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| Criado
pela UFMG, ferramenta consegue mapear reações de internautas diante dos mais variados assuntos |
Eleições presidenciais e copa do mundo. Dois dos mais significativos eventos para o público brasileiro este ano estão no alvo do recém-lançado Observatório da web, que monitora em tempo real os ânimos de quem fala o que pensa na internet. Servem desabafos em blogs, no Twitter, no Facebook, além de 111 jornais e revistas on-line e portais de notícias. Criada no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para a Web, coordenado pela UFMG, a ferramenta é capaz de traçar um mapa das reações positivas ou negativas dos internautas, a respeito de determinado assunto.
De acordo com o professor Wagner Meira Jr, pesquisador do instituto, a plataforma não pretende o mesmo status das pesquisas eleitorais – instrumento notoriamente decisivo nos pleitos no Brasil. “O valor estatístico não se compara a uma pesquisa eleitoral, o que mostramos é o ‘barulho’ causado na internet sobre aquele candidato. Não medimos o que a população diz, mas o volume de conteúdo digital e seu teor”. Ele lembra que, do total da população brasileira, apenas de 27 a 30% têm acesso à rede. Os que participam ativamente das discussões representam parcela ainda menos significativa.
Para isso, dezenas de softwares trabalham desde novembro, extraindo e processando trilhões de dados da internet. A ferramenta deve ficar totalmente pronta em outubro, mas já é possível acessar o site observatorio.inweb.org.br e conferir os indicadores que refletem, por exemplo, a popularidade dos presidenciáveis. Durante a copa da África do Sul, um placar inusitado (fisicamente instalado em estande oficial brasileiro naquele país) vai revelar opiniões sobre os jogadores e as seleções, em tempo real nas redes sociais.
No caso das eleições, fenômenos curiosos salpicam a visita ao Observatório. O site traça panoramas qualitativos de várias maneiras diferentes. Uma delas é a nuvem de tags – um amontado de palavras que denotam os tópicos mais comentados nos sites analisados pelas ferramentas. Como piadinhas são inevitáveis na web 2.0, surgem algumas, digamos assim, tendências inusitadas. Por exemplo, a tag #narcisaparapresidente, em alusão à piada que corre na rede pedindo a candidatura da socialite carioca Narcisa Tamborindeguy.
A ferramenta que avalia tuíts positivos e negativos é incrivelmente precisa. Consegue, aparentemente, captar até ironias próprias ao léxico do microblog. É capaz, por exemplo de classificar o tuít “Eu votaria na Dilma Roussef #twittealgumacoisabêbado” como negativo. Uma medição de polaridade traça o gráfico da repercussão (linha verde para comentários positivos e vermelha para negativos), para cada um dos presidenciáveis: também é possível saber o que se fala na tuitosfera sobre José Serra, Ciro Gomes e Marina Silva.
“Funciona com um processo de melhoria que tem intervenção humana – o algoritmo tem certeza de algumas coisas; as que ele não entende são analisadas por uma equipe que a partir de processos estatísticos e experimentais categoriza o tuít como positivo ou negativo”. Como o tema é delicado, ainda não há definição sobre a permanência, na versão final do Observatório, dessa parte específica da polaridade (tuíts positivos e negativos).
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