Desvende todos os 50 tons de azul de Zákynthos, na Grécia

Falésias claras e escarpadas abraçam e protegem o recanto do mar Jônico, entre o Mediterrâneo e o Adriático. Águas límpidas em degradês de turquesa e de esmeralda desnudam sem pudor o fundo de areia e pedras brancas da Navagio Beach

por Bertha Maakaroun 19/06/2017 18:00

Reprodução de internet
Nessa parte da ilha de Zákynthos, a terceira maior grega, o acesso só é possível por meio de barcos (foto: Reprodução de internet)

Dizem que, na década de 1980, sob um temporal, às cegas e perseguido pela marinha grega, o Panagiotis chocou-se em rochedo e se afundou. O navio fora construído na Escócia em 1937 e, provavelmente, servia ao contrabando de cigarros. Não haveria, em todo o planeta, enseada mais espetacular para o naufrágio. E esta se revelou após a tormenta.

 

Nessa parte da ilha de Zákynthos, a terceira maior grega, o acesso só é possível por meio de barcos. E não terá sido uma travessia vã. Por sua acidentada costa Norte, onde se finca o Cabo Skinári encarando a ilha Kefalonia, ambas a cerca de 130 quilômetros da costa italiana, escondem-se cavernas e grutas azuis. A luminosidade se insinua em espetaculares piscinas de colorido intenso.

Tanta exuberância da natureza explica o mito de Ártemis, deusa da caça, vagando pelos bosques de Zákynthos, enquanto o seu irmão gêmeo, Apolo, tocava a lira em contemplação às baías da ilha, mistura perfeita de cem tons de azul. Mas coube a Homero, personificação coletiva da memória grega, dar conta sobre a fundação da ilha: Zákynthos, neto de Zeus e Electra, filho de Dardanus, teria sido o seu primeiro habitante.

Habitada na Antiguidade por aqueus, Zákynthos manteve a neutralidade durante as guerras greco-persas (Guerras Médicas) do século 5 a.C. Mas no âmbito da vitoriosa Confederação de Delos, sob o domínio de Atenas, participou da Guerra do Peloponeso (431 a 404 a.C) que dividiu e enfraqueceu gregos. A vitoriosa Esparta sucedeu a dominação de Atenas, mas Zákynthos, assim como a Grécia, sucumbiu a Felipe da Macedônia – pai de Alexandre, o Grande –, que teve êxito em unificar as cidades-Estado gregas sob o seu império.

Dominada também pelo Império Romano até a sua divisão, com a queda de sua parcela Ocidental, contudo, Zákynthos e todas as ilhas jônicas e colônias da costa Oeste do Mediterrâneo passaram por décadas de instabilidade: decorriam das invasões de Constantino, o Grande, em 306 d.C, proclamado Augusto do chamado Império Romano do Oriente. Zákynthos foi anexada à província de Ilíria, região a Noroeste dos Balcãs, e a ilha passou por um renascimento social e cultural sob o domínio bizantino. O cristianismo se tornaria dominante, inclusive o santo Dionísio (1547 – 1622), padroeiro da ilha, nela nasceu e viveu.

Durante o século 15, a Grécia foi dominada pelo Império Turco-Otomano, mas Zákynthos e outras ilhas jônicas estiveram sob os venezianos, que ali mantiveram um sistema político rude, oligárquico e aristocrático. O caldeirão cultural que mescla cenários naturais, dominações de povos e civilizações, influenciou muitos escritores, como Dionysios Solomos, autor do Hino à Liberdade, poeta grego nacional, ali nascido em 1798. Prometendo mudar o sistema social, econômico e político, os republicanos franceses chegaram em 1797. Nada que durasse muito. A oligarquia foi restabelecida quando os russos e os turcos conquistaram-na, mas franceses voltaram a tomá-la, seguidos pelos ingleses, que permaneceram em Zákynthos entre 1814 e 1864. Essa bela ilha se integrou à Grécia na Revolução para a Independência contra os turcos e, em 1864, assim como as outras jônicas, foi integrada ao estado grego.

 

 

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