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Interação social » Exposição em BH retrata o cotidiano de seis comunidades carentes Participantes de programa de mediação de conflitos fazem exposição e mostram como aprenderam pela fotografia a enxergar e enfrentar sob nova ótica desafios do dia a dia

Junia Oliveira - Estado de Minas

Publicação: 28/03/2010 11:46 Atualização: 28/03/2010 12:01

Em mostra aberta até maio, integrantes do projeto exibem frutos de trabalho que ajuda a mudar a realidade de onde vivem - (Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
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Em mostra aberta até maio, integrantes do projeto exibem frutos de trabalho que ajuda a mudar a realidade de onde vivem

Pela lente de uma câmera fotográfica, moradores de comunidades carentes e com altos índices de criminalidade aprenderam a se reconhecer e a ter uma outra visão sobre o ambiente onde vivem. A experiência soou como um sopro de novas perspectivas para 65 pessoas do Morro das Pedras, Pedreira Prado Lopes e Taquaril, nas regiões Oeste, Noroeste e Leste de Belo Horizonte, respectivamente, Vila Cemig e Conjunto Esperança, no Barreiro, e nos bairros Veneza, Jardim Metropolitano e Rosaneves, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH. O resultado são 24 fotos no formato 95cm x 65cm, que deram origem à exposição Reflita o conflito, no Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação, no Centro da capital, aberta até 7 de maio. O trabalho foi produzido durante as oficinas do Programa Mediação de Conflitos da Superintendência de Prevenção à Criminalidade, da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).

A mostra nasceu como uma resposta às demandas trazidas pelas comunidades. O projeto teve início em 2009 e as oficinas foram feitas de novembro a fevereiro deste ano. As aulas foram ministradas pelos fotógrafos do grupo Coletivo Agnitio, formado por Henrique Teixeira e Marilene Ribeiro. Em cada comunidade foram promovidos, em média, oito encontros. Depois de discutir sobre a arte fotográfica e os problemas das comunidades, os participantes escolheram um tema e saíram a campo para fotografá-lo. Cada comunidade produziu cerca de 1,5 mil imagens.

O fotógrafo Henrique Teixeira afirma que a metodologia criada tem como objetivo dar oportunidade às pessoas de reconhecer ou criar a própria identidade. “O interesse é usar a foto como forma de integração social, uma ferramenta para mobilizar as pessoas dentro do conteúdo estético”, diz. Segundo ele, as temáticas abordadas são variadas, mas, em geral, está presente a prevenção à criminalidade. “Quando as pessoas começam a fazer imagens, estabelecem relações com o lugar onde estão e ações práticas para o cotidiano delas. Há um ganho afetivo e a valorização desses locais”. A coordenadora do Programa Mediação de Conflitos, Sandra Mara de Araújo Rodrigues, relata que o objetivo do projeto é pensar nas tensões enfrentadas pelas comunidades, tendo como pano de fundo a coletividade. “É um trabalho também que busca a desmaterialização da violência, que é tão presente a ponto de ser natural. No projeto, eles percebem que não é”, ressalta.

Leandro registra a mostra - (Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Leandro registra a mostra
INTERVENÇÕES


Leandro Barbosa Neves, de 25 anos, morador do Bairro Rosaneves, é um dos alunos que vão usar os conhecimentos para mudar a própria realidade, ajudar no trabalho da comissão de saúde da qual faz parte e nas redes sociais da internet. Por meio das lentes ele relatou a falta de médicos no bairro (problema já foi solucionado, com a contratação de um profissional e de uma enfermeira), a mulher que é oprimida pelo marido e vícios, com bebida e cigarro. As primeiras ações já estão em curso. “Tirei foto de uma ambulância quebrada para usar no cartaz que convida as pessoas a participarem da comissão. Precisávamos de uma imagem que impactasse o pedido de salvar a saúde”, conta.

A comerciária Celsinha Jacinto Lourenço da Silva, de 48, também sentiu as mudanças. “Conhecemos o bairro superficialmente e, durante as caminhadas para tirar as fotos, pude ver muita coisa que pode ser mudada, principalmente na área de limpeza urbana, como lixo espalhado e animais soltos”, diz. A universitária de pedagogia, que sonha em estar diante da sala de aula, já começou a se movimentar em busca de soluções. Junto com a mediação de conflito, o grupo, que está em frequentes reuniões com estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais e o Centro de Controle de Zoonoses da cidade, montou uma comissão para tirar o lixo da rua. “Antes, eu era simplesmente moradora do bairro. Para cuidar, é preciso andar e conhecer qual problema atinge a comunidade.”

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