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Na Real: 45% dos brasileiros abrem negócio por necessidade

Paola Carvalho - Estado de Minas

Zulmira Furbino - Estado de Minas

Publicação: 28/02/2010 08:54 Atualização: 01/03/2010 09:09

O consultor empresarial do Sebrae Haroldo Motta, orienta Mauro e Paulo, futuros sócios-proprietários de um centro automotivo - (Os amigos Mauro e Paulo buscam consultoria no Sebrae para abrirem um centro automotivo)
O consultor empresarial do Sebrae Haroldo Motta, orienta Mauro e Paulo, futuros sócios-proprietários de um centro automotivo

No Brasil, 45% das pessoas que resolvem abrir uma empresa na verdade buscam um trabalho e uma fonte de renda. Ou seja: não tomam essa iniciativa porque têm espírito empreendedor, mas por necessidade. Os outros 55%, sim, montam um negócio porque vislumbram uma boa oportunidade de ganhar dinheiro. Esse foi o resultado de um levantamento realizado pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), pesquisa global sobre atividade empreendedora, referente a 2009. A falta de talento – ou de preparo para empreender – leva muita gente a enfiar os pés pelas mãos. Abrir uma empresa e colocá-la em funcionamento é muito mais difícil do que pode parecer.

Os irmãos Thaís e Henrique Marçal Dufflles e os amigos Mauro Souza Martins e Paulo Mourão Bastos que o digam. O projeto Na Real, lançado em janeiro pelo Estado de Minas, acompanha a trajetória deles na tentativa de emplacar um negócio, enfrentando os desafios que a economia brasileira impõe. A influência dos rumos econômicos do país na vida de outras seis pessoas em diferentes áreas também está sendo monitorada pela reportagem. Thaís e Henrique resolveram abrir uma loja porque estavam encontrando dificuldades no mercado de trabalho. Paulo e Mauro estão tentando abrir um centro automotivo. Em maior ou menor grau, todos enfrentam pedras pelo caminho. “Está um pouco mais difícil do que eu imaginava”, reconhece Henrique, que tem dificuldades para encontrar fornecedores, com o período de entressafra do comércio e até com a greve dos ônibus.

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Paulo e Mauro encaram apuros maiores na tentativa de abrir as portas da sua empresa. Este mês, receberam no local onde funcionará o centro automotivo a visita do consultor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG) Haroldo Santos Araújo. Recorreram ao Sebrae porque, depois de sete meses tirando dinheiro do bolso para injetar no sonho, perceberam que a trajetória para conseguir algum tipo de retorno ainda é longa. Para evitar que imprevistos adiem ainda mais os planos, Araújo questionou os sócios sobre os motivos que os fizeram escolher esse ramo e que afinidade têm com a atividade.

Paulo é engenheiro mecânico e, por isso, teria facilidade em coordenar os trabalhos. Já Mauro estudou ciências contábeis, como os pais. Assim, acredita que pode contribuir com a administração do negócio. “Vocês precisam pensar em tudo, se querem ter férias, se têm disposição para trabalhar em qualquer horário. É preciso ver se as questões pessoais batem com as características da atividade”, ensina o consultor do Sebrae.

Decidido o conceito do negócio, é hora de fazer o planejamento, orienta. Nesse momento, é preciso refletir sobre a localização, o processo de venda, como conseguir clientes, o que será feito para ocupar o mercado, quem são os fornecedores e os concorrentes, por que os clientes iriam à loja e não à do vizinho. Não foi fácil para os dois jovens empreendedores responder. “Primeiro, pegamos o galpão, para depois pensar em todo o restante. Acho que começamos de trás para frente, pensando que iriámos aprender fazendo”, diz Paulo.

O professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da Fundação Getulio Vargas (FGV) Pedro Paulo de Oliveira Melo alerta que o ingrediente essencial para abrir uma empresa de sucesso é planejamento. “Perde-se menos desistindo em tempo do que levando adiante uma má ideia”, diz. Já para consolidar o negócio, ele aconselha o empreendedor a não ter medo de crescer, desde que os riscos sejam calculados. Em 2008, pela primeira vez na série de pesquisas GEM, o Brasil atingiu a razão de dois empreendedores por oportunidade para cada empreendedor por necessidade. Esse fato deve ser comemorado como o primeiro degrau de uma longa escada de desenvolvimento.

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Confira o vídeo com o perfil de Mauro e Paulo:



Confira o vídeo com o perfil de Thaís e Henrique:


Esta matéria tem: (2) comentários

Autor: Luiz Guimarães Pereira
Um Exemplo: Em muitos casos uma pessoa sabe cortar um tecido e fabricar uma roupa bonita, com competencia, depois de pronta, vende "entrega" para um picareta e vai sumáriamente à falencia. Faltou competencia para gerir creditos a terceiros. | Denuncie |

Autor: Luiz Guimarães Pereira
Embora isto seja uma obviedade com pouca lógica do ponto de vista jornalistico, temos que admitir que sim. O motivo está um pouco desvirtuado estatisticamente, acho eu, pois o que falta mesmo é, nem tanto vocação e visão, mas o preparo para um conjunto de conhecimentos administrativos. | Denuncie |

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