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Planetários Digitais: uma revolução se aproxima

Publicação: 17/04/2009 14:34 Atualização: 17/11/2009 00:41

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Planetários são muito antigos. Basicamente, um planetário é um equipamento que projeta um céu artificial em um anteparo. Essa é uma idéia tão simples que em todo o mundo, desde as mais antigas civilizações, faz parte do repertório de brincadeiras noturnas. Basta termos uma fonte de luz qualquer, como um lampião, envolvermos essa fonte de luz com um pedaço de couro, metal ou algum outro material no qual tenhamos feito furos milimétricos e temos assim o projetor de um planetário! A luz que passa por esses furos, incidindo em um anteparo qualquer, como um teto ou uma parede, se 'transforma' em estrelas.

É provável que sábios egípcios e gregos antigos e quem sabe mesmo, algum professor das crianças de nossa antiga Curral del Rei (Prof. Marcelo da Silva Lobato? Prof. João Moreira da Silva?), tenham usado essa brincadeira como 'ferramenta didática'. Basta fazermos os furos do tamanho certo e na posição certa, que a luz projetada no anteparo reproduzirá, com maior ou menor precisão, o céu real. Basta girarmos o corpo que contém esses furos da maneira correta e reproduziremos o movimento das estrelas no céu.

No início do século passado os planetários sofreram uma primeira grande revolução. O 'Deustches Museum', de Munique, encomendou à firma alemã Carl Zeiss um planetário 'moderno'. Tal planetário, inaugurado em 1923, usou um sistema óptico e uma mecânica relativamente complexos para projetar e movimentar imagens simuladas do céu, com uma realidade até então inimaginável, na superfície interna de uma hemisfério (abóbada ou cúpula) de 9,8 metros de diâmetro. O primeiro planetário a utilizar um sistema de lentes para projeção possibilitava, dentre outras coisas, reproduzir o céu visto de qualquer região do planeta e em qualquer época.

O sucesso cultural e educacional obtido foi tão grande que planetários passaram a ser inaugurados por todo o mundo. Semelhante aos teatros, planetários também se tornaram referencias do desenvolvimento cultural das cidades.

Atualmente os planetários estão sofrendo sua segunda grande revolução. Eles estão sendo digitalizados e os seus preços estão caindo enormemente. Basicamente, podemos dizer que um planetário digital consiste de um (ou mais) projetor multimídia (desses que projetam as imagens das telas dos computadores) com um sistema de lentes responsável pela projeção hemisférica.

Os planetários digitais estão para os planetários analógicos assim como os projetores multimídia estão para os antigos projetores de slides. Essa comparação é válida amplamente. Os planetários digitais são muito mais versáteis e apresentam muito mais possibilidades didáticas que os planetários analógicos, mas, assim como a qualidade das imagens dos projetores multimídia ainda não igualou a qualidade das imagens dos bons projetores de slides, também a qualidade das imagens dos planetários digitais ainda está longe da qualidade das imagens dos bons planetários analógicos.

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Mês passado participei de um 'workshop' sobre planetários digitais na Fundação CEU (Centro de Estudos do Universo) em Brotas (SP). Essa fundação acabou de trocar o seu projetor analógico antigo (da marca Zeiss, modelo ZKP-2) por um projetor digital (da marca Digitalis, modelo Digitarium Epsilon). Fiquei impressionado com as qualidades do novo projetor lá instalado. Tive a oportunidade de operá-lo, o que é extremamente simples. Mas o que realmente me surpreendeu foi a qualidade da sua imagem. Não esperava tanto para um projetor de pouco mais de US$50 mil.

Na Fundação CEU esse projetor está instalado em uma cúpula fixa com oito metros de diâmetro, mas é vendido também com cúpulas móveis (até sete metros de diâmetro), o que os tornam acessíveis à grande número de prefeituras de Minas Gerais (e de todo Brasil). A própria Digitalis possui modelos mais simples que podem ser boas alternativas para orçamentos apertados. Desnecessário dizer que a tendência é que os preços dessas máquinas caiam cada vez mais.

Acredito que na próxima década os planetários digitais se tornarão comuns em nossas escolas. Na UFMG já estamos trabalhando para disponibilizar à sociedade (através dos professores que formamos; de ações de extensão; etc.) formas de bom uso dessas máquinas.




O futuro planetário da UFMG (e primeiro planetário fixo de Minas Gerais) que será inaugurado no próximo semestre (financiamento da TIM) como um dos destaques do 'Circuito Cultural Praça da Liberdade' (projeto do Governo de Minas Gerais) conjugará a versatilidade e os recursos dos planetários digitais à qualidade das imagens de um dos melhores planetários analógicos já construídos (da marca Zeiss, modelo ZKP-4). Além de sessões específicas para turmas de escolas (de todos os níveis) haverá sessões para o público em geral. Em uma próxima coluna daremos mais informações sobre esse projeto. A história de seu desenvolvimento pode ser encontrada na página do Grupo de Astronomia da UFMG na internet: www.observatorio.ufmg.br




A era dos planetários digitais já começou. Que ela nos traga todas as benesses que a cultura científica amplamente disseminada tem a nos oferecer!
Mas não consigo deixar de pensar mais na frente . . .

- A terceira revolução dos planetários virá com a holografia?

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