A proposta do governo brasileiro que será apresentada na Convenção do Clima, em Copenhague (Suiça), mês que vem, de incentivar a substituição do carvão mineral na siderurgia pelo vegetal, de origem plantada, vai exigir investimentos pesados. Só para atender todo o consumo das siderúrgicas mineiras, o plantio de maciços florestais no estado teria de crescer 60% a 70% em relação ao ritmo atual de 180 mil hectares por ano. Para que os segmentos consumidores da indústria fossem autossuficientes, portanto, são necessários 350 mil a 360 mil hectares plantados por ano durante sete anos, com desembolso estimado em R$ 1,5 bilhão anualmente.
“Não adianta o país fazer uma proposta em tese muito boa. Faltam políticas públicas de financiamento à floresta plantada. Outro problema está nos sistemas de licenciamento ambiental. Precisamos ser mais eficientes. Trata-se de agilizar a liberação dos documentos e modernizar a estrutura desses sistemas”, afirma Bernardo de Vasconcellos, presidente da AMS. O carvão mineral é o bem mais importado entre as substâncias minerais que o país consome. Representa quase 30% das importações e somou US$ 9,73 bilhões no ano passado, de acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
Segundo a AMS, as florestas de eucalipto e pinus ocupam 1,2 milhão de hectares em Minas, representando 2% da área total do estado, menor que os 44% ocupados por pastagens. O uso do carvão mineral e derivados na matriz energética, no entanto, ainda é pesado, respondendo por 13,3%, pouco abaixo da geração de energia hídrica.
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