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Família de possível vítima de serial killer exige respostas

Pedro Ferreira - Estado de Minas

Publicação: 10/02/2010 06:27 Atualização: 10/02/2010 08:50

Familiares da estudante de direito Natália Cristina de Almeida Paiva, desaparecida desde 7 de outubro do ano passado, aos 27 anos, e que pode ser apontada como a quarta vítima do serial killer que violenta e estrangula mulheres no Bairro Industrial, em Contagem, exigem da Polícia Civil algumas respostas objetivas para o caso. A principal dúvida: por que a corporação não fez o exame de DNA nos restos mortais do corpo de uma jovem encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte, em 29 de outubro, e que foi enterrada como indigente no cemitério municipal de Ribeirão das Neves no mês passado?

O corpo foi exumado terça-feira – exatos 103 dias depois de os restos mortais chegarem ao IML – para que o Instituto de Criminalística faça exame na arcada dentária e de DNA e esclareça se a ossada é a da jovem. O resultado deve ser conhecido nesta quarta. Se os testes comprovarem que o corpo é da universitária, os órgãos da Polícia Civil – IML, Divisão da Referência da Pessoa Desaparecida e Divisão de Crimes contra a Vida (DCcV) – terão cometido um grande erro de comunicação, na avaliação dos familiares de Natália.

“Se ficar comprovado que o corpo é dela, houve um serviço muito porco. A gente, primeiro, quer ter a identificação confirmada. E essa comunicação (entre os órgãos), que não existe?”, desabafa Naiara Paiva, de 23, uma das duas irmãs da estudante. “É difícil entender o que aconteceu”, acrescenta Felipe Hermenegildo Paiva, de 20, primo da vítima. Mas uma certeza ele tem: o exame deveria ter sido feito no dia em que o corpo chegou ao IML, pois o mistério teria sido desvendado há mais de três meses, pelo menos amenizando a angústia e o sofrimento da família.

Os indícios apontam que os restos mortais são da universitária, pois a calça jeans e o tênis branco com detalhes em cinza que pertenciam a ela foram identificados por familiares depois de retirados da cova durante a exumação. Enquanto os exames eram feitos, parentes e amigos próximos à família foram à casa de Maria Aparecida de Paiva, mãe da vítima, para confortá-la. “Ela está desolada. Não come. Não dorme…”, informou a filha Naiara.

O sofrimento de Maria Aparecida, cuja certidão de nascimento homenageia a mãe de Jesus, começou no início da noite de 7 de outubro de 2009, quando Natália deveria ter retornado do estágio que havia conseguido numa imobiliária. Seria o primeiro dia dela na nova tarefa, mas a estudante, matriculada no 1º período de direito de uma instituição de Betim, não voltou para casa. Naquele dia, ela assistiria às aulas pela manhã e, à tarde, iria para o estágio. Porém, nem mesmo apareceu na faculdade.

O alerta de que algo de errado poderia ter ocorrido partiu de uma colega de sala da universitária. A amiga aguardava uma carona para ir à aula, mas Natália não apareceu no local combinado, no Bairro Amazonas, em Contagem. À noite, a colega ligou para a família da estudante de direito perguntado se algo havia acontecido, pois, além de não encontrá-la, as ligações que fizera para o telefone celular da estudante caíram na caixa postal. Natália deixou dois filhos, de 9 e 3 anos. Em nota, a Polícia Civil informou que não concederia entrevistas “até que o reconhecimento (dos restos mortais) se torne oficial”. A equipe que trabalha no caso acredita que a jovem é a quarta vítima do maníaco que violentou e matou comprovadamente três mulheres no ano passado, em Contagem, na Grande BH.

Perguntas à espera de respostas

1) Por que a Polícia Civil não fez o exame de DNA no corpo da jovem que deu entrada no IML de BH em 29 de outubro de 2009 e que agora pode ser identificado como o da estudante Natália Cristina de Almeida Paiva, desaparecida 22 dias antes?


2) Caso exames de identificação tenham sido feitos, por que não foi feita comparação com algum material da estudante ou de outros desaparecidos, como exames de sangue ou de dados odontológicos, que estivessem em poder das famílias?


3) A família de Natália identificou ontem as roupas da estudante em fotos feitas na época em que o corpo foi examinado no Instituto Médico Legal (IML). Por que elas não foram apresentadas antes aos parentes?


4) Houve falha de comunicação entre órgãos da Polícia Civil, como o Instituto Médico Legal e a Delegacia de Desaparecidos?


5) O que levou a Polícia Civil a enterrar o corpo sob a rubrica de indigente, sem tentar a identificação com famílias de desaparecidas, como a de Natália?


6) Por que passados mais de três meses da localização do corpo e 12 dias do enterro, a Polícia Civil se interessou por um desconhecido sepultado em Ribeirão das Neves como indigente? Outros corpos foram exumados?

3 7) Todo corpo sem identificação é enterrado como indigente ou a Polícia Civil faz exames de DNA nos restos mortais? Se a resposta for não, por qual motivo?

Esta matéria tem: (3) comentários

Autor: francys souza
Poxa, se havia o cadastro de uma família reclamando o desaparecimento de uma jovem, chega ao IML o corpo de uma jovem "indigente", a família reclamante deveria ser avisada IMEDITAMENTE! Será se não tem nem uma planilha de EXCEL? Melhores condições aos funcionários do IML, JÁ!....AFFF | Denuncie |

Autor: Paulo Santiago
Isso é inadmissível... Vcs não tem idéia da quantidade de gente desaparecida que são enterradas como indigente no Brasil...O fantástico já apresentou uma matéria a esse respeito, muitas pessoas morrem em acidentes, atropelamentos, etc sem os documentos e o IML tem má vontade de procurar informações! | Denuncie |

Autor: Geraldo Maciel
Todo corpo ou resto mortais que fosse encaminhado ao IML, sem identificação, deveria ser feito o teste de DNA e este arquivado em um banco de dados da instituição. | Denuncie |

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