosto, o açúcar cristal, preferência dos consumidores mineiros, teve uma aceleração de 0,31%, o pão francês de 0,58% e a carne bovina de 0,37%.
Em BH houve ainda um aumento de 1,08% no consumo de refeições fora do lar, 2,45% no consumo de refrigerantes em restaurantes, 1,51% nos gastos com alfaiataria e costureiro, 1,84% com dentista, 1,17% em oficinas veiculares e 1,01% em mensalidades de TV por assinatura. Segundo André Braz, a alta desses serviços livres se deve ao crescimento da massa salarial e da oferta de empregos em todo o Brasil. "A deflação desses serviços que seria preocupante, pois são eles os mais importantes para a política monetária do país", salienta.
Esta matéria tem: (0) comentários