O Brasil vai conhecer nesta sexta-feira a medida exata do fracasso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O Ministério da Educação (Mec) divulga, nesta manhã, o resultado da terceira e última etapa do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa as notas do Enem para oferecer vagas em universidades federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia. Mas, mesmo antes do fechamento dos dados oficiais, os números já dão provas do fiasco em que se transformou o teste. Quase a metade das 47,9 mil vagas oferecidas nas duas primeiras etapas não foram preenchidas. E a falta de confiança dos estudantes no novo modelo proposto pelo MEC para substituir os tradicionais vestibulares é tanta que sobram cadeiras não apenas em cursos pouco reconhecidos ou em universidades nos confins do país. Até mesmo os mais concorridos, como medicina veterinária na Federal de Lavras (Ufla), estão com as turmas incompletas.
Em Minas, o total de vagas ociosas nas universidades federais é ainda maior que o índice nacional. Enquanto o Brasil tem 45% de cadeiras não preenchidas, o estado registra sobra de 49,9%, com 2.586 lugares remanescentes. O caso mais crítico é o da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), que tem 695 vagas ainda abertas. O curso de humanidades oferecido pela instituição no câmpus de Diamantina é o campeão em sobras, com 150 vagas à espera de interessados. O caso da Ufla também salta aos olhos. A universidade, uma das mais conceituadas e disputadas de Minas, tem 490 cadeiras livres. A graduação em medicina veterinária, que no último vestibular teve 51,8 candidatos concorrendo a cada vaga, amarga agora 31 lugares vazios. E agronomia, que já teve índice de 17,3 candidatos/vaga, tem hoje 65 vagas.
A sobra de cadeiras é decorrente do pouco interesse dos alunos em se matricular nas universidades que, pela primeira vez, abriram mão de seus vestibulares tradicionais para selecionar alunos exclusivamente pela nota do Enem. Ao todo, 51 instituições federais de ensino, entre universidades e institutos de educação, ciência e tecnologia, ofereceram 47,9 mil vagas pelo Sistema de Seleção Unificada, que funciona como um leilão de cadeiras. Na primeira etapa, quase 800 mil alunos se inscreveram no Sisu, mas apenas 18,6 mil dos aprovados fizeram a matrícula na universidade. Já na segunda fase, apenas 7,5 mil vagas foram preenchidas, restando um total de 21,7 cadeiras para esta última etapa.
O Mec não admite o fracasso da proposta que foi concebida para ser o novo modelo de vestibular no país e atribui o grande número de vagas ociosas no Sisu à falta de compromisso social de muitos estudantes, que teriam feito a inscrição no sistema on-line sem a intenção de se matricular nos cursos. Mesmo se eximindo da culpa, o governo federal considera a possibilidade de mudanças em alguns critérios, a partir da próxima edição do concurso. Uma delas, anunciadas na última semana, é a adoção de uma lista de espera, em que os estudantes não selecionados na terceira etapa podem manifestar interesse em continuar concorrendo a uma vaga.
Aprovado em Rondônia
Os colegas Saulo Henrique Neves de Souza, Gabriella Monteiro Carneiro e Matheus Rodrigues Melo, todos de 18 anos, são exemplos de estudantes aprovados no Sisu que desistiram da vaga. Mesmo com lugar garantido em universidades federais, eles optaram por se matricular num cursinho pré-vestibular e batalhar por uma cadeira em instituições de ensino mais próximas de casa. “Passei em engenharia elétrica na Universidade Federal de Rondônia e desisti por causa da distância. Preferi estudar mais um pouco e tentar passar numa universidade mineira, de preferência na UFMG”, diz Matheus.
Já Gabriella confessa que participou do sistema que usa a nota do Enem apenas por curiosidade. “Minha prioridade é conseguir uma vaga em farmácia, em Belo Horizonte. Mas, como não passei no vestibular, decidi me inscrever no Sisu só para ver se tinha chance. Acabei passando em ciência e tecnologia, na UFVJM, mas não quis nem me matricular”, conta. A assessoria do MEC informou que nenhum representante da pasta vai comentar o assunto.
Esta matéria tem: (4) comentários
Autor: fernando beltrao
Um escândalo! Assim podemos definir o que houve com o Enem. Veja no blog "a educação em noticia", em fernandobeltrao.zip.net um verdadeiro DOSSIÊ SOBRE OS ABSURDOS DO ENEM. Duvido que você ainda se omita!!! | Denuncie |
Autor: Reuel Rodrigues Pereira
Abaixo a política assistencialista. Não adianta facilitar a entrada na universidade e diminuir o nível da educação. Tem que ser difícil mesmo. Falei. | Denuncie |
Autor: Insivi Industria Siderugica Viana
O Sr.Rafael Moreira está precisando aprender escrever. | Denuncie |
Autor: rafael moreira
NA MINHA OPINIAO, O VESTIBULAR UNIFICADO SI TORNOU UMA OTIMA FORMA DE AVALIAÇAO PARA SI INGRESSAR NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS, MAS INFELISMENTE MUITOS FAZEM AS PROVAS E PASSAM MAS NAO FAZEM A MATRICULA, DEIXANDO ENTAO OS QUE NECESSITAM EM ESPERA DA BOA VONTADE. | Denuncie |