A permissão do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os acionistas minoritários participarem da capitalização da Petrobras é um bom negócio, mas não garante que eles mantenham sua atual participação na empresa. Nos últimos quatro anos, apesar da crise econômica que derrubou o preço dos papéis da empresa em 46% em 2008, a valorização da ação preferencial da estatal do petróleo acumulou ganhos de 109%. Poucas aplicações financeiras acompanharam esse ritmo. No período, a inflação oficial, medida pelo IPCA, acumulou 16,9%. Entre as apostas das principais corretoras e bancos de investimentos brasileiros para a valorização de ações em 2010, a Petrobras aparece em segundo lugar, atrás apenas da Vale. No longo prazo, as perspectivas também são positivas.
“Se os trabalhadores que têm papéis da Petrobras não tivessem investido em ações nos últimos quatro anos, só para dar um exemplo, levariam bons anos até conseguir a valorização alcançada pelas ações da estatal”, diz Marco Saravalle, da Coinvalores. Só em 2009, quem aplicou nesses papéis ganhou 65%. Os trabalhadores com recursos no FGTS que aplicaram em ações da companhia em agosto de 2000, tiveram ganho de 730% até agora. Mas quem optou pela Vale ganhou mais: 1.170% em oito anos.
A liberação do uso de 30% do saldo do fundo para a aquisição de ações da estatal de petróleo, porém, é limitada à participação de quem já usou o FGTS para comprar os papéis. Além disso, não é garantia de que os minoritários conseguirão manter a sua cota atual de participação na empresa, alertam os analistas de investimento. A expectativa é de que a oferta de ações da Petrobras ao mercado some US$ 50 milhões, o que vai diluir a atual participação dos pequenos acionistas na empresa. “A capitalização vai prejudicar os minoritários de qualquer maneira porque o montante é muito grande. Para manter a cota atual que têm na empresa, pode ser que os trabalhadores tenham que aportar dinheiro do próprio bolso”, acredita Saravalle.
Da mesma forma, Erick Scott, da corretora SLW, acredita que a permissão de uso do FGTS não resolve problema dos minoritários. O saldo total do FGTS poderá sofrer uma baixa de até R$ 2 bilhões com a aprovação. Para ele, isso ainda é pouco diante do montante que deverá envolver a capitalização. “O acionista corre risco de perder participação. Ele terá que aderir à oferta”, confirma. Em outras palavras, os trabalhadores terão que colocar dinheiro do próprio bolso, além da cota do FGTS, caso queiram evitar que sua participação na empresa diminua.
Outro destinoUm dia depois de o plenário da Câmara ter aprovado a emenda que permite a utilização de recursos do FGTS para a capitalização da estatal do petróleo, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que o governo é contrário à medida e explicou os motivos.
Segundo ele, em primeiro lugar existem compradores para "as ações da Petrobras no Brasil e no mundo fartamente". Depois, o governo prefere usar os recursos do FGTS para uma aplicação "mais nobre, para saneamento, água potável, e construção de casas populares". Lobão afirmou que o governo entende que essa é uma aplicação "infinitamente" preferencial para o povo do que comprar ações, "o que significa proteger pessoas físicas, ainda que trabalhadores, que vão ganhar dinheiro com a valorização das ações".
Esta matéria tem: (1) comentários
Autor: Jose Carlos da Silveira Machado
Aplicação nobre, nesse caso, não beneficia em nada o trabalhador dono FGTS. Não há nenhuma atratividade no rendimento de FGTS, com rendimentos abaixo do nível de poupança. Sou a favor de liberação de 60% para investimento em ações da Petrobrás. | Denuncie |