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| Em Mariana, biblioteca de ciências sociais da Ufop é apenas prateleira |
Basta uma chuva fina para que a biblioteca da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), no câmpus Mariana, na Região Central de Minas, fique toda alagada. Baldes d’água e panos de chão já são deixados a postos quando aparece uma nuvem mais carregada. Mas a precaução vale apenas para evitar tombos e escorregões, pois os livros correm pouco risco de encharcar. Até porque eles são uma raridade no espaço. As prateleiras vazias são prova da escassez de material didático e de pesquisa. As poucas obras literárias existentes são acomodadas, sem nenhuma dificuldade, na parte mais alta das estantes. Mas as limitações da unidade não se restringem à biblioteca. Atrasos na construção de prédios, problemas na contratação de professores e falta de laboratórios tornam ainda mais crítica a situação de quase 700 estudantes dos novos cursos de comunicação social, serviço social, economia e administração, que chegaram à instituição em 2008, com a abertura de vagas pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).
A carência de infraestrutura denunciada pelos estudantes é confirmada também pelo diretor do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) do câmpus Mariana, José Benedito Donadon Leal. Para evitar que a situação se agrave ainda mais com a chegada de novos alunos, ele chegou a pedir à reitoria da Ufop a suspensão do próximo vestibular, previsto para julho deste ano. "Enfrentamos um exercício de superação diária. Começamos os trabalhos na unidade em 2008, com a promessa de que os novos prédios estariam prontos este ano, mas o cronograma está muito atrasado. E isso já traz prejuízos para a formação dos alunos, porque faltam condições mínimas em laboratórios e bibliotecas e até as salas de aula funcionam de maneira muito improvisada", denuncia o diretor do ICSA.
Os casos mais críticos no câmpus, segundo José Benedito, são os cursos de comunicação social, sem laboratórios adequados para as turmas de rádio e televisão, e o de serviço social, sem professores contratados para seis disciplinas. "Quatro colegas de sala já desistiram do curso por causa dos problemas e muitos alunos não estão vindo, porque já sabem que não haverá aulas. Por ser um curso novo, era esperado que houvesse adequações, mas imaginei que pelo menos sala de aula e professor nós teríamos", lamenta Bruna Versuti, de 23 anos, que veio de Santos (SP) para cursar serviço social na Ufop.
Todas as reclamações estão listadas numa longa carta que o Diretório Acadêmico (DA) de Comunicação Social entregou recentemente à reitoria. Mas, segundo o integrante da Comissão de Infraestrutura do DA Lázaro Borges, poucas promessas foram cumpridas até o momento. "A previsão era de que a reforma do atual prédio estivesse pronta no início do ano e a construção dos novos espaços terminasse no ano que vem, mas o cronograma está muito atrasado. Até o bandejão está funcionando de maneira improvisada, no saguão do prédio, sem condições mínimas de higiene", denuncia Lázaro.
Apesar dos pedidos, o reitor da Ufop, João Luiz Martins, garantiu que o vestibular do meio do ano está mantido e que os novos alunos serão acomodados, provisoriamente, em salas alugadas num colégio vizinho ao câmpus. “O Reuni é um programa importante, que está abrindo vagas para estudantes que nunca teriam chance de chegar ao ensino superior. Todo início tem atropelos e dificuldades. Reconheço que precisamos melhorar a infraestrutura, mas nove salas de aula já foram reformadas, há laboratórios para todos os cursos, os livros estão chegando, os professores estão sendo contratados e o restaurante universitário, mesmo que ainda não esteja em condições ideais, oferece diariamente almoço e jantar para os estudantes. Está tudo planejado e os recursos já estão assegurados.”
Na Ufop, foram criados 14 cursos e outros 16 foram ampliados com o Reuni. Nos dois últimos anos, a universidade contratou 77 professores e 86 funcionários técnico-administrativos. Ao todo, foram investidos cerca de R$ 20 milhões na reforma e construção de prédios, compra de equipamentos, despesas de custeio, manutenção e assistência estudantil. O Ministério da Educação (MEC) foi procurado pelo Estado de Minas, por telefone e por e-mail, para comentar os problemas, mas não quis se pronunciar sobre o assunto.
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