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| Gasoduto boliviano, de onde vem o gás que abastece São Paulo |
O governo de Minas Gerais quer construir um gasoduto entre o município de São Carlos, no interior paulista, e Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O empreendimento, uma extensão do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol), teria 817 quilômetros e deverá custar R$ 1,3 bilhão. O ramal é o principal requisito para a construção, em Uberaba, da primeira fábrica de ureia e amônia (usadas na fabricação de fertilizante) da América Latina, que demandará investimentos de US$ 2,2 bilhões. No início de novembro, segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, Sérgio Barroso, a Petrobras comunicou ao governo mineiro a intenção de tocar o empreendimento. O único entrave seria a inexistência do gás natural na região.
A intenção de instalar uma fábrica de produção das duas matérias-primas, que deverá ser a única do Brasil (hoje, o país importa fertilizante), já tinha sido anunciada pela Fosfértil em abril deste ano. A empresa prometeu que até dezembro anunciaria o local da futura unidade em Minas (Patrocínio, no Alto Paranaíba), Espírito Santo (litoral capixaba) e São Paulo (Sertãozinho), que complementa o programa de expansão da atual fábrica de Uberaba, onde são produzidas matérias-primas para fertilizantes. Na ocasião, a Fosfértil deixou claro que Minas poderia perder o empreendimento – calculado por ela em R$ 2 bilhões – para São Paulo ou Espírito Santo, caso o estado não conseguisse viabilizar a construção do ramal do Gasbol até o Triângulo.
Segundo Barroso, o governo de Minas assumiu o compromisso de executar o gasoduto paralelamente à construção da fábrica pela Petrobras. Tapira, no Alto Paranaíba, próxima a Uberaba, abriga a maior reserva de fosfato do país. O gás natural é a principal matéria-prima usada na fabricação de amônia e ureia. Hoje, o consumo de amônia para a produção de fertilizantes no Brasil é de 2,5 milhões a 3 milhões de toneladas ao ano. Desse total, 1,5 milhão de tonelada é fabricada em portos brasileiros. A fábrica que deverá ser construída pela Petrobras terá capacidade para processar 1 milhão de tonelada de amônia e ureia ao ano, o que tornará o Brasil praticamente autossuficiente na fabricação do produto.
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse na quarta-feira que havia ficado acertado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, investimentos novos em produção de ureia e de amônia. "Não anunciamos investimentos novos. Nós anunciamos que estamos estudando algumas alternativas para aumentar a produção de ureia. Mas está em fase de estudo", afirmou. Stephanes tinha anunciado novas plantas de produção dos dois insumos em Mato Grosso, no Espírito Santo e em Sergipe, em municípios já servidos por gasodutos.
A intenção do governo de Minas é usar a área de servidão do alcoolduto que liga São Carlos a Uberaba para construir o gasoduto. Estudos da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) indicam que a construção do ramal do Triângulo poderá durar 30 meses. Sua capacidade de transporte ficará entre quatro e seis milhões de metros cúbicos por dia. O anúncio do secretário foi feito depois que o governador Aécio Neves enviou uma carta ao governo federal esclarecendo a disposição do estado de liderar a construção do gasoduto, diante da demonstração da Petrobras de que realmente vai implantar uma fábrica de ureia e amônia no estado. Barroso explicou que gasoduto será construído por um consórcio liderado pela Codemig. Segundo ele, empresas privadas, Gasmig, Ministério da Agricultura e a própria Petrobras serão convidados a participar do consórcio.
Extração em morada novaA primeira extração de gás natural em Minas, que será feita no município de Morada Nova de Minas, Região Central do estado, a apenas 300 quilômetros de Belo Horizonte, foi adiada para o fim do ano. O motivo é o atraso da chegada dos equipamentos de perfuração, alugados pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), disse na quarta-feira o secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Sérgio Barroso. Segundo ele, porém, as máquinas já chegaram e estão sendo instaladas no local onde será feita a perfuração. A previsão inicial era que o primeiro poço de gás da parte mineira da Bacia do rio São Francisco fosse perfurado em setembro. Em seguida, o cronograma foi adiado para novembro e depois para dezembro. A exploração comercial do produto, porém, só deverá ser iniciada cinco anos após a comprovação da viabilidade econômica da reserva. A expectativa é que seja encontrada uma acumulação de grande porte.
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