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Sabará » Vítima de maníaco vive em cadeira de rodas e evita relembrar história

Pedro Ferreira - Estado de Minas

Publicação: 12/02/2010 07:43 Atualização: 12/02/2010 08:05

A auxiliar de produção de 34 anos que escapou com vida depois de ser atacada e violentada em 7 de janeiro por um maníaco no Bairro Borges, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, está fazendo tratamento psiquiátrico e tentando se adaptar a uma nova rotina. Ela tem o corpo paralisado e movimenta apenas um dos braços. Depois de 30 dias no hospital, está numa cadeira de rodas, depende dos parentes para se alimentar e fala com dificuldade, pois seu cérebro ficou sem oxigenação na hora em que o criminoso tentou enforcá-la.

Além disso, tem crises nervosas quando fica sozinha. E não é apenas sua vida e a da família que passam por mudanças. “O bairro inteiro está com medo de sair de casa. Os maridos estão levando suas mulheres ao trabalho e voltando mais tarde para buscá-las, com medo de que aconteça o mesmo que ocorreu com minha irmã”, diz o serralheiro Silvânio Viana Lima, de 46 anos, irmão da vítima.

Ele tem ido a cada três dias à Delegacia de Sabará para cobrar mais empenho nas investigações. Quarta-feira ele foi ouvido em cartório. “A polícia alega que está dependendo de um juiz para ir para o interior e prender o sujeito. Diz que precisa ter uma prova concreta, como as declarações da minha irmã, mas ela ainda estava no hospital e não conseguia falar. Ela sabe quem é o rapaz, pois o viu quando foi agarrada, mas só lembra que ele bateu a cabeça dela numa árvore. Como ela desmaiou, não sabe dizer se outras pessoas chegaram e participaram do estupro”, diz Viana Lima.

Ela está muito traumatizada e revoltada, falando que a polícia tem que ir atrás do cara urgente”, acrescenta uma cunhada da auxiliar de produção. No dia seguinte ao ataque, o suspeito teria ficado sabendo que a vítima sobreviveu e teria fugido às pressas. Três dias depois, sua família colocou tudo que tinha numa van e também abandonou a casa. Eles moravam havia seis meses no Bairro Borges e há comentários de que o homem, conhecido como Jordan, chegou à região, com os pais e três irmãos, fugindo de uma cidade do interior, mas ninguém soube informar se ele cometeu crimes anteriormente. Ele é baixo, moreno claro, cabelos curtos e encaracolados e tem cerca de 20 anos. Jordan e a família teriam ido para Itaobim, no Vale do Jequitinhonha.

“Anotamos o número da placa do carro, guardamos as roupas e o cadarço que encontramos no local do crime, mas até hoje (ontem) a polícia não havia nos procurado”, diz o serralheiro. O cadarço guardado pela família foi encontrado ao lado da vítima, arrebentado. “Não era do calçado dela, pois minha irmã usava sandálias”, acrescenta Silvânio Lima, dizendo que “a polícia não pode descartar a hipótese do envolvimento desse suspeito em outros crimes”.

Uma amiga da auxiliar de produção de 41 anos conta que o suspeito sempre ficava “encarando” a vítima quando ela passava a caminho do trabalho, no mesmo bairro. “Eu já desci várias vezes com ela e sempre ele estava no portão da casa dele, vigiando. Eu acho que ela foi vítima de uma emboscada. Podia ser qualquer uma de nós, mas, infelizmente, ela teve a infelicidade de passar na rua sozinha naquele dia. Aqui no bairro, ninguém sabia da origem dele, que era mal encarado, muito calado e olhava para a gente de forma estranha”, diz a mulher.

A vítima disse a parentes que se lembra quando o sujeito a abordou: “Passe o cartão para cá, que você está entrando de férias e também a senha”, teria dito ele, levando-a para o matagal no fim da rua. “Ela acreditou que fosse apenas um assalto, mas também foi estuprada. A bolsa e todos os pertences dela, tudo foi levado”, comenta o irmão. A cabeleireira Maria Madalena Viana Silva, de 49, irmã da vítima, viajou do Amazonas para ampará-la. “A gente pede a Deus que nos dê força e que a Justiça divina ilumine a Justiça da terra.” Na tarde de ontem, policiais civis de Sabará estiveram na casa da vítima para ouvi-la e recolheram as roupas do dia do ataque, que certamente serão periciadas. A mulher reafirmou que o ex-vizinho foi o agressor.

Esta matéria tem: (2) comentários

Autor: Heliene Margareth Silva Vieira
Não achei correto voces divulgarem os nomes dos irmaos da vitima na materia. Poderiam ter usado apenas as iniciais. | Denuncie |

Autor: DORIANA DOMINGUES
Fiquei indiguinada, com o relato desta moça. E porque ainda dependem de um juiz para irem atrás deste monstro? Este caso por si só já é bastante para caçarem esta "besta". È simplemente revoltante. | Denuncie |

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