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| Prédio construído em 1913, que abrigou, por 20 anos, a cervejaria |
A esquina das ruas Maranhão e Aimorés, no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul, perderá hoje parte de seu charme e também da história cultural de Belo Horizonte. O casarão erguido no cruzamento das vias e que abrigou o Bar Brasil por 20 anos deverá ser demolido a partir das 17h para dar lugar a um espigão. Inconformados com a demolição do imóvel, frequentadores, entre eles músicos, poetas e jornalistas, se reuniram e fizeram festa de despedida na rua, em frente ao bar, na tarde de ontem.
Local de apresentação de performances artísticas e ponto de articulação, o bar teve entre seus frequentadores ilustres os músicos Milton Nascimento, Beto Guedes, Toninho Horta e Paulinho Pedra Azul. Beto, Toninho e Paulinho estavam sendo esperados para fazer a última homenagem ao local, se apresentando durante a festa de despedida. Show de músicos da nova geração, como Ian e Gabriel Guedes, também estava previsto.
A festa começou no início da tarde e seguiu até o início da noite. A chuva que caiu no fim da tarde atrapalhou um pouco a festa, sem, no entanto, apagar seu brilho, uma vez que os convidados não arredaram pé do local. O evento foi regado a chope e muita descontração por parte de quem fez do local mais que um ponto de encontro, fonte de inspiração. “É uma despedida do ponto em que nasceram poemas, músicas e fotografias”, afirmou o músico Sérgio Olly, que também se apresentou. No bar, ele compôs com Júlio Costa Val, entre outros, o chorinho Lamento carinhoso, que foi executado pela última vez nas imediações do casarão que será demolido.
Fundado em outubro de 1989, o bar ficou famoso por ser um dos pontos de encontro de um dos movimentos culturais mais importantes do Brasil, o Clube da Esquina. Ao lado da música e da literatura, os clientes destacam o valor arquitetônico do imóvel. “O prédio guarda a história dos primeiros anos de Belo Horizonte. De uma hora para outra fomos pegos de surpresa. Acreditávamos que pelo menos a fachada seria preservada”, afirmou o fundador do estabelecimento, Tadeu Ferreira Rodrigues. Desde 2003, a direção do bar havia mudado e, por isso, o fundador não acompanhou as negociações envolvendo o espaço.
A poeta e compositora Suzana Nunes de Morais avalia que a vida cultural da capital mineira perde com a demolição do espaço. “O Bar Brasil era um ponto de encontro de intelectuais e músicos. Quando você queria encontrar alguém, podia vir ao bar, que sempre abrigava pessoas interessantes”. Com a demolição, Suzana acredita que os frequentadores ficarão um pouco órfãos.
MemóriaO compositor Fernando Brant também compareceu para render sua homenagem ao Bar Brasil e lembrou que a gênese do encontro da turma foi no Bar do Tadeu, no Bairro Anchieta – Tadeu e os frequentadores se transferiram para o Bar Brasil posteriormente. Brant fez uma referência ao fato de o bar estar em uma esquina, demonstrando a importância dessas confluências urbanas. “É sempre lamentável o fim do ponto de encontro, mas a gente encontra outros. A cidade está cheia de esquinas”, amenizou.
Mesmo com a demolição do casarão, as histórias do Bar Brasil estarão na memória de Mateus Brant, de 11 anos. Filho de Pedro e Silvana Brant, casal que elegeu o local há 20 anos para momentos de encontro e descontração, Mateus quer que a contribuição do bar para a cultura da cidade não seja esquecida. “Sou o mais velho entre os filhos dos primeiros frequentadores. O Bar Brasil tem que ficar na memória”, disse o menino.
Esta matéria tem: (4) comentários
Autor: Aguinaldo souza
Que lamentável a perda de um espaço tão simples e tão encantador ao mesmo tempo. É simbolicamente pra mim a esquina dos que não tiveram a honra de viver os tempos primeiros da música mineira. A presença de tanta gente bacana alimentava minha vida de alguma forma. Vamos ter que eleger outro espaço. | Denuncie |
Autor: Eduardo Oliveira
Conheci o Bar Brasil, em 1992, época em que morava no Rio de Janeiro. É uma pena demolir uma construção tão bonita e com um significado tão grande para Belo Horizonte e para Minas. Sugiro ao propríetário que preserve a marca Bar Brasil em outro local. Que tal fazer um dentro do Mercado Central ? | Denuncie |
Autor: Luciana Grimaldi
E' uma tristeza saber desta demolicao... e' um absurdo a prefeitura continuar autorizando a destruicao da memoria de nossa cidade - porque nao exigir dos construtores a manutencao da faixada historica, acomodando-a/integrando-a ao q for construido? Existem exemplos semelhantes em BH, todos lindos. | Denuncie |
Autor: Jose Geraldo da Silva
PERGUNDO AOS NOVOS EMPREENDEDORES, PORQUE NÃO MANTER A FACHADA, OU APÓS A CONSTRUÇÃO, RETORNAR COM O BAR BRASIL, COM UM AMBIENTE VELHO DENTRO DE UM NOVO CONCEITO E ESTRUTURA. ABRIL ESPAÇO DENTRO DA MODERNIDADE PARA A HISTÓRIA DA CIDADE E DO SEU POVO. PORQUE NÃO? | Denuncie |