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| Marco Simas aposta em criação coletiva para dar forma à sua obra |
A mera transposição do conteúdo, originalmente escrito para o impresso, para o meio eletrônico já não é o bastante. A Bienal também vai presenciar o que vem sendo chamado de primeiro lançamento de um livro transmídia brasileiro. O termo, recorrente na grande mídia televisiva americana, por exemplo, que espalha seus programas em blogs, sites e perfis em redes de relacionamento, já flerta com a literatura e chega ao Brasil com O último trem, do mineiro radicado no Rio de Janeiro, Marco Simas.
Ao longo da narrativa, a vida do protagonista, Miguel, se confunde com cenas, trechos e falas dos clássicos do cinema. O leitor poderá saber pelo hotsite todas as informações sobre os filmes e assistir alguns trechos pelos links de sites de compartilhamento de vídeos. Interatividade com o leitor é o conceito. Para completar a experiência, o autor dá vida aos personagens no meio virtual pelas redes sociais. É ele por trás do Twitter de uma das personagens. “Vou te contar, isso tem me dado um trabalho que você nem imagina”, confessa Simas.
Para ele, o tempo em que o autor entregava a obra pronta não condiz mais com a demanda do público atual. O autor explica que “no fundo, é uma proposta de atrair novos leitores e incentivar que a coisa caminhe por conta própria”. Como é comum o comportamento de fãs na internet desenvolverem perfis para os personagens e criarem suas próprias fan-fictions, o que Simas pretende é dar uma mãozinha. Além disso, o livro é lançado simultaneamente em formatos compatíveis com leitores eletrônicos, PDF para leitura em computadores e também para celulares.
“É preciso trabalhar o conteúdo para explorar essas mídias. O e-book do jeito que é reproduzido hoje, como versão em bits do livro impresso, estará com dias contados. O leitor que vai consumir esse conteúdo virtual vai querer vídeos, hiperlinks na internet”, diz Newton Neto, da Singular Digital, do grupo Ediouro, que trabalha junto a editoras, na conversão dos arquivos para formatos compatíveis com os leitores e na impressão sob demanda. Simas, contudo, adverte: “Não necessariamente vamos escrever sempre pensando nisso. Essas estratégias transmídias não adiantam nada se o conteúdo não for atraente, se não for uma boa literatura”
A HISTÓRIA CONTINUAA coleção BH – A cidade de cada um tem curiosa extensão on-line. “A coleção fala sobre os lugares da cidade, a partir da vivência pessoal dos autores. Mas a história é muito mais que isso; então a ideia é complementar, no site, onde cada pessoa pode relatar a sua vivência”, explica Silvia Rubião, diretora da Conceito Editora. A ideia é complementar as edições impressas, criando memória coletiva mais abrangente, ultrapassando os limites do livro.
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