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Presente para crianças: compre com moderação

Elaine Resende - Portal Uai

Publicação: 21/12/2009 10:40 Atualização: 24/12/2009 11:37

 - (Reprodução/latinstock)
Poucos anos de vida e dezenas, centenas de presentes. Falta espaço em casa até para guardar os mimos oferecidos por pais e familiares às crianças. Se antigamente para se ter nas mãos a boneca dos sonhos ou o carrinho mais moderno os pequenos precisavam esperar o aniversário ou o Natal, hoje os brinquedos são comprados compulsivamente, na tentativa dos pais de agradar aos filhos a qualquer custo. Custo que no fim do mês chega na conta e pode deixar toda a família num aperto financeiro.

Confira as dicas

Mas não são as crianças as vilãs dessa história. Ao contrário, elas costumam ser as grandes vítimas do consumo exagerado. É o que pensa a psicóloga e consultora educacional Rosely Sayão que, num artigo recente, lembra que a meninada está “mais sujeita ao imperativo do ter, já que ainda não consegue avaliar criticamente as demandas nela introduzidas”.

Em contato com a publicidade ostensiva e tendo como lazer visitas a shoppings, as crianças estão expostas a diversas opções de consumo e passam a listar objetos que elas garantem querer por merecimento, reproduzindo o discurso de um adulto. A psicóloga Lais Fontenelle Pereira, coordenadora de educação e pesquisa do projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, alerta que os presentes oferecidos a todo tempo perdem seu sentido original, que é o de causar surpresa e encantamento. “O presente não pode ser algo trivial. Os pais não precisam de datas para homenagear os filhos, mas quando fazem isso constantemente tiram deles o sentimento do inesperado”, comenta.

Leia também: Cuidado para não incentivar o consumo exagerado entre as crianças

Qual foi seu último presente?

A psicóloga Rosely Sayão afirma que, para grande parte das crianças da classe média, a noção do presente perdeu totalmente o valor. A consultora educacional vai além e sentencia: “Elas ganham tantas coisas sem motivo que passaram a considerar o presente quase uma obrigação dos adultos para com elas”. Rosely comenta que, certa vez, perguntou a um grupo de crianças, entre seis e 10 anos, qual o último presente que ganharam. “A maioria não soube responder. Algumas citaram vários brinquedos e eletrônicos, outras se esforçaram para lembrar, muitas ficaram na dúvida ou não se importaram com a resposta a dar porque qualquer uma valia”.

Com a proximidade do Natal, novamente as crianças serão "bombardeadas" com inúmeros embrulhos, grandes, coloridos, tudo para chamar atenção. “Não é errado dar presentes, mas a família não pode, por exemplo, se endividar por causa disso”, opina Lais. Ela comenta que, para tornar as comemorações de fim de ano algo que vai além da troca de presentes, é preciso envolver a criança na preparação das festas. “Vale incentivá-la a fazer o enfeite da árvore de Natal, ligar para um parente e descobrir qual a receita de família ela pode preparar, escolher um texto positivo para ler antes da ceia, visitar alguém que há muito não se vê etc”, sugere a psicóloga. Então, antes de colocar a mão na carteira, aproveite o que se tem em casa para despertar a criatividade da garotada!

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