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Gustavo Werneck - Estado de Minas
Publicação: 06/06/2010 08:09
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| O interior de teatro é exuberante e apresenta acústica perfeita |
O palco barroco das artes está em festa e promete cenas de grande emoção. Moradores da histórica Ouro Preto, na Região Central, a 95 quilômetros de Belo Horizonte, comemoram hoje os 240 anos da Casa da Ópera, um dos maiores bens do seu patrimônio cultural e o teatro mais antigo das Américas em funcionamento. A programação começa às 15h (veja quadro) na Praça Tiradentes, no Centro Histórico, com desfile da Escola de Samba Mirim Princesa Isabel, seguido da apresentação teatral, entrega de troféu a benfeitores e show de viola na casa de espetáculos, que fica na Rua Brigadeiro Musqueira. A cidade está em plena ebulição, pois celebra também 313 anos de fundação e três séculos de elevação à categoria de vila, com novas festividades em 8 de julho.
Totalmente restaurado, com equipamentos cenotécnicos e sonoros modernos, o Teatro Municipal Casa da Ópera, de 300 lugares e de propriedade da prefeitura local, é “uma pérola da cidade”, como define o secretário municipal de Cultura e Turismo, Chiquinho de Assis. Ele destaca artistas que se apresentaram no espaço, como a atriz Violante Mônica, no século 18, a cantora lírica italiana Augusta Candiani, no 19, e, mais recentemente, os pianistas Arthur Moreira Lima e Nelson Freire, além da atriz Judith Malina, do grupo norte-americano Living Theater, e de Fernanda Montenegro, no século 20. “Quem está em cena pisa sobre um palco construído nos tempos coloniais, mas totalmente antenado com a produção vanguardista do século 21. Aqui bate o nosso coração cultural”, entusiasma-se o secretário. A expectativa é de compra de mais equipamentos, com verba assegurada por emenda parlamentar.
De acordo com pesquisas históricas, a data de inauguração do teatro, na antiga Vila Rica, foi escolhida por ser o dia do aniversário do então rei de Portugal, dom José I (1714-1777), um amante do teatro lírico. Embora recebesse, desde o início, artistas vindos de várias regiões do Brasil, principalmente do Rio de Janeiro (RJ), o prédio, construído pelo coronel João de Souza Lisboa, com provável projeto arquitetônico de Mateus Garcia, enfrentou períodos difíceis. Em 1854, uma lei provincial autorizava a construção de uma casa de espetáculos na então Imperial Cidade de Ouro Preto, enquanto a pioneira necessitava de reformas, as quais só foram feitas porque erguer um novo espaço ficaria muito caro.
Dessa forma, o governo provincial repassou recursos para a Sociedade Dramática local, que ficou responsável pela reforma do prédio, concluída em 1862. Mais de um século depois, em 1977, durante grande intervenção, foram descobertas, acima da boca de cena, pinturas das máscaras da tragédia e da comédia, supondo-se que tenham sido feitas entre 1854 e 1862.
Em 2006, a Prefeitura de Ouro Preto, com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Programa Monumenta/Ministério da Cultura (MinC), restaurou o imóvel, investindo também na troca de mobiliário, cortinado e adequação dos camarins, com a instalação de espelhos e barras na sala de ensaios. A reabertura ocorreu em 7 de julho de 2007, com uma extensa agenda. Há um ano, a casa se tornou sede oficial da Orquestra Ouro Preto. A cada última sexta-feira do mês, o teatro traz o programa Conto 7 em ponto, com contadores de histórias, fruto da parceria com o Instituto Aletria.
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