Conheça os segredos escondidos do Wat Arun: o templo do Amanhecer, na Tailândia

O blog 1001 lugares pra se viver viajou até Bangkok, na Tailândia para desvendar a magia de um templo todo em ouro

por Bertha Maakaroun 10/07/2017 17:30

Wikipédia/Reprodução
Wat Arun é um dos principais ícones da capital tailandesa (foto: Wikipédia/Reprodução)

Levanta-se majestosamente à margem Thonburi, do Rio Chao Phraya, mirando o templo Wat Pho, do Buda Reclinado e o Grande Palácio Real de Bangkok, ambos na beira oposta. Sob os raios do amanhecer, as centenas de milhares de peças de porcelana, delicado mosaico minuciosamente incrustado sobre as longas torres em estilo Khmer, assumem cores cambiantes. Dançam ao toque da luz. Ao por do sol, paira sobre as águas plácidas a bela silhueta, referência ao Monte Meru, centro do universo e morada mítica dos deuses hindus. Para além dos 31.200 pagodes budistas espalhados pela Tailândia, Wat Arum, o Templo do Amanhecer, está intimamente associado à fundação de Bangkok e constitui um dos principais ícones da capital tailandesa.

Diz a lenda que, numa manhã de outubro, em 1767, a frota de Taksin, rei do Sião, seguia pelo rio determinada a buscar nova localização para a transferência da capital Ayutthaya, atacada, saqueada e incendiada pelos birmaneses. Diante do pequeno templo de Wat Makok Nok, Taksin saltou da embarcação e ali homenageou as relíquias do pagode, rebatizando-o para o Templo do Amanhecer, dedicado ao deus hindu Aruna. Não apenas a luz do novo dia símbolo do renascimento, inspirava a refundação da “nova Ayutthaya”, uma vez que, ali, acreditava-se, era o primeiro lugar em Thomburi a captar a luminosidade da manhã. Mas o nascer do sol carrega também, na filosofia hindu, poderes espirituais: a veneração nesse templo traria felicidade e prosperidade eternas.

Wat Arun tornou-se o templo real, hospedando, até 1785, a estátua do Buda de Esmeralda, entre todas a mais sagrada. Esta, hoje, está abrigada no Wat Phra Kaeo, parte integrante do Complexo do Grande Palácio Real, na margem oposta, onde, em 1782, seria fundada Bangcoc, que tomaria Thomburi o título de nova capital do Sião. Foi nos reinados que se seguiram de Rama II e Rama III que o templo de Wat Arum ganhou a atual forma – a torre central tem 79 metros e a circunferência da base 234 metros – e monumental ornamentação com porcelanas, a maior parte delas doada pela população local.

Assim como os templos hindu-budistas da arquitetura Khmer, Wat Arum traz uma torre instalada em meio a um quadrado imaginário, que representa o Monte Meru – centro do universo e a morada mítica dos deuses hindus. Nos respectivos vértices há quatro torres menores, referência aos pontos cardeais, delineando o formato de uma mandala. A torre central tem três níveis ascendentes: Traiphum, a base, trata dos 31 reinos da existência por meio dos três mundos do desejo, da forma e da ausência da forma; na seção central, a Tavatimsa simboliza a região onde os desejos são satisfeitos; e o pico da torre denota seis paraísos dentro de sete reinos de felicidade.

Wat Arum, originariamente Wat Makok Nok, foi ponto de parada dos navios que, ao entrar no Golfo da Tailândia, extremo Oriente do planeta, seguiam pelo chamado “Rio dos Reis” – Chao Phraya, identificado nos mapas europeus por “Me Nam”,o que significa em thai “a mãe de todos os cursos d´água”. As embarcações ziguezagueavam território adentro, em direção à Ayutthaya, centro do reino precursor do Sião.

 

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