A decisão do governador Aécio Neves de se retirar da disputa pela Presidência da República é negativa para o PSDB, segundo os analistas, principalmente porque o partido abriu mão, mais um vez, de fazer uma escolha ouvindo os filiados, como queria o governador mineiro. O cientista político Fábio Wanderley, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), compara o episódio ao que ocorreu em 2006.
“É um desfecho ruim da disputa latente que se arrastou por muito tempo, sem que acontecessem as prévias. Voltamos ao ícone negativo da decisão do último candidato a presidente, Geraldo Alckmin, em uma reunião com dirigentes da sigla em um restaurante em São Paulo. A escolha por prévias amenizaria o clima, que já não é bom para a oposição, que enfrenta alta popularidade do governo Lula, além de uma candidatura, da ministra Dilma Rousseff, que já está nas ruas há muito tempo”, afirmou.
Para o presidente do Centro de Pesquisa, Análise e Comunicação (Cepac), Rubens Figueiredo, se Aécio adiasse mais o anúncio de sua decisão acabaria refém do partido. “Aécio tomou uma decisão altiva, por que a indefinição do governador José Serra estava transformando o governador mineiro em uma reserva de luxo do partido. Toda essa disputa poderia ter sido resolvida nas prévias, quando o PSDB se fortaleceria, mas o partido preferiu outro caminho”, diz.
Tanto Figueiredo quanto Wanderley acreditam que a decisão de Aécio pode render frutos no futuro. “Na hipótese de uma eventual derrota de Serra na campanha para presidente, e com Aécio no Senado, o PSDB praticamente cai no colo de Aécio, que seria o candidato natural do partido em 2014”, afirma Wanderley. Para Figueiredo, ainda há chances para Aécio em 2010, se Serra desistir da disputa. “Como economista, o governador de São Paulo, José Serra, está medindo as possibilidades de sair candidato. Se Dilma crescer nas pesquisas, ele pode desistir e preferir a reeleição ao governo. Daí o PSDB ficaria sem candidato viável ao Palácio do Planalto e apelaria a Aécio novamente. Resta saber se haverá tempo para uma campanha competitiva, como ele mesmo já havia alertado”, considerou.
Fábio Wanderley enfatizou o clima ruim também dentro PSDB, que teria sido evidenciado na carta escrita pelo governador, o que inviabilizaria as intenções de Serra de convencer Aécio a aceitar ser candidato a vice-presidente. “O tom negativo revela que Aécio sai meio azedo. Um indicativo é não ter nomeado o governador José Serra na carta. Como o PSDB precisa de todos os esforços na campanha a presidente, Serra terá que se esforçar para trazer Aécio de volta”, afirma.
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