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Gastronomia de luxo impulsiona lucros do comércio especializado em BH

Tetê Monteiro - Estado de Minas

Publicação: 18/04/2010 07:51 Atualização: 18/04/2010 09:50

João Emílio, da Gourmet, e o saquê com flocos de ouro, remessa que triplicou a pedido dos clientes - (Cristina Horta/EM/D.A Press. Brasil)
João Emílio, da Gourmet, e o saquê com flocos de ouro, remessa que triplicou a pedido dos clientes

O paladar do brasileiro está cada vez mais apurado e, com a sofisticação à mesa, os negócios que movimentam a gastronomia mais elaborada crescem a passos largos no país. Fornecedoras de alimentos especiais para consumidores exigentes registraram crescimento anual médio de 50% nos últimos três anos, segundo consulta feita pelo Estado de Minas a seis empresas do ramo. E a fome para abocanhar novos negócios está voraz. As previsões de faturamento para este ano seguem na mesma proporção. Com isso, o tão propalado “estilo de vida gourmet” não deve fazer dieta. Só a Costazzurra, por exemplo, vai lançar uma gama de ingredientes, entre o quais o scargot da Borgonha (França), produtos à base de tartufos nero e bianco (iguarias italianas) e pimentão na brasa em calda de mel, à moda do Peru.

O momento também é saboroso para os investidores em culinária japonesa. A Rede Gourmet, empresa que foi criada para otimizar as compras de sete restaurantes mantidos em Belo Horizonte, aumentou em 70% a importação de ovas no período de apenas um ano e meio de funcionamento de uma das casas, o Udon. Já o comércio de saquês premiun, além de lucrativo, é dourado, literalmente. A companhia importou há três meses uma caixa da bebida com flocos de ouro para testar o potencial de venda do produto. Este mês, precisou triplicar a compra.

“O mercado da alta gastronomia se expande há cinco anos em Belo Horizonte. Para abastecer o Udon, usamos produtos premiun, seja nacionais ou importados. Compramos direto de fornecedores japoneses ou brasileiros e os negócios não param de crescer. Dependendo do produto, como barbatana de tubarão, o retorno chega a superar os 70% ao ano”, afirma o sócio-proprietário da Rede Gourmet, João Emilio Gonçalves Soares.

Empresas tradicionais também comemoram a lucratividade alcançada. A venda de azeites da espanhola Borges subiu acima da média nacional e a elevação é creditada ao aumento da importação de óleos especiais. “O mercado de azeites cresce 30% ao ano no Brasil. Nós crescemos 50% e a tendência é de alta com a desvalorização do euro, o que acaba beneficiando o consumidor”, explica o diretor de marketing da empresa para a América Latina, Bernardo Pontes. A Borges começou a investir na alta gastronomia há apenas quatro anos. Além da sua linha de azeites especiais, importa vinagres finos, como o italiano balsâmico de Modena Reserva, envelhecido em barril de carvalho e feito de vinho especial para sua elaboração e não do refugo da bebida, como é o usual. No varejo, uma garrafa de 250ml, não custa menos de R$ 25, preço 10 vezes superior aos dos condimentos comuns.

Mas os consumidores parecem não se incomodar em pagar mais por um produto especial. Só em Minas, a importadora Colavita cresceu mais de 300% nos últimos 10 anos e Belo Horizonte está entre as quatro maiores cidades consumidoras de azeite e massas da marca no país. O carro-chefe da empresa é o azeite extra virgem da Toscana-DOP (Denominação de Origem Protegida). A garrafa de meio litro é comercializada a R$ 70, em média. Na linha das conservas, o destaque vai para o coração de alcachofra conservado em azeite extra virgem. No varejo, a embalagem de 3,9 kg não sai por menos de R$ 500. Um outro atrativo são as massas Giusseppe Cocco, consumidas no Vaticano e pela rainha da Inglaterra, Elizabeth II. “O preço é de aproximadamente R$ 16 o pacote de 500 gramas”, diz o representante da importadora em Minas, Júlio Cezar Fonseca.

Engana-se quem pensa que apenas produtos importados fazem sucesso na mesa de quem aprecia alimentos premium. Empresas que investem em produtos nacionais também contabilizam lucros. A VPJ Beef, especializada em cortes de carnes nobres, cresce, em média, 50% ao ano e informa que o ritmo só não é maior por falta de matéria-prima (animais qualificados). O quilo de french rack (carré francês) da marca custa até R$ 120 no varejo. Segundo a empresa, o preço alto se justifica em função de o corte ser retirado da área lombar do cordeiro cruza Dorper com idade inferior a 5 meses e peso de carcaça de 17 kg. Nesse caso, os cortes importados similares custam 30% menos, em média.

A Nestlé inaugurou o Chocolate Centre of Excellence, em Broc, na Suíça, de olho nos segmentos premium e de luxo, que, conforme a empresa, cresce acima da média de outros chocolates. O investimento de US$ 23,5 milhões reforça a estratégia da multinacional voltada à sofisticação dos produtos Se a sobremesa agrada, os vinhos também prometem. O proprietário da Expand, empresa que atua há 30 anos no mercado, Alexandre Ferreira, diz que o brasileiro se interessa cada vez mais pela bebida de qualidade. “O mercado é crescente desde os anos 1990. A nossa média de expansão nos últimos cinco anos é de 25%”, afirma. Na empresa, que tem 1,5 mil rótulos de 16 países, incluindo apenas um nacional (Vinícola Filial), pode-se encontrar garrafas ao custo de R$ 12 mil (Romanée-Conti, safra 2006). E não há estoque: “Tudo que chega, vendo. A média é de seis garrafas por ano”, comemora o empresário.

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