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A rota do serial killer » Via Expressa é o principal corredor de fuga do maníaco

Paulo Henrique Lobato - Estado de Minas

Publicação: 15/02/2010 07:47

Desde o dia 2, quando o Estado de Minas publicou com exclusividade a caçada da Polícia Civil ao serial killer que violenta e estrangula mulheres na Grande BH, a corporação se viu pressionada pela população para prender o maníaco que matou três pessoas e é suspeito de mais duas mortes. Formada por delegados, agentes, escrivães, peritos e legistas, a equipe conseguiu peças importantes para montar o quebra-cabeça, tendo desvendado o modo de atuação do assassino, que só ataca mulheres de carro e as estrangula com objetos pessoais delas. Outras respostas podem estar no mapa que mostra o polígono de atuação e a rota de fuga do bandido.

O mapa sinaliza que a Via Expressa, entre BH e Contagem, é o principal corredor de escape do serial killer, mas indica que ele também pode ter usado o Anel Rodoviário. Por enquanto, o maníaco tem três mortes no cruel currículo, como confirmaram os exames de amostras de sêmen coletadas nos corpos de Ana Carolina Assunção, de 27 anos, morta em abril; de Maria Helena Lopes Aguilar, de 48, assassinada em setembro; e de Edna Cordeiro de Oliveira, de 35, cuja vida foi ceifada em novembro. A Polícia Civil acredita que o mesmo homem matou a universitária Natália Cristina de Almeida Paiva, de 27, estrangulada em outubro, e a comerciante Adina Feitor Porto, de 34, violentada em janeiro de 2009.

Suspeitas

O Corsa desta última foi achado sem combustível na Via Expressa, no Bairro Camargos, na Região Noroeste de BH, numa das faixas que levam a Contagem, segundo informou o marido dela, Iris Porto. A direção em que o carro foi localizado é uma pista importante, pois o veículo foi abandonado, sujo de terra, depois de o criminoso desovar o corpo da vítima, o que foi feito numa estrada de terra em Sarzedo, na Grande BH, a dezenas de quilômetros da Via Expressa. Uma hipótese é de que ele use o corredor para chegar em casa.

O local em que o Palio de Ana Carolina foi achado reforça a suspeita. O veículo dela, localizado a um quilômetro do Corsa de Adina, estava na Rua Governador Benedito Valadares, marginal da Via Expressa, no Bairro João Pinheiro, Região Noroeste de BH. O corpo de Ana Carolina, ao contrário do que ocorreu com o de Adina, foi abandonado dentro do carro. O de Maria Helena também: o Punto dela foi achado na Rua Trombetas, no Conjunto Califórnia, vizinho ao João Pinheiro, onde Ana Carolina foi encontrada, e perto do Camargos, local em que a polícia achou o Corsa de Adina. Um dos acessos ao Califórnia é a Via Expressa, desde que o motorista siga, depois, pela Avenida Cícero Idelfonso, que corta o João Pinheiro, ou pelo Anel Rodoviário.

Trapalhada

A morte da universitária Natália, cujo corpo foi encontrado na mata do Bairro Belvedere, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, também envolve a Via Expressa ou o Anel. Os dois corredores levam à BR-040, por onde o assassino seguiu para abandonar o corpo da universitária. Esse homicídio resultou na maior trapalhada da Polícia Civil nos últimos anos, pois o corpo da vítima ficou três meses no Instituto Médico Legal (IML) antes de ser enterrado com a lápide de indigente. Por outro lado, o caso de Natália sugere uma pista importante: dois empregados de uma mineradora que funciona no Barreiro de Baixo, onde o Strada dela foi encontrado, contaram à polícia que ajudaram o serial killer a empurrar o veículo, que havia apresentado defeito.

O “empurrãozinho” foi na Rua Jeferson Coelho, no Barreiro de Baixo, horas depois de o maníaco matar a jovem e abandonar o corpo. A ajuda de dois homens pode ser um sinal de que o criminoso age sozinho. E mais: é um indício de que não tem um cúmplice para lhe dar apoio. Se as duas hipóteses forem confirmadas, novamente a Via Expressa ganha importância no quebra-cabeça. O motivo é que o carro de Adina, encontrado em 28 de janeiro de 2009, na Via Expressa, sentido Contagem, foi achado sem combustível e, se o bandido agiu sozinho, fica a seguinte pergunta: o homem entrou em outro veículo para chegar em casa, como num táxi ou ônibus, ou continuou seu caminho a pé, pois moraria perto dali?
O marido dela questiona se a polícia já procurou saber se algum taxista fez a corrida naquela data na Via Expressa ou em corredores vizinhos. Outra pergunta: a Civil já consultou motoristas de coletivos que trabalharam naquele dia? Vale lembrar que é grande a possibilidade de as roupas do assassino estarem imundas de terra, pois, horas antes, ele havia matado a vítima numa via sem pavimentação em Sarzedo. Tanto a lataria do Corsa quanto o interior dele estavam sujos de terra.

Já o veículo de Edna foi localizado na Rua Vicente Ferreira Carneiro, no Bairro Industrial, a dois quilômetros da casa da vítima. Ele também estava sujo de terra. O corpo dela foi achado numa estrada de acesso ao condomínio Retiro das Pedras, em Nova Lima. A hipótese é de que ela foi assassinada onde os restos mortais foram encontrados, pois a perícia achou no interior do veículo o mesmo tipo de minério de onde o corpo foi desovado. A suspeita é de que ele abandonou o corpo e fugiu no Palio.

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