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Marcos Avellar - Estado de Minas
Publicação: 21/11/2009 09:53 Atualização: 21/11/2009 10:05
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| Apesar dos modernos equipamentos, a clínica de oncologia credenciada pelo SUS ainda fica na maior parte do tempo ociosa. |
Um drama compartilhado por muitas pessoas e que poderia estar sendo amenizado pelo poder público esbarra na burocracia, causando mais sofrimento aos pacientes com câncer em Sete Lagoas, a 70 quilômetros de Belo Horizonte, na Região Central de Minas. A esperança veio com o credenciamento do Hospital Municipal Nossa Senhora das Graças (HNSG) para o tratamento de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que possibilitaria oferecer atendimento para os pacientes no próprio município. Mas, apesar de a habilitação ter sido feita em 12 de junho, passados cinco meses, o setor de oncologia do hospital ainda não recebeu nenhum paciente proveniente do sistema público de saúde.
“Estamos credenciados há cinco meses e ninguém nos foi encaminhado, por questões burocráticas”, diz o diretor administrativo do hospital, Admilson Moura. A capacidade de atendimento do setor é de 400 pacientes por mês, mas boa parte fica ociosa. “Hoje atendemos 40 pessoas pelo sistema privado. O restante continua indo para Belo Horizonte”, revela.
A história da funcionária pública Andreza Patrícia Machado de Oliveira é parecida com a de dezenas de famílias de Sete Lagoas. Além do desgaste emocional de ver a pequena filha de apenas 4 anos sofrer de leucemia desde 2008, ela precisa enfrentar a BR-040 para levar a criança até Belo Horizonte para o tratamento especializado. Sem veículo próprio, a opção é o ônibus. “Só de locomoção, inclusive dentro de BH, são cerca de três horas, mais o tempo no tratamento, eu fico o dia inteiro”, explica. Além disso, há todos os custos envolvidos. “Eu ainda consigo ganhar as passagens do município, que é obrigado a pagar o transporte por lei, mas muitas pessoas não sabem disso. E no final ainda tenho o gasto com alimentação”, calcula. Mas para a mãe o tempo perdido e o dinheiro são o menor parcela. “O pior é o desgaste, porque fica cansativo, principalmente para a criança que está em tratamento”, lamenta.
INVESTIMENTOS
Para credenciar o Hospital Municipal Nossa Senhora das Graças, foram quase cinco anos de um extenso trabalho de equipe, que contou inclusive com interferências políticas, para que a cidade conseguisse oferecer o tratamento. Foram feitos diversos investimentos, que incluem além de equipamento a contratação de uma equipe multiprofissional, que conta com oncologistas, nutricionistas, farmacêuticos e psicólogos. “Não tem como calcular o valor total do investimento. Foram contratadas sete pessoas a mais para atender a demanda. Mas há também outros investimentos e passamos por um longo processo para conseguir o credenciamento. Por isso é difícil quantificar”, observa Admilson.
A Secretaria municipal de Saúde, responsável pelo encaminhamento dos pacientes para o tratamento, informou que houve atraso no repasse do recurso pelo SUS, por isso ainda não havia encaminhado nenhum caso ao hospital. Apesar da assinatura em junho, a verba de R$ 60 mil, que deverá servir para atender 151 pacientes das 22 cidades da microrregião de Sete Lagoas, com aproximadamente 400 mil habitantes, só foi encaminhada ao Fundo Municipal de Saúde este mês. A secretaria não soube informar o número de pacientes que hoje vão à capital mineira para tratamento, pois a central de marcação está em fase de modernização e digitalização dos dados.
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