Rio —Sem reservas, o produtor de cinema Luís Eduardo Girão, associado ao sucesso do longa Bezerra de Menezes — O diário de um espírito, conta que, há nove anos, a síndrome do pânico lhe trouxe desestabilidade, pelo “vazio existencial saído do materialismo e da rotina de só trabalhar”. Foi nas reflexões do espiritismo que encontrou além do “bom senso”, um novo segmento de cinema, integrado a propósitos de mudança. “Nosso compromisso com a arte é de despertar as pessoas para sentimentos nobres. Para a solidariedade, para a compaixão e o amor ao próximo”, conta o representante da Estação Luz, associação que, a partir do investimento de R$ 2,3 milhões em Bezerra de Menezes, alcançou 505 mil espectadores nos cinemas, ao retratar a vida de um expoente espiritual do século 19.
A expectativa só aumenta com o ar contemporâneo da nova empreitada, na coprodução de Chico Xavier (de Daniel Filho), com “o terreno propício” para o lançamento em 2 de abril de 2010: uma Sexta-Feira Santa, exatamente no centenário de nascimento do médium. “O filme não tem a pretensão de levar o espiritismo para as pessoas. Não queremos fazer proselitismo religioso”, diz Girão. Com orçamento de R$ 10 milhões, a cinebiografia, pelas ressalvas do coprodutor, não expõe Chico como fenômeno, mas como alguém humano que, por exemplo, ficava até as cinco da manhã atendendo pessoas que tinham perdido parentes. Baseado em livro de Marcel Souto Maior, o roteiro da fita é assinado por Marcos Bernstein (de Central do Brasil).
Mesmo que não tenham modificado valores de Daniel Filho, as filmagens de Chico Xavier não deixaram de alterar a rotina dele, a todo momento, chamado pela responsabilidade. “Fico até preocupado, junto com o Nelson Xavier (um dos intérpretes de Chico), pela corrente positiva de expectativas das pessoas. Todos me dizem: ‘Olha, o filme vai sair muito bom’. E eu vou fazer o que sei, nada além disso. É um filme com o qual estou muito satisfeito”, comenta Daniel. O Correio acompanhou as filmagens no Rio de Janeiro.
Olhar ateu
Na opinião de Daniel Filho, diretor de Tempos de paz, há relevância para os espíritas na feitura do filme. “Mesmo com a visão distanciada de ateu, na verdade, eu conheci todos os tipos de manifestação para chegar ao que pretendo. Me aprofundei mais no ser humano, então, logicamente, passei a conviver mais com o pensamento do Chico. Ele realmente pregou o ‘amai-vos uns aos outros, como a si próprio’. O princípio franciscano, de bondade, de viver na pobreza, ele tinha por convicção. Vivia com o que precisava, que era muito pouco. O que ele deu para as pessoas, e representava, porém, era algo muito forte”, destaca.
O novo filão do cinema — que já engatilha, ao menos, mais quatro longas-metragens — traz cifras que se avolumam, alinhando empresas como a Sony, Lereby (de onde saiu o sucesso Se eu fosse você 2), Globo Filmes, Fox e Columbia Pictures. Adaptações de livros psicografados por Zíbia Gasparetto e Chico Xavier prometem refletir ainda em benefícios para entidades como a Casa da Prece (Uberaba), centros espíritas e ONGs dedicadas ao auxílio de crianças carentes. No caso de Chico Xavier, há cláusula contratual que determina a doação de 10% da renda total.
O produtor cultural, proprietário da Versátil (dedicada a segmento de qualificadas obras de cinema) e pesquisador espírita, Oceano de Melo conta que sempre sentia falta de filmes e cinebiografias com temática espírita, justo no país com o maior número de estudiosos centrados em estudos espiritualistas. Diante da lacuna, o empresário resolveu explorar o nicho, "dando seriedade e respeito que o tema exige". O envolvimento e os resultados — "com vendas que crescem a cada ano, devido ao boca-a-boca" — estimularam até o enfoque específico da Versátil, com a criação do selo Video Spirite. Além de apostar em clássicos como Joelma, 23º andar — o primeiro filme nacional com temática espírita, protagonizado por Beth Goulart — e Pinga-Fogo, que, em dois DVDs, resgata históricas entrevistas com Chico Xavier, nas quais discorre sobre cremação, aborto, sexo livre e cirurgias espirituais, a Versátil pôs no mercado criações próprias como Bicentenário de Allan Kardec — 4º Congresso Mundial Espírita — Paris; Eurípedes Barsanulfo — Educador e médium e O Espiritismo — De Kardec aos dias de hoje (esse com a sofisticação das legendas até em Esperanto). Vistoso, Chico Xavier — Inédito, de Pedro Leopoldo a Uberaba é outro dos títulos importantes, com recuperação de obras feitas em 1951, 1955, 1983 e 2007. Leia, abaixo, a entrevista com o estimulador dos feitos, Oceano de Melo.
Como foi detectada a demanda do segmento? O audiovisual é bom meio para difusão de doutrinas? Existe uma cobrança por parte dos espectadores espíritas?
As temáticas espíritas e espiritualistas estavam sendo abordadas no cinema, mas à maneira do público norte-americano que, culturamente, pratica o espiritualismo moderno (médiuns profissionais) e confunde os temas reencarnação e mediunidade, como se fossem práticas ligadas às religiões orientais e afro-católicas. Portanto, sabíamos que havia uma grande demanda para produtos espíritas, devido aos milhões de simpatizantes do espiritismo. O selo que criamos chama-se Video Spirite, do latim "Eu vejo espíritos" (o subtítulo do selo) e é justamente a memória audiovisual do espiritismo. É um meio fundamental para a preservação e a difusão da Doutrina Espírita, lembrando sempre que o espiritismo (e menos ainda a Versátil) não concorda com proselitismo religioso. Os espectadores espíritas esperam que os filmes e os extras que produzimos para os DVDs estejam de acordo com os preceitos da Doutrina.
Como vocês escolhem (a partir de que critério) os títulos na fila para lançamentos?
Os filmes diretamente produzidos por nós são documentários biográficos de grandes nomes da Doutrina Espírita, como Chico Xavier, Eurípedes Barsanulfo e Divaldo Franco. Quanto aos outros filmes e documentários, o critério é que eles tenham temas espíritas ou sejam relacionados à doutrina, desde que estejam de acordo aos preceitos do Espitirismo como postulados nos livros da Codificação Espírita, organizada por Allan Kardec entre 1857 e 1865 em Paris ( O Lívro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Céu e Inferno e A Gênese).
Qual a sistemática que envolve a produção audiovisual da Versátil?
Após rigorosa pesquisa histórica, realizamos toda a produção de documentários biográficos em longa-metragem sobre grandes vultos do Espiritismo, como o médium Chico Xavier, o professor Eurípedes Barsanulfo, o médium Divaldo Pereira Franco. Recentemente, acabamos de finalizar A grande síntese de Pietro Ubaldi, sobre o filósofo e pensador universalista italiano Pietro Ubaldi. Vale frisar que Ubaldi não era espírita, apesar de acreditar na reencarnação e de sua obra ter vários pontos de contato com o tema.
Autor:Reginaldo Abreu
Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos
enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espírito de
Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não
conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco
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Autor: Reginaldo Abreu
Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco | Denuncie |