Turismo sênior: cada vez mais a turma da terceira idade redescobre o mundo

A valorização desse nicho, cuja perspectiva é de crescimento, tem provocado uma revolução nos fornecedores de serviços para atender a demanda de viajantes acima dos 60 anos, que hoje representa 12% da população mundial

por Lucianna Rodrigues* 29/08/2017 18:30

Carlos Altman/EM
Turistas apaixonados por história e pela gastronomia encontra em Carcassone, na França o destino ideal de férias (foto: Carlos Altman/EM)
O setor de turismo para a terceira idade tem aprimorado as ofertas, criado incentivos e se profissionalizado para atender às necessidades e cuidados que os mais experientes necessitam. Por outro lado, as facilidades digitais proporcionaram a abertura de um novo mundo para essa população específica. Já não é raro encontrar senhores e senhoras digitando em seus smartphones, com contas em redes sociais e enviando mensagens em aplicativos de comunicação. A troca de informações, por exemplo, é um dos maiores estímulos às viagens. “A tecnologia permitiu mudanças excepcionais na vida dos idosos. Evita que fiquem isolados, integrando-os na rotina da sociedade. Hoje, esse segmento da população tem outro perfil, com comportamento diferente”, afirma a professora Aldemita Vaz de Oliveira, ex-coordenadora do grupo de trabalho da Universidade de Brasília (UnB), que estuda a vida do idoso na comunidade.


De acordo com a Sondagem do Consumidor —Intenção de viagem, do Ministério do Turismo (Mtur), o desejo de viajar sozinho ou acompanhado subiu de 23,7% para 26,9% no grupo de viajantes com idades acima dos 60 em junho deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a mesma pesquisa, cresceu a opção por viagem de avião entre os acima de 60 anos, em detrimento do automóvel e do ônibus, e também pela estadia em hotéis e pousadas (67,5%), em vez da hospedagem em casa de parentes e amigos ou em residência própria ou alugada.

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Cada vez mais, a turma da terceira idade tem ganhado o mundo e redescoberto pelas como na cidade de Valência, na Espanha (foto: Carlos Altman/EM)

Os números indicam, portanto, que o negócio de turismo para a terceira idade é promissor e que a tendência é de crescimento. Atentos à realidade do mercado, os prestadores de serviço têm moldado as suas ofertas ao estilo de vida e às necessidades desses clientes especiais. Há opções de viagens em grupos promovidas por agências de turismo e até a possibilidade de permanecer por vários meses em um país por meio de intercâmbios. E há, claro, as viagens acompanhadas por familiares, com acompanhante ou sozinho. E, para todas as possibilidades, há incentivos. Tanto das empresas, como governamentais.

 

Sozinho ou com amigos

 

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Viajar de navio oferece todas as comodidades para o público da terceira idade. Alguns cruzeiros temáticos são muitos procurados na Europa (foto: Carlos Altman/EM)

 

Para um público especial, programas mais que especiais. Além dos roteiros, que precisam ser bem definidos, viajar com um idoso, ou mais de um, requer preparativos que fazem a viagem começar muito tempo antes da partida. É preciso levar em conta as condições de saúde e a disposição dos viajantes, o tempo do percurso e o tempo de estada. A opção de viajar com a família ou sozinho dá mais liberdade, mas há os que preferem se aventurar sozinhos ou na companhia de um grupo de amigos em excursões organizadas por agências de viagem.
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Em Aix-en-Provence, no Sul da França, o turista viaja no tempo nos passeios dos carros antigos (foto: Carlos Altman/EM)

Empresas especializadas têm aprimorado a oferta de serviço ao mesmo tempo em que esmiúçam as necessidades dos clientes com atendimento personalizado. Esse tratamento exclusivo é a explicação para o sucesso das excursões e o motivo pelo qual os idosos têm preferido compartilhar viagens e experiências com pessoas desconhecidas. A supervisora do setor de grupos e eventos da agência de turismo Bancobrás, Regina Vieira, explica que o programa da empresa começou em 2005 e que a procura tem crescido bastante. “De lá pra cá, a gente tem aumentado o número de saídas. No começo fazíamos uma viagem por ano, mas passamos a fazer duas, uma nacional e outra internacional”, afirma.
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Depois que se aposentaram, a casal Chileno, Adriana e Santiago Guzman decidiram viajar pelo mundo e conhecer lugares incríveis como Barcelona (foto: Carlos Altman/EM)

Regina explica que há o cuidado de nunca superlotar o passeio, para dar mais conforto e liberdade aos turistas. “Preferimos grupos pequenos, de 50 pessoas, para que tenhamos um contato maior com o participante. Assim os chamamos pelo nome, eles sabem os nossos, e podemos conversar durante a programação. Quando percebemos que uma saída está tendo muita procura, lançamos a segunda edição.” A empresa atende pessoas em todo o país, mas a maioria dos viajantes é de Brasília, com perfis que variam dos 55 até mais de 90 anos. “Temos clientes de 92 anos”, orgulha-se a supervisora.

* Estagiária sob a supervisão da editora Taís Braga

SAIBA MAIS
Modelo revogado


A Lei 10.741, de 2003, garante vaga gratuita para idosos em ônibus interestaduais desde que se adeque às regras. Se o assento determinado estiver ocupado, o idoso pagará 50% do valor da tarifa. Para conseguir o benefício, é preciso solicitá-lo com antecedência de, no mínimo, três horas antes da partida. Voltado para os idosos, o programa Viaja mais melhor idade, criado em 2007 pelo MTur, cujo objetivo era oferecer descontos em passagens e hospedagens aos participantes, foi suspenso. A explicação, segundo a assessoria do ministério, foi a “necessidade de ajustes”, mas garantiu que um novo programa será criado. “O modelo foi revogado, e está em curso um diagnóstico para a criação de um novo projeto de incentivo à viagem desse público específico.”

Enquanto não entra em vigor o programa governamental, a solução é participar de outros projeto,s como, por exemplo, os cartões de crédito da Caixa Econômica. “Os cartões turismo têm juros e anuidades entre os menores do mercado e oferecem parcelamento de compras de passagens e pacotes de viagens em até 48 vezes, além de ter um programa de pontos nas variantes Internacional, Gold e Platinum. Por exemplo, para a variante Platinum, a bonificação no programa de pontos é de 1,4 ponto para cada US$ 1 gasto e 1,8 ponto para cada U$ 1 gasto em estabelecimentos de turismo e entretenimento”, explica o superintendente nacional de cartões da Caixa, Dário Araújo. 

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